A alta sociedade me causava ânsia em alguns momentos. Certa vez, tive a nítida sensação de ser observada com olhares tortos. Era estranho. Embora não houvesse nada de errado comigo, eu sabia que, para alguns, a régua social era ajustada de forma diferente.
Parada do lado de fora, encarei a fachada do salão. Algumas pessoas entravam apressadas, outras conversavam casualmente. Meus olhos buscaram Izabela, mas ela não estava à vista.
— CARALHO! VOCÊ ESTÁ UMA GOSTOSA! — O grito estridente me fez dar um salto. Virei rapidamente, esbarrando em Murilo, que segurava uma taça de champanhe.
— Amiga, se eu não fosse gay, te ensinaria bons modos! Olha esse vestido! — brincou, rindo exageradamente.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, tentando conter o riso.
Ele ergueu a taça com um sorriso presunçoso.
— Ao que tudo indica, sua sequestradora quer que você aproveite a noite. — Bebeu um gole antes de apontar para a direita. — Falando no diabo...
Izabela surgiu, imponente e séria. Os primeiros botões de sua camisa estavam desabotoados, revelando o início do colo e as curvas dos seios. Um perigo literal.
— Estava te procurando — murmurei, virando-me para ela.
— Você está... — Seus olhos deslizaram lentamente pelo meu corpo até encontrarem os meus. — Arrumada… bonita. — Coçou a nuca, visivelmente desconcertada.
Murilo, que assistia de camarote, parecia à beira de um ataque de risos.
— Chamei ele para te fazer companhia. Sei que terá que me acompanhar, mas não quero que fique desconfortável. Se parecer deslocada, ninguém vai acreditar que somos um casal.
— Duvidando dos meus dotes de atuação? — retruquei, arqueando uma sobrancelha. Entrelaçando meus dedos nos dela, sussurrei com malícia: — Se vamos fingir, fingiremos direito. Vamos, amor…
Murilo explodiu em gargalhadas.
— Gente, isso aqui é melhor que novela das nove.
Ao entrarmos, avistei um grupo de pessoas em um círculo, conversando ao redor de um homem alto, atlético e de pele negra.
— É, é de família — murmurei, admirando-o.
Aos poucos, os olhares se voltaram para nós. O homem abriu caminho e caminhou até Izabela, abraçando-a com entusiasmo.
— Finalmente, sua pilantra! Já era hora de aparecer. Não te vejo há o quê? Três meses?
Izabela retribuiu o abraço com um sorriso genuíno. Eles claramente tinham uma boa relação.
— Essa é Samantha — apresentou, soltando minha mão para me puxar pela cintura. — Ela estava ansiosa por hoje, né, amor?
— Ahm… Sim, claro! — Respondi com um sorriso hesitante, estendendo os braços para cumprimentá-lo. Ele desviou para um aperto de mão firme. — Ah… legal. Prazer em te conhecer.
Izabela segurou meu braço e me conduziu até um arco decorado com flores.
— Gosta de fotos? — perguntou.
Assenti.
— Ótimo. — Ela envolveu minha cintura, posicionando-se ao meu lado para algumas poses "fofas" de casal.
A festa transcorria enquanto Izabela conversava com um grupo de engravatados e mulheres que claramente a admiravam. Não as culpava; Izabela era de fato atraente, mesmo com sua índole questionável.
Murilo voltou animado.
— Amiga! Aquele cara é de outro mundo! Ele me chamou pra sair.
— O irmão da Izabela? — perguntei, surpresa.
— Espera… ele é irmão dela? — Arregalou os olhos. — Meu Deus! Ele tá me olhando…
— Ai, vão para um motel! — Respondi rindo antes de me afastar.
O salão era imenso, decorado com lustres imponentes e uma estética antiga em tons terrosos e prataria. Apesar de minha mente vagar, não era tão ruim estar ali.
ALGUMAS HORAS MAIS TARDE
Izabela me encontrou com os passos vacilantes e a voz arrastada.
— Alguém já te disse que você está bem disputada? Tem uma mulher mais velha que não tira os olhos dessa sua camisa entreaberta.
Ela me encarou com uma mistura de preocupação e surpresa.
— Samantha… você está bêbada? — perguntou.
— Bêbada? Eu? Não! — sorri, tropeçando em meu próprio vestido.
Izabela segurou minha mão e me conduziu ao banheiro, trancando a porta atrás de nós.
— Uuh! Vai me manter trancada aqui? Danadinha… — brinquei, rindo enquanto quase caía novamente.
— Samantha, você está completamente bêbada. Não podemos te deixar assim — declarou, ajoelhando-se para tirar meus saltos.
— Sabe, você até que fica sexy quando está mandando em mim assim — murmurei, sorrindo maliciosamente. — Eu te beijaria agora, se não fosse o meu mau hálito.
Izabela bufou, mas não conseguiu conter o riso.
— Apenas lave o rosto, Samantha. Anda!
— Mas e a maquiagem? Vai borrar tudo!
— Apenas faça! — insistiu, com firmeza.
Me inclinei para lavar o rosto, ainda rindo, enquanto ela me observava, balançando a cabeça.
— Você tem um sorriso bonito, sabia? — comentei, secando o rosto e deslizando o dedo sobre seus lábios.
Izabela segurou minha mão e me conduziu para fora do salão pela saída dos fundos, garantindo que ninguém me visse naquele estado.
EM CASA
De volta ao apartamento, Izabela retirou os próprios sapatos e ergueu as mangas da camisa.
— Vamos, preciso te colocar no chuveiro — decretou.
A água gelada foi um choque imediato.
— Tá frio! — protestei, me encolhendo.
— É exatamente disso que você precisa — respondeu, cruzando os braços com um sorriso no rosto.
— Não ria de mim! — reclamei, com um tom manhoso.
Sem conseguir resistir, ela entrou no chuveiro comigo. Meu abraço foi imediato.
— Você é engraçada assim, sabia? — murmurei, envergonhada.
Após o banho, Izabela me ajudou a trocar de roupa, vestindo-me com uma de suas camisas.
— Obrigada, Izabela — murmurei sonolenta, já me deitando.
Ela sorriu suavemente.
— Me agradeça amanhã. Agora, dorme.
Apagou as luzes e fechou a porta, deixando-me entregue à exaustão da noite.
Continua...
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Atualizado até capítulo 35
Comments
Ana Faneco
Autora atualiza sua linda aguardando ansiosa
2023-11-25
4
lua🌚
mais mais mais mais mais
2023-11-22
1
Ana Faneco
autora esperando atualizar
2023-11-20
1