Samantha
O som dos passos de Ana se afastando ecoaram pelo pequeno quarto, logo ela foi embora, e, embora não fosse o momento certo, algo dentro de mim não podia esperar. Izabela estava diferente. Algo em seu comportamento estava fora do lugar, e a visão dessa mudança me angustiava de um jeito que eu não conseguia ignorar.
Quando a maior saiu do banho, seus olhos castanhos percorreram o quarto como se procurassem algo. Ela estava linda, mas havia algo sombrio em sua presença, uma energia que parecia deslocada e que apertou meu peito.
- O que foi? — Perguntou, a voz tremendo sem querer. — Por que está me olhando assim?
Ela arqueou uma sobrancelha, quase desdenhosa, mas a tensão no ar entre nós era palpável.
- O que está rolando? Qual é o problema aqui? — Cruzei os braços, me levantando e caminhando até ela, sem recuar.
Izabela pegou uma garrafa de cerveja no frigobar, a mão firme tremendo um pouco. Ela abriu a garrafa e deu um gole profundo, ignorando tudo o que eu dizia.
- Você está escondendo algo de mim. Eu sei disso! — Minha voz saiu entre os dentes, carregada de um desespero contido. — Já não é estranho o suficiente você me trancar num quarto de hotel e desaparecer sem uma explicação?
Ela respirou fundo, os olhos desviando da minha direção. O silêncio que seguiu parecia mais forte que qualquer resposta. Era um momento crucial; eu podia sentir isso no fundo do meu estômago. Sabia que a hora de escutar a verdade havia chegado.
- O que está acontecendo? — Ela finalmente falou, sua voz embargada, mas com uma intensidade que me fez parar. — Está "rolando" que eu estou fazendo tudo que está ao meu alcance pra te proteger, pra te manter segura, porque eu te amo, Samantha.
Nossos olhos se encontraram. Izabela, que sempre tinha respostas rápidas e venenosas na ponta da língua, estava agora em silêncio. Meu coração parecia querer sair pela boca, os sentimentos conflitantes me sufocavam — amor, medo, raiva, tudo se misturava em um turbilhão.
Eu sabia que a amava também, mas a única coisa que consegui fazer foi fugir.
Sem aviso, abri a porta e saí do quarto, como se estivesse escapando da própria dor. Era patético, eu sabia, mas não consegui ficar ali. O medo e a confusão eram maiores do que eu.
- SAMANTHA, VOLTA AQUI! — Izabela gritou, correndo atrás de mim pelos corredores. Vi o desespero em seu rosto, a maneira como sua expressão se torcia em um sofrimento brutal.
A porta do elevador se fechou entre nós, o som metálico cortando o ar como um golpe. Eu estava saindo daquele momento, mas algo dentro de mim sabia que não sairia ilesa.
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Izabela On | •
Eu não tinha tempo pra esperar o elevador. As minhas pernas dispararam, descendo as escadas do hotel com um ritmo frenético. Cada batida do meu coração parecia um tambor, um aviso constante de que cada segundo perdido era um passo a menos para encontrar Samantha.
Chegar até a rua foi um golpe brutal. A ausência de rastros dela era um buraco no meu peito. A sensação de impotência me consumia, me fazendo questionar cada decisão, cada plano. Deixar Samantha escapar era algo que eu não podia aceitar.
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No Escritório da Delegacia
Vamos iniciar uma busca, Izabela, — disse a delegada, sua voz fria como o café que despejava em sua caneca. Ela me olhou com aqueles olhos calculistas, enquanto as unhas pintadas de vermelho vibravam no ritmo das batidas nervosas sobre a mesa. — Mas é necessário que se acalme. Samantha não deve ter ido muito longe.
Revirei os olhos, a raiva fervendo sob a pele. A delegada parecia calma demais, como se estivesse jogando um jogo em que a minha urgência não importava.
Como vocês podem estar tão calmos? — Minha voz explodiu sem controle. — Ela está em perigo, tem um sociopata preso com seus encarregados por aí, um cara com um histórico de crimes brutais! Quantos mais devem sofrer pra vocês agirem?
A delegada apenas me encarou, sem alterar a expressão. Ela parecia tão distante, tão envolvida em seus próprios cálculos e política institucional, que me sentia cada vez mais sozinha.
Sabe o que? — Me levantei, o sangue pulsando forte nas veias. — Eu vou resolver isso sozinha!
Decidi. Não ia esperar mais. Não era apenas uma questão de amor, era um compromisso — por Samantha, por tudo que vivemos e por tudo que ainda podíamos ser.
Eu não ia parar até encontrá-la, nem que isso significasse enfrentar o pior que esse mundo pudesse oferecer.
Continua...
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Atualizado até capítulo 35
Comments
Cleidiane Silva dos Santos
😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍
2025-01-15
0
Maria Andrade
eu não entendi a atitude da Samantha, meio estranho por que ela fugiu
2024-06-04
2