CAPÍTULO 06

Acordei sobressaltada. Por alguns segundos, o peso dos acontecimentos da noite passada parecia distante, até que olhei para baixo e vi a camisola rosa que vestia. A lembrança veio como uma avalanche.

Levantei-me ao ouvir batidas na porta.

— Oi… — murmurei, ainda grogue, coçando os olhos.

Uma fresta da porta se abriu, revelando Izabela. Ela me olhava com surpresa evidente.

— Bom dia. Não achei que fosse usar as roupas... — murmurou, abaixando a cabeça enquanto coçava a nuca. — De qualquer forma, trouxe isto. É para você avisar sua amiga que está bem. Nada de besteiras, ouviu? Eu vou saber. — Ela estendeu um celular, explicando: — É provisório, já que o seu está guardado comigo. Segurança. Não podemos arriscar rastreamento.

Fitei o objeto em suas mãos, notando que ela segurava mais duas coisas na outra mão.

— Ah, quase esqueci. Aqui estão o convite e os detalhes do evento de hoje. Meu irmão está comemorando o fim de um torneio. Preciso que vá comigo. Um carro passará às duas para levá-la ao salão. Estas são algumas… “orientações”. — Sua expressão era enigmática, quase divertida.

Analisei o envelope e o convite. Tudo parecia incrivelmente real, quase surreal. Isso era perigoso ou apenas insano? De qualquer forma, eu precisava de respostas.

— Certo. Estarei lá.

Levantei-me e fui direto ao banheiro, ignorando sua presença no quarto. Antes de fechar a porta, deixei a camisola deslizar pelos ombros até o chão. Entrei no box com a porta aberta, sentindo seu olhar fixo nas minhas costas.

Um sorriso escapou enquanto a água quente caía. Se ela queria me provocar, podia apostar que eu sabia revidar.

Depois do banho, vesti uma das roupas deixadas no quarto: jeans ajustados e uma camisa de botão ligeiramente grande. No caminho para a cozinha, senti o aroma de comida e me deparei com Izabela preparando algo. A regata branca que vestia acentuava perfeitamente seus ombros definidos.

— Você treina? — perguntei, interrompendo o silêncio e a assustando.

— O que foi? — retrucou, confusa.

— Essa camisa… É sua? — Ri. — Bom gosto. Ficou ótima em mim.

Ela tentou disfarçar, mas seu olhar fixou-se em mim, ou melhor, no que a camisa revelava.

— Eu devo ter colocado por engano... Enfim, não importa.

Sorri e me aproximei lentamente, reduzindo a distância entre nós até que nossos corpos quase se tocassem.

— Pode me passar um copo de água? — pedi, alcançando o objeto atrás dela e me afastando logo em seguida, deixando-a atordoada.

— Aqui. — Ela me entregou o copo com um olhar desconcertado. — E sim, eu treino.

O silêncio tomou conta da cozinha enquanto eu bebia a água, observando-a cortar frutas com uma habilidade impressionante. Não resisti ao comentário:

— Ótima agilidade com as mãos.

— O quê? — perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Nada, nada… — Ri sozinha.

Izabela finalizou o café da manhã, colocando panquecas e frutas na mesa. O cheiro estava irresistível, mas minha curiosidade era maior.

— Por quê?

— Como assim? — Ela parecia confusa.

— Por que tudo isso? Você podia ter pedido minha ajuda de forma civilizada, sabia? — perguntei, tentando disfarçar meu nervosismo.

Ela me encarou por um momento antes de responder.

— Eu tentei. Na inauguração daquele clube, lembra? Mas aquele brutamontes não deixou. Ele disse que você e sua amiga eram "dele".

A lembrança voltou, desconfortável e clara.

— Faz sentido... Mas e o número no convite? A quem ele leva?

Izabela mudou de expressão num piscar de olhos.

— Está fazendo perguntas demais.

— Só estou tentando entender… — abaixei a cabeça.

— Isso não importa. E, aliás, é melhor você me tratar direito. Se não, quem vai ter que fingir ser minha namorada para a família "margarina" sou eu. — Sorri, levantando da mesa enquanto ela respirava fundo.

No quarto, liguei o celular "provisório" e disquei o número de Ana. Ela atendeu quase instantaneamente.

— Samantha! Meu Deus, você está bem? — Sua voz estava cheia de alívio e preocupação.

Contei o básico, sem revelar detalhes comprometedores. Pedi que ela mantivesse segredo e cuide de minha mãe, agradecendo por tudo. Desliguei antes que a conversa fosse longe demais.

Quando me virei, Izabela estava na porta.

— Que susto!

— O carro já chegou. Prepare-se. — Disse secamente antes de sair.

O salão era um espetáculo. Passei horas entre maquiagem, cabelo e unhas. No fim, quando me olhei no espelho, estava irreconhecível. Talvez pela primeira vez em dias, senti algo próximo de controle sobre minha situação.

Finalmente, um carro chegou para me buscar. Quando entrei, o nervosismo voltou, mas não havia mais como recuar. Eu estava entrando de cabeça em um jogo cujas regras mal começava a entender.

Mais populares

Comments

Cleidiane Oliveira de Freitas

Cleidiane Oliveira de Freitas

Samantha não tem medo de morrer não em kkkkkkkk fazendo essas piadinhas kkkkkk/Drool/

2023-11-12

4

Daniele Cleffsdasilva

Daniele Cleffsdasilva

Será que a Isabela vai acabar se apaixonando pela Samantha e esse número de telefone será que era realmente importante pra Isabela ou foi só um jeito dela chegar na Sam, autora continua pfv, pfv adorei os cap estão incríveis de verdade 😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍

2023-11-12

1

Maria Andrade

Maria Andrade

mais autora a história está ficando emocionante

2023-11-10

3

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!