Minha cabeça ainda girava, o peso do que tinha acontecido martelando nos meus pensamentos como uma melodia dissonante. O barulho ao meu redor parecia abafado, distante. A única coisa que conseguia focar era na figura dela, uma silhueta que surgia como um porto seguro.
– Samantha? – ouvi sua voz rouca e familiar. Eu via seus lábios se movendo, mas as palavras eram indistintas, como se flutuassem pelo ar antes de chegarem aos meus ouvidos.
Ela estava ali. Eu estava segura. Mas por quê?
TEMPO DEPOIS
– Não, ela está dormindo – ouvi a voz dela distante, séria. – É fundamental que sigam todas as orientações que passei. Não quero nenhum deslize até segunda ordem.
Minhas pálpebras pesavam como se carregassem o peso do mundo, mas consegui forçá-las a se abrir. O quarto em que me encontrava era frio e asséptico. Branco por todos os lados, com móveis minimalistas e uma TV que ocupava boa parte da parede à frente da cama. Eu tentava processar onde estava.
– Iza? Bela? – murmurei, a voz fraca e vacilante.
Ela se virou rapidamente, os olhos preenchidos por um misto de preocupação e alívio ao me ver despertar.
– Ei, calma, não tente se levantar de uma vez – sua voz era firme, mas com uma doçura que me fazia relaxar.
Sem pensar muito, a abracei. Um reflexo, talvez. Meus braços enlaçaram sua cintura e, por um momento, senti como se o mundo ao meu redor parasse de girar.
– Samantha... – sussurrou, hesitante, mas logo cedeu, retribuindo o abraço com um aperto cálido. – Está tudo bem agora.
Ela me afastou com delicadeza e apontou para um pequeno frasco ao lado da cama.
– Preciso que tome o remédio que o médico trouxe. Vou buscar algo para você comer.
Assenti devagar, ainda zonza, e a observei sair do quarto com passos decididos. Sua presença era magnética, segura. Mesmo com a confusão que eu sentia, ela parecia ter tudo sob controle.
Voltei minha atenção para o remédio, empurrando o comprimido garganta abaixo com um gole generoso de água. Quando ela retornou, trazia uma bandeja cuidadosamente preparada.
– Aqui – colocou-a diante de mim. Frutas frescas, cereais, torradas com patê, suco, café com leite... Uma refeição reconfortante e pensada com carinho.
Ataquei as frutas com avidez, a fome dominando meu corpo.
– Vai devagar, Samantha – ela pediu, sorrindo de leve enquanto se sentava na beira da cama. – Como está se sentindo?
– Como se estivesse... lenta – admiti entre uma mordida e outra.
Ela riu, mas havia algo nos olhos dela que misturava exaustão e alívio.
– Foi um dia difícil. Você estava desidratada, com ressaca pelo que soube, e sua crise de pânico culminou no desmaio. Não tive escolha a não ser trazer você para cá e chamar um médico particular. Não era seguro levá-la a um hospital público com tudo o que está acontecendo, se lembra do que aconteceu... Né?
Tudo aquilo era demais para assimilar.
– O Mário... ele...
– Shhh, não agora – ela interrompeu, pousando a mão no meu ombro. – Coma. Você precisa se recuperar primeiro.
Eu a obedeci. Não por submissão, mas porque sua presença e comando tinham um poder quase hipnótico sobre mim.
Quando terminei, Izabela se levantou.
– Preciso tomar um banho. Fique tranquila, estou por perto.
Vi-a desaparecer no banheiro, o som da água correndo abafado pelas paredes do quarto. Enquanto ela se banhava, aproveitei para observar os detalhes do lugar. Um hotel, claramente, mas de um padrão que eu não estava acostumada. O frigobar discreto, o jogo de cama impecável... tudo parecia calculado, seguro, mas ainda assim opressivo.
Ela voltou algum tempo depois, envolta em uma aura que só Izabela podia ter. Usava um top preto e uma bermuda confortável, mas sua presença era avassaladora. Seus traços firmes, o corpo marcado, os movimentos cheios de uma sensualidade natural que parecia não ser proposital, mas simplesmente parte dela.
– Estava boa? – perguntou, referindo-se à comida, enquanto secava o cabelo com uma toalha.
– Sim, estava ótima – respondi, talvez rápido demais, envergonhada.
– Ótimo – respondeu, com um sorriso breve.
Ela parecia tão à vontade, tão dona do ambiente, que eu quase esqueci por um momento o caos pelo qual tínhamos passado.
– Por que faz tudo isso por mim, Iza? – perguntei de repente.
Ela parou, me observando.
– Porque você significa algo para mim, Sam. Mais do que imagina.
Seus olhos sustentaram os meus por um tempo, antes que ela se aproximasse, sentando-se na cama ao meu lado.
E então as palavras começaram a sair, uma torrente de verdades que ela parecia guardar há muito tempo.
– Eu já o conhecia, e meu envolvimento com o Mário não foi só casual. Ele tinha poder sobre mim, Samantha. Eu trabalhava para ele. Espiava você a mando dele. Era meu trabalho mantê-la próxima e informá-lo de tudo, ir a lanchonete não foi coincidência.
Cada palavra dela era como um soco no estômago.
– Eu não queria, mas ele ameaçou minha família, minha vida... e quando percebi, já estava presa nesse jogo sujo. Por isso fui embora, porque sabia que não podia continuar com você.
Fiquei em silêncio. Não sabia o que dizer. Queria odiá-la, mas não conseguia.
– Agora estou aqui para reparar isso – ela continuou, com a voz firme. – Fiz um acordo com as autoridades. Vou colocar o Mário atrás das grades, mas preciso que você confie em mim. Sua segurança e a de sua família dependem disso.
As palavras dela soavam verdadeiras, e, mais do que nunca, percebi que a queria ao meu lado.
Sem pensar, a puxei para um beijo, um gesto que parecia selar não só minha confiança nela, mas a esperança de que, finalmente, as coisas pudessem ser diferentes.
Ela resistiu por um segundo, mas logo se entregou, e naquele momento, tudo o que existia era ela.
– Eu não vou embora mais – sussurrou contra meus lábios, sua voz carregada de emoção. – Eu quero você, Stevens.
E, pela primeira vez em muito tempo, senti que isso era o suficiente.
Antes que pudéssemos continuar com aquilo, o celular de Izabela tocou.
Continua...
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Atualizado até capítulo 35
Comments
Cleidiane Oliveira de Freitas
Eita agora que estava ficando bom acabar /Drool//Drool/Quero Mais /Drool//Drool/
2023-12-08
1
Allan Ricardo Araujo
eu quero matar esse mario 😡😡😡😡😡 espero que ele não se atreva a fazer mais nada com elas se não eu mesmo vou dá um trato nele
2023-12-07
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Maria Andrade
esse Mário e mafioso vão ter que muito cuidado comele
2023-12-07
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