Kaity estava rouca. Gritara muito pedindo socorro, mas não obteve nenhuma resposta. O lugar era frio e úmido. A sensação era a pior possível. Estava nua e havia estado inconsciente. O que fizeram com ela? E pior... Onde estava o Adam?
De repente ela ouviu um estalo. Parecia uma tranca sendo liberada. Uma porta no canto esquerdo da sala se abriu. Era ele. Brian Ashford. Se o diabo existisse, aquele homem era sua personificação.
Brian — Acorda flor do dia. O sol já raiou e está um lindo dia lá fora.
Kaity — Onde eu estou? Cadê o meu filho?
Brian — Uma pergunta de cada vez, meu doce. Bom, em primeiro lugar está num lugar seguro. Onde nunca mais vai fugir de mim. E sobre o seu filho, ele está bem. Muito melhor do que você.
Kaity — Me tira daqui seu psicopata. Enlouqueceu de vez? Isso é cárcere privado. Está cometendo um crime.
Brian — Kaity, Kaity. Ainda não caiu a sua ficha? Eu não sou um homem comum. A lei que rege vocês, mortais, mão se aplica a mim. Sou um homem rico. Influente. Tenho amigos nas áreas mais importantes do país. Acha mesmo que alguém liga para uma menina idiota e pobre que vem de um lugar qualquer e criou raízes na periferia de São Paulo?
Kaity — Porque esta fazendo isso comigo?
Brian — Por que eu posso. Simples, não é? Eu te disse que era prático. Está me ajudando de várias formas, Kaity.
Kaity — As pessoas ricas também são presas. Vemos isso o tempo todo. Não será diferente com você.
Brian — Pobre menina. Lamento que pense assim. Isso mostra o quão ignorante é. Não deveria ter dado um cargo na minha empresa para você. O seu supervisor estava certo. Otávio, não é? Ele sabia das coisas. Penso que vou contrata-lo para lhe substituir.
Kaity — Faca o que quiser, mas me tira daqui. Não quero o seu dinheiro. Não quero mais o seu emprego. Eu quero sair daqui.
Brian — Chega dessa conversa. Eu tenho coisas mais importantes para lhe falar. Três amigos meus estão lá em cima. São homens ricos e poderosos. Eu vou emprestar você para satisfazer as necessidades deles. As esposas deles são insuportáveis e eles precisam relaxar. Além disso, vão investir na Red Tower. Abriremos capital na próxima semana. Será esplêndido. Não lhe contei?
Kaity — Eu não vou deixar ninguém mais me tocar. Se eles tentarem eu mato esses desgraçados nojentos.
Brian gargalhou. Ele riu tanto que até sentou no chão frio e sujo.
Brian — É engraçada. Gosto disso. Está presa. Acorrentada. Pronta para ser usada por quem quiser. Eu te usaria também, mas fede a pobreza. Esses homens não ligam. São como animais. Bom, cada um com seus desejos não é mesmo Kaity Brown?
Kaity — Brian por favor... Eu imploro... Não faça isso.
Brian — Minha pobre menina. Está feito. Amanhã eu mando a caixa com a pílula, está bem? Se cuide. Preciso ir. Tenho coisas sérias para resolver. Mandarei lembranças suas ao Adam... Ou não. Quem sabe?
Brian saiu e fechou a porta. Kaity gritou desesperada. Aquilo não poderia estar acontecendo. Homens a usariam como se fosse um objeto. Isso era cruel. Criminoso. Mas o maldito estava certo. Como poderia se defender? Estava acorrentada.
Algumas horas depois o trinco da porta estalou novamente. Ela ouviu vozes. A luz se acendeu. Ela teve uma visão clara do porão em que estava. Era imundo. Fedia. As paredes escuras repletas de mofo.
Os homens apareceram. Eram três como Brian havia dito. Um deles deveria ter uns 70 anos. Era um homem magro, alto com os cabelos brancos. Muito bem vestido. Roupas de griffe. O outro tinha 40 anos provavelmente. Era gordo e careca. As roupas de griffe estavam apertadas, pois, eram no mínimo dois números abaixo do necessário. O último um garoto. Talvez fosse filho de um deles. Tinha no máximo 25 anos. Era jovem, bonito e bem sério. Parecia estar lá contra a vontade.
O mais velho disse que eles deveriam começar logo. Ignoravam completamente a mulher. Falavam entre si. Apenas o mais jovem olhava nos olhos de Kaity Brown.
O homem de meia idade disse ao mais velho que ele deveria começar pois acabaria mais rápido. O idoso então tirou a calça e avançou sobre Kaity. Ela gritou, esperneou e tentou se livrar de qualquer jeito mas foi em vão. Ele a penetrou. Não lubrificou. Apenas forçou até machucá-la. Acabou em 1 minuto.
O homem de meia-idade então avançou. Ele colocou um preservativo. Disse que não poderia arriscar engravidar a moça e perder o seu casamento. O mais velho riu e disse que esse não era um problema, pois já estava vasectomizado.
O segundo tambem penetrou em Kaity. Ela não tentou mais resistir. Era pior. Ela apenas se desligou. Pensava apenas em momentos bons com o seu filho. Esquecera daquilo. Aquele momento havia deixado de existir. Não demorou muito. Foi quatro minutos.
O mais novo não quis fazê-lo. Não na frente dos outros. Ele pediu que os senhores saíssem e os chamou pelo nome. O mais velho era Leonel e o outro, era Joel. Kaity sabia quem eles eram. Donos de um banco. Pai e filho. Membros da família Schneider. Alemães.
Os homens mais velhos então saíram reclamando e fecharam a porta. O mais novo não tirou a roupa. Ao contrário. Abriu a sua bolsa e tirou uma roupa para cobrir Kaity. Ela ainda estava em transe.
Ele a chamou, mas Kaity não ouvia. Estava desligada do mundo. Levou alguns instantes para ela escutar o que ele dizia. Ele se chamava Jean. Era filho do Joel. Herdeiro do Império bancário.
Jean — Ei, moça. Me desculpe não ajudá-la. Eu me odeio por isso, mas eu vou te ajudar a sair daqui.
Kaity então deu atenção ao jovem garoto.
Kaity — Se odiar não vai fazer o tempo voltar. Eles me feriram. Assistiu e não fez nada.
Jean — É mais complicado do que pensa. Mas eu cansei. Eu vou te ajudar a escapar. Vai fugir hoje. Mais tarde. O seu filho também está aqui. Lá em cima.
Kaity — Ele está bem?
Jean — Está sim. É um garoto esperto. Eu vou voltar aqui a meia-noite. Vai procurar a polícia e dizer tudo o que sabe. Quando esse caso estourar eu vou testemunhar ao seu favor e corroborar a sua versão.
Kaity — Como posso confiar em você?
Jean — Que escolha tem?
O homem mais velho voltou e perguntou se Jean acabara. O rapaz assentiu e o velho bateu nas suas costas como se isso fosse algo para se vangloriar. A porta se fechou e a luz se apagou.
Kaity chorou. Ela perguntou a Deus por que tinha que sofrer tanto apenas por ter pedido ajuda para salvar a vida do seu filho. Não conseguia entender. Era muita crueldade.
Mais tarde naquele mesmo dia a porta voltou a se abrir. Era Jean. Ele acendeu a luz e tirou as correntes de Kaity. Ele a fez prometer ficar em silêncio. Ela concordou. Ela vestiu-se e Jean ficou de costas.
Quando terminou ambos saíram. Subiram uma escada em caracol. Saíram em uma despensa grandiosa. Feita de mogno e com muitas provisões. Subiram mais escadas e chegaram a uma cozinha imensa. Parecia uma cozinha de filme. Uma ilha no meio gigantesca. Um fogão industrial. Duas geladeiras. Tudo em granito branco com janelas em vidro panorâmico com vista para um jardim digno do nome.
Eles saíram pela porta da cozinha e acessaram o jardim. Adam estava lá esperando. Kaity o abraçou bem forte. Beijou o filho que não entendeu muito bem o que estava acontecendo.
Jean — Não temos muito tempo. Pegue. É a chave de um dos carros. Ele não tem rastreador. Eu mesmo tirei. Vá até o endereço que está nesse papel.
Jean deu um papel para Kaity. Ela pegou e disse:
Kaity — O que há nesse endereço?
Jean — Um lugar para ficarem seguros. Esse celular é descartável. Tome. O meu número está salvo no atalho um. Quando chegar ligue-me. Preciso saber se chegou bem.
Kaity — Porque está me ajudando?
Jean — Parece ser uma boa pessoa. Quem a prendeu não é. Alguém precisa pará-los. Se não for eu quem vai ser?
Kaity então assentiu, pegou Adam no colo, entrou no carro. Um chevrolet Cruze. Pisou no acelerador e foi embora. Não olhou para trás. Seguiu o GPS para o endereço que Jean havia te dado. Era sua única chance. Não tinha para onde ir sem que o maldito Brian a encontrasse.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
Cleidilene Silva
eu estou horrorizada com a situação da keiti
2024-04-19
2
Denise Gonçalves das Dores
Que situação.😔
2024-03-10
1
Lua Cheia
Coitada da Kaity, tomara que seja verdade essa ajuda é não outra silada pra ela, afinal já sofreu demais já chega.
2024-01-02
0