Kaity dormiu muito mal. Passou a noite inteira pensando em qual decisão seria ideal. Pela manhã ela tomou café com Adam, colocou o filho na perua escolar e se arrumou para ir trabalhar.
Quando chegou na sede da Red Tower foi direto para a sua sala. Lá haviam papeis e um papel adesivo deixado com a seguinte mensagem: assine esses também por favor. Conto contigo. Att., B.A
Kaity não acreditava que teria que assinar mais papéis. Esses não eram de faturamento, mas relacionados ao programa de fundo de investimento da empresa na bolsa de valores. Tudo parecia estranho e não entendia por que deveria ter a sua assinatura naqueles papéis.
Ela procurou Eduardo Calazans e o chefe havia viajado para o México. Uma viagem de última hora. Então ela precisaria falar com Brian novamente. Ela esperou até as dez horas e subiu.
Brian não estava de bom humor. Ele continuava folheando papéis e falando sozinho. Era uma época de fechamento. Uma espécie de sangria anual. Ele ficava louco.
Kaity — Brian, pode falar?
Brian — Trouxe os papéis que deixei na sua sala ontem? Espero que tenha assinado.
Kaity — É sobre isso que eu queria falar.
Brian então levantou, foi até uma mesinha de canto que tinha algumas garrafas de bebidas e encheu um copo com uísque Double Black.
Brian — Não me diga que ainda está com dúvidas sobre os papéis. Kaity, é mais esperta do que isso. Apenas assine.
Kaity — Não me sinto confortável. São dados incorretos e não quero o meu nome envolvido nisso. Eu sei que me ajudou muito, mas não posso fazer mais isso.
Brian olhou Kaity dos pés a cabeça. Ele olhou ela de um jeito que parecia ter tirado um raio X da garota enquanto a olhava.
Brian — Sabe por que eu gostei de você?
Kaity — Não…
Brian — Por que era decidida. Iria até onde o seu braço não alcançasse. Faria o possível e impossível para chegar onde queria. Agora…
Kaity — Mas eu não mudei. Só não quero assinar esses papéis.
Brian — Esse é um dilema. Eu preciso entregar esses papéis hoje e a sua assinatura é indispensável. Não seja tola. Eu fiz-te gerente, Kaity. Mudei o seu salário. O seu filho, o Adam, está feliz com a nova vida?
Kaity — Eu sou muita grata pela sua ajuda. Mas não vou ser sua refém. Se for preciso então eu pedirei as minhas contas. Pode contratar alguém que aceite ser sua laranja.
Kaity não queria ter dito isto. As palavras escaparam a sua boca. Ela viu as atingirem o Brian em cheio que parecia ter ficado paralisado com o que ouvira. Na mesma hora ele sorriu. Um sorriso perigoso. Um sorriso cruel e cheio de maldade.
Brian — Kaity... Laranja? Não estamos fazendo nada ilegal. São manobras financeiras para entregarmos a margem. Sei que não tem graduação na área de economia, mas isso é o básico. Não seja estúpida. Além disso, pensa que pode pedir as contas como uma funcionária CLT comum? Agora tem um contrato com a Red Tower com dez anos de duração. A sua multa rescisória é de R$ 600 mil. Dispõem dessa quantia Kaity?
Kaity ficou paralisada. Não sabia dessa multa ou que o seu regime de contratação havia mudado. Ela não poderia sair. Estava nas mãos da Red Tower. Ou seja, nas mãos do Brian Ashford.
Brian — O que foi? O gato comeu a sua língua? Não sabia dessas mudanças? Eu não faço nada sem as minhas garantias, Kaity. Você esta no caminho certo aqui dentro. Vai se arriscar a voltar a ser uma ninguém? O seu filho merece o que está vivendo. Apenas assine os papéis e ponto.
Kaity — E-e-eu vou assinar. Só estava preocupada. Dividi isso com minha amiga Sueli. Nos achamos estranho.
Brian — Ótimo, Kaity. Mas voce pede conselhos profissionais para sua amiga? Estranho. Ela não deve entender nada disso aqui. Ela também sugeriu que você pedisse pra sair?
Kaity — Ela é como uma mãe. Pediu que eu saisse preocupada comigo, mas eu já entendi. Não vou criar problemas para você.
Brian — Curioso. Bom, assine e tudo ficará bem. desculpe-me pelo meu jeito. As vezes precisamos ser duros do contrário não aprendem.
Kaity então assinou os papéis e saiu. Foi direto para o banheiro chorar. Se lembrou do Otávio e percebeu que os insultos dele não eram nada perto do que escutara de Brian Ashford.
Kaity terminou o seu expediente e foi embora para casa. Passou já casa da Sueli e pegou Adam. Não conversou com a amiga aquela noite. Não queria preocupar ela com mais informações soltas do trabalho. Nem conseguia entender por que falou da amiga com o CEO. Talvez para tirar a culpa das suas costas.
Durante a madrugada Kaity ouviu barulhos estranhos vindos do apartamento da Sueli. A amiga morava sozinha, mas havia recentemente conhecido um cara na igreja. Talvez fosse ele fazendo uma visita noturna. Ela sabia que Sueli estava louca para transar, mas a religião não permitia antes do casamento.
Na manhã seguinte ela seguiu o mesmo ritual. Tomou café com Adam e levou ele até a perua. Se banhou e depois foi até a casa da amiga. Sueli costumava acordar bem cedo. Mas mesmo após Kaity bater na porta diversas vezes ninguém abriu. Ela espiou pela janela e parecia que Sueli estava em casa.
Ela ficou preocupada. Não sabia o motivo, mas algo parecia errado. Ela bateu mais forte. Ligou no telefone residencial da amiga e no celular. Ambos tocaram no apartamento. Ela então chamou o vizinho. Senhor Carlos. Um homem forte. Explicou a situação e ele arrombou a porta.
Eles sentiram um cheiro muito forte de gás de cozinha GLP. Ele correu com a camisa cobrindo o nariz e boca e desligou o gás. A mangueira estava rasgada e isso fez com que o gás se espalhasse pelo apartamento. Sueli estava na cama. Deitada. Imóvel.
Eles ligaram para os bombeiros que chegaram rápido. Os bombeiros avaliaram a situação e declararam que não havia risco de explosão, mas a vida de Sueli tinha se perdido. A amiga e confidente de Kaity estava morta. Sufocada pelo gás.
A polícia também chegou ao local. Fizeram dezenas de perguntas a Kaity e ela contou sobre os barulhos a noite, mas não tinha nada de concreto para contribuir com a investigação.
Os bombeiros disseram que aquele tipo de corte na mangueira poderia ser causada pelo tempo e falta de manutenção do produto. Kaity sabia que Sueli era cuidadosa. Não era uma mulher relaxada. Tudo parecia estranho demais. Eles também falaram em suicídio.
Apenas uma coisa estava certa. Sueli partira e Kaity agora estava sozinha novamente. Apenas com Adam. Sem amiga. Sem família. Somente a dor e o desespero.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
Cleidilene Silva
será que foi Brian?
2024-04-19
2
Denise Gonçalves das Dores
Nossa!!! Que maldade.😔
2024-03-10
1
Doraci Bahr
que horror esse CEO é destruidor
2024-01-14
0