Capítulo Quatro

São Paulo, 2 de Abril de 2023

kaity havia chegado ao trabalho no horário correto. Fez a sua marcação às 09h em ponto. O seu supervisor, Otávio já estava na sua mesa trabalhando. Ela precisava dizer que se ausentaria no dia sete, pois teria que levar o Adam para a consulta.

Kaity — Senhor Otávio, posso falar um instante?

Otávio — Senhorita Kaity, resolveu vir trabalhar? Pensei que saiu da Red Tower.

Kaity — Não senhor. Como eu disse na semana passada, o meu filho está doente. Ele teve alta, mas ainda vai precisar de fazer alguns exames. No dia sete eu terei que levá-lo a uma consulta de manhã. Nesse dia eu posso vir mais tarde?

Otávio — Senhorita, me preocupa que tenha se acostumado a se ausentar ou entrar no horário que bem quer. Essa é uma empresa séria. Sabe disso, não é?

Kaity — Não senhor. Essa é realmente uma situação bem complicada. Somos apenas eu e ele. Eu não quero prejudicar o senhor ou a Red, mas não tenho ninguém.

Otávio — Está bem. Se não tem o que fazer, venha mais tarde e cumpra a carga horária. Francamente não sei porque essa empresa insiste em contratar mulheres. Pode ir se sentar, senhorita. Tem muito trabalho acumulado.

Kaity foi até a sua mesa, mas não aguentou e foi até o banheiro. As lágrimas na escorriam do rosto. Ela não aguentava o comportamento do supervisor. O filho estava doente e mesmo assim ele só se preocupava em ser arrogante e egoísta.

Ela estava lavando o rosto quando uma mulher entrou. Era uma senhora de meia-idade. Parecia ter alguma influência na empresa pelo jeito que falava ao telefone. Ela olhou para Kaity, dispensou quem quer que fosse ao telefone e perguntou se a moça estava bem.

Kaity — Estou sim. Só estou lavando o rosto. Obrigada por perguntar.

Evelyn Gallant — Eu sou Evelyn. Gerente da área de chamados On Demand. Você é da minha área, não é?

Kaity — Sim, senhora. Me chamo Kaity Brown. Sou analista de sistemas. Atendo aos chamados.

Evelyn — Não me diga ser da equipe do Otávio. O seu choro não tem relação com o tratamento dele com vocês, não é?

Kaity — Não senhora. Eu estou bem.

Evelyn — Certo, Kaity. Nós mulheres somos o menor volume nessa empresa, então precisamos estar sempre juntas, entendeu? Não hesite em me procurar se algo acontecer.

Kaity não iria maldizer o supervisor. Ela sabia que isso poderia causar problemas e não era o melhor momento para isso. Nada era mais importante do que a cura do Adam. Até o Otávio era um problema pequeno.

O expediente enfim se encerrou. Kaity estava muito cansada. Ela chegou em casa tarde e o Adam já estava dormindo. A Sueli disse que ele passou o dia bem, mas estava cansado e sem fome.

Os dias seguintes não foram diferentes. Ao contrário. Se tornaram ainda mais pesados. O supervisor Otávio estava se transformando num carrasco, mas ela precisava segurar a emoção. Qualquer passo em falso colocaria em risco seu trabalho.

São Paulo, 7 de Abril de 2023

Enfim o dia da consulta do Adam chegou. Ele não estava bem. Estava muito fraco e Kaity teve que carregar o garoto no colo. A sua amiga Sueli a acompanhou, pois, ela traria o Adam para casa.

Eles chegaram bem cedo. O horário da consulta era as 09h e neste horário o médico já havia chamado o Adam para a consulta.

Dr. Juan — Olá Senhorita Kaity. Olá Adam. Como ele esteve durante esses dias?

Kaity — Ele não está muito bem. Está muito desanimado doutor. Cansado e sem força.

Dr. Juan — Esse é o reflexo do problema. Mas iremos iniciar o tratamento. Eu estudei o caso do Adam e a primeira linha de tratamento será a quimioterapia.

Kaity — Doutor, como isso funciona?

Dr. Juan — Usaremos medicamentos que vão combater as células cancerígenas. Esse é o primeiro passo. Farei três sessões por semana.

Kaity — Mas quais os riscos?

Dr. Juan — Os riscos são muito baixos, mas o maior impacto são os efeitos colaterais.

Kaity — Quais são os efeitos? Ele vai sofrer?

Dr. Juan — São sintomas ruins que podem dificultar o dia a dia do Adam. Queda de cabelo, diarreia, feridas na boca, náuseas e vômitos, pele sensível…

Kaity — Ai Jesus...Não existe um tratamento mais leve?

Dr. Juan — Eu serei objetivo. Esse é o tratamento convencional. Seguro e funciona. Mas, existe um tratamento alternativo que não cobrimos. Na verdade, eu faço, mas no meu consultório particular. É um novo remédio. Um avanço tecnológico. Mas custa bem caro.

Kaity — Mas como funciona?

Dr. Juan — Bom, é um medicamento único usado e tem alta hipótese de curar o câncer. A taxa de reversão é de 98%. Extremamente alta.

Kaity — Mas é aprovado pela Anvisa? Eu nem conhecia isso. Quanto custa?

Dr. Juan — Sim, claro, é aprovado. Mas não fazemos pelo SUS. Custa R$ 300 mil.

Kaity — Meu Deus! É um absurdo. Eu não tenho esse dinheiro, doutor. Ele não iria sofrer?

Dr. Juan — Não. Não iria sofrer nada. A cura é garantida. Mas infelizmente é um procedimento caríssimo. O remédio é importado.

Kaity — Jesus! Eu não sei... Não tenho de onde tirar esse dinheiro.

Dr. Juan — A escolha é da senhora. Se optar pela quimioterapia iniciamos na próxima semana. 80% de oportunidade de cura. É doloroso, mas funciona. Se optar pelo tratamento alternativo, poderíamos fazer hoje.

Kaity — Eu vou ter que pensar. Irei tentar fazer esse dinheiro. Eu posso te ligar se conseguir?

Dr. Juan — É claro. Tem o meu telefone. Se precisar de qualquer coisa me avisa. Sobre a química irei deixar agendado para a semana que vem. Se fizer o tratamento antes e só desmarcar.

Kaity então agradeceu o doutor Juan e deixou o consultório. O Adam estava calado há alguns dias. Estava bastante abatido. Ele retornou para casa com a Sueli e Kaity foi trabalhar.

Ela ficou pensativa. Queria fazer o tratamento alternativo, mas não tinha o dinheiro. Morava de aluguel, o seu carro valia no máximo R$ 10 mil. Não tinha nada em conta. Ela mal conseguiu trabalhar.

Quando chegou em casa explicou tudo o que o médico havia dito para sua amiga Sueli. A vizinha ficou muito chateada.

Sueli — Meu Deus! Precisamos arrumar esse dinheiro. Eu tenho umas economias. Penso que chega a uns R$ 5 mil.

Kaity — Não posso aceitar Su. Podemos fazer uma Vakinha Online. Isso talvez ajude. Divulgar em redes sociais. Talvez chegue.

Sueli — Eu não estou pedindo sua autorização, Kaity. Eu vou doar. O meu menino vai ser curado rapidamente. A quimioterapia judia muito.

Kaity — Ai amiga, muito obrigada. Nem sei como lhe agradecer. Eu vou vender o meu carro. E ver se o banco me libera algum empréstimo. Talvez funcione. Mas tenho que ser rápida. A doença não espera e o Adam também não.

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Comments

Doraci Bahr

Doraci Bahr

porque não fala com a gerente da empresa

2024-01-14

1

Maria Isabel

Maria Isabel

Aí e pensar que tem muita gente nessa situação

2024-01-13

1

ARMINDA

ARMINDA

NOSSA KAITY VAI CONSEGUIR ESTE DINHEIRO COM QUEM . MESMO VENDENFO TUDO NÃO VAI CHEGAR A METADA. DO QUE PRECISA. 😮‍💨😮‍💨😮‍💨😮‍💨😮‍💨😮‍💨

2023-12-23

1

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