Capítulo Dois

Kaity chegou na casa de sua amiga Sueli por volta de meio-dia e cinquenta. Levou algum tempo, mas enfim poderia ver o pequeno Adam.

Ele está na companhia da sua vizinha Sueli. Uma senhora com os cabelos grisalhos de aproximadamente 45 anos.

Kaity — Oi Su, como ele está?

Sueli — Ah! Kay. Ele está bem. Eu tinha algumas coisas dele aqui em casa, dei um banho nele e ele adormeceu. Não quis comer.

Kaity — Muito obrigada, Su! Nem sei como lhe agradecer. Eu vou acordar ele. Levarei o Adam ao médico.

Sueli — Imagina! Não tem que me agradecer, querida. Eu adoro vocês. O Adam tem um lugar especial no meu coração. Leva ele ao médico e não esqueça de me avisar, está bem? Mas se Deus quiser não será nada sério.

Kaity então a abraçou. Era a única pessoa com quem podia contar. Ela nunca conheceu o seu pai e a sua mãe morrera há quatro anos, vítima de uma leucemia.

Ela acordou o pequeno Adam que ainda estava sonolento, o pegou no colo e o levou ao hospital Santa Marcelina. Ela realizou abertura da ficha e logo em seguida foi chamada para realização do acolhimento.

Adam havia acordado. Seria mais fácil para a enfermeira fazer algumas perguntas sobre o que o garoto estava sentindo.

Enfermeira — Oi! garotão, o que você esta sentindo?

Adam — Eu estou cansado. Hoje meu nariz sangrou na escola. Um montão. Sujou toda a minha roupa, sabia?

Enfermeira — Sério? Com certeza não deve ser nada de mais. Mamãe, os sinais dele estão bons. Só a temperatura dele que está um pouco elevada. 37 °C não chega a ser febre. Mas vale passar com o médico mesmo assim, está bem?

Kaity — Está ótimo. Sabe me dizer se demora muito?

Enfermeira — Hoje está rápido. Temos cinco pediatras atendendo. Logo será atendida.

Kaity agradeceu e foi até a sala de espera em frente aos consultórios. Em dez minutos Adam foi chamado no consultório 16.

Quando eles entraram foram recebidos por uma médica gentil e doce. Era uma senhora com aproximadamente 60 anos.

Médica — Bom dia! Eu sou a doutora Dulce Maria. O que trouxe vocês aqui hoje?

Kaity — Bom dia, doutora. Ele hoje teve um sangramento nasal na escola, foi bem grave. Depois disso ele não quis mais comer nada e está se sentindo cansado.

Médica — Certo. Os sinais dele estão bons. A temperatura está em 37° C, mas até então sem problemas. Eu vou pedir para esse garoto lindo se deitar ali naquela maca para eu avalia-lo. Mamãe você o ajuda, por favor?

Kaity então colocou Adam na maca conforme as instruções da médica. A doutora Dulce avaliou o Adam e pediu que ele se sentasse.

Médica — Bom, ele está com alguns gânglios aumentados aqui no pescoço se você reparar. Isso pode representar alguma infecção que o corpo está enfrentando. Eu vou pedir um exame de sangue para entendermos o que tem aí incomodando ele, está bem?

Kaity — Tudo bem. Essa infecção pode ser grave?

Médica — Só vamos saber com o que estamos lidando com os resultados do exame. Mas não se preocupe. Um passo de cada vez. O resultado geralmente demora algumas horas para sair, mas assim que estiver com ele em mãos é só voltar aqui comigo.

Kaity então agradeceu a doutora Dulce e foi até a sala da coleta com a guia em mãos. Adam não sofria para tirar sangue. Não chorava. Era sempre muito simples e fácil. Eles fizeram a coleta e ela levou aproximadamente quatro horas para gerar o resultado.

Com o envelope em mãos ela retornou à sala da doutora Dulce que os recebeu prontamente. Pegou o envelope com a Kaity e leu o resultado com uma seriedade no rosto. Ela poderia estar com uma máscara de tão imóvel.

Médica — Bom, senhorita Kaity. Há algo no exame que me deixou em alerta. Há uma severa redução nos glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Isso é preocupante, mas com esse hemograma eu não posso fazer um diagnóstico fechado.

Kaity — Meu Deus! Mas o que isso significa? Ele tem algo grave?

Médica — Eu vou ser direta. Há algum caso de câncer na sua família? Isso certamente nos ajuda a compor um cenário.

Kaity — Minha mãe. Ela faleceu há quatro anos com leucemia. Eu não acompanhei de perto, pois ela morava em Portugal.

Médica — Certo. Não vamos nos precipitar, está bem? Irei pedir um Mielograma. É um exame delicado, mas que certamente vai nos trazer um resultado certeiro.

Kaity — Como isso funciona, doutora?

Médica — Iremos realizar uma punção aspirativa na medula óssea do Adam. Aplicaremos um anestésico local para reduzir o incômodo. Faremos essa punção na Tíbia. Na sequência iremos enviar a amostra para o laboratório que vai nos apresentar um diagnóstico.

Kaity — Meu Deus! doutora. O meu filho vai ficar bem?

Médica — Senhorita Kaity, nesse momento nos precisamos entender o que esta afetando o Adam. Após o resultado tomaremos os caminhos mais corretos para ele ficar bem.

Então a médica contou com o apoio de um colega hematologista, enfermeiros e auxiliares para realização da coleta para o exame. Adam colaborou. Precisou apenas da anestesia local. Kaity mesmo muito nervosa e preocupada se manteve firme para dar suporte ao filho.

O exame foi colhido e enviado para avaliação. A doutora Dulce pediu a internação do pequeno Adam enquanto o resultado não era fornecido pelo laboratório. Isso para ele ter atendimento rápido em caso de novos sangramento nasais e fosse alimentado por sonda em caso de falta de apetite.

O resultado saiu em sete dias. Durante esse período a jovem Kaity teve que ficar afastada do trabalho. Deixou Adam apenas um dia, acompanhado pela sua amiga Sueli, para ir até o serviço apresentar o atestado do filho ao supervisor Otávio. Ele não ficou feliz.

A doutora Dulce entrou na quarto do Adam acompanhada por outro médico. Ele identificou-se como Juan Carlos Rueda.

Médica — Senhorita Kaity, o resultado chegou. Eu e o meu colega Juan já avaliamos. Eu vou pedir que o doutor Juan te explique a situação, está bem?

Kaity — O que o meu filho tem, doutor?

Médico — Bom, preciso ser direto com a senhora. O resultado foi positivo para Leucemia Linfócítica Aguda. É um tipo comum de câncer que afeta crianças.

Kaity — O quê? O meu filho está com câncer? Aí meu Deus, o meu filho está com câncer?

Essa notícia destruiu a Kaity. O mundo nesse momento havia parado. Ela não conseguia mais ouvir o que o médico dizia. Não conseguia mais enxergar nada ao seu redor. O mundo ficou cinzento. O seu filho estava doente e poderia morrer igual a sua mãe.

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Comments

Cleidilene Silva

Cleidilene Silva

misericórdia senhor, que tristeza para uma mãe 😭

2024-04-19

1

Solange Araujo

Solange Araujo

gente isso é muito sério, vivi isso e dói demais parece ,que vc morre um pouquinho todo dia , mais a fé é a CURA ..

2023-12-23

0

Ivana Ramos

Ivana Ramos

tadinha da Kate e do filho

2023-12-23

0

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