Boas-vindas

                        🦅 Capítulo 8 🦅

A sala de operações estava impregnada com um silêncio tenso, marcado pelo som monótono das teclas sendo pressionadas e o farfalhar das folhas espalhadas sobre a mesa. A investigação sobre a morte de Hazana se arrastava sem grandes avanços, e a pressão sobre a equipe começava a se tornar pesada. A Equipe ainda era apenas um esboço no papel, Quando o Major decidiu que: Apollo lideraria a Equipe.

Os detetives, visivelmente cansados, trabalhavam mecanicamente, como se os dias intermináveis de busca e análise tivessem drenado toda sua energia. Mas para Apollo, aquele ambiente não era apenas o reflexo do cansaço. Ele via ali uma falta de comprometimento, uma negligência que não poderia ser ignorada.

Ele observou os membros da equipe de maneira quase impessoal, os olhos percorrendo cada um deles. Sua impaciência crescia com cada segundo que passava em silêncio, até que não pôde mais conter a frustração que fervia dentro dele.

Levantou-se de sua cadeira com uma decisão firme, a postura rígida e os ombros tensos, como se preparasse para enfrentar uma batalha que não podia mais adiar.

— Eu me recuso a assistir a isso por mais um segundo.

A voz de Apollo cortou o silêncio, firme, carregada de autoridade inquestionável. Não era um aviso. Era um julgamento.

Os detetives pararam, os olhares antes dispersos agora fixos nele. Alguns, surpresos. Outros, exaustos. Mas todos sentiam o peso do que estava por vir.

— Se vocês são uma equipe de elite, então ajam como tal.

A sala ficou mais fria. O cansaço, a hesitação, a complacência — nada disso tinha espaço ali. Apollo deu um passo à frente, o olhar severo varrendo cada um deles, sem pressa, sem piedade.

— O que estou vendo aqui não é trabalho de uma equipe de elite — sua voz desceu uma oitava, mas a intensidade só aumentou. — Estamos lidando com a morte de Hazana. Isso não é apenas mais um caso, não é apenas mais um relatório que vocês vão arquivar.

Ele se inclinou ligeiramente, sem precisar elevar a voz para esmagá-los com o peso de suas palavras.

— Isso é uma missão. E se algum de vocês ainda enxerga isso como apenas mais um trabalho, então não passa de um figurante em um teatro de incompetentes.

O silêncio que se seguiu foi denso, quase opressor. Cada palavra de Apollo se enraizou nas mentes de seus colegas, os forçando a se confrontarem com a falta de empenho que ele acreditava ver. Mas foi então que um dos detetives, cansado e frustrado, finalmente se levantou.

Seu olhar estava em conflito, uma mistura de resistência e exaustão, mas ele não recuou. Ele sabia que precisava falar, precisava expor o que todos estavam sentindo, mas que ninguém tinha coragem de dizer.

— Não estamos sendo desleixados, Senhor.

A voz do detetive soou tensa, os músculos do maxilar rígidos, a frustração se infiltrando em cada palavra. — Estamos apenas exaustos. Não temos a sua energia. Mas isso não significa que não estamos dando o nosso melhor. Não significa que não nos importamos. você só não vê isso. nunca vê.

Apollo permaneceu imóvel, seus olhos frios, impenetráveis. O silêncio que veio depois foi pior do que qualquer resposta. O detetive esperava uma reação — talvez uma explosão, talvez um argumento afiado como sempre. Mas não. Nada. Apenas aquele olhar que parecia atravessar sua pele, julgando, analisando.

E aquilo doeu.

Porque, lá no fundo, uma dúvida começou a crescer em seu peito. E se ele estiver certo?

Mas o detetive não recuou. Ele deixou a irritação transbordar, a raiva, a frustração acumulada por tanto tempo.

— O problema, Senhor, é que você nunca para! Você vive para isso, como se o resto do mundo não existisse! Como espera que acompanhemos esse ritmo? Como espera que pensemos com clareza se nunca temos um segundo para respirar?

A voz dele tremia, mas não de medo. Era cansaço. Era raiva.

— Não se trata apenas de ser bom no que fazemos. Se trata de sermos humanos. Você acha que sua raiva, sua obsessão, não nos afeta? Você acha que nos tornar como você é a resposta? O que você está tentando fazer? Nos matar de exaustão?

As palavras ecoaram por um momento na mente de Apollo. O que ele estava ouvindo agora parecia mais um espelho, refletindo algo que ele mesmo havia ignorado.

Os dias haviam passado, arrastando-se como uma tempestade sem trégua. Apollo assumira os relatórios da missão com uma obstinação feroz, consumindo-se em cada detalhe, cada linha de informação, como se a verdade estivesse escondida entre as páginas. O descanso tornara-se um conceito distante para ele — e, por extensão, para todos ao seu redor.

Os agentes designados para ajudá-lo sentiram-se compelidos a seguir seu ritmo implacável. Eles tentaram. Tentaram acompanhar. Mas havia uma diferença cruel entre a energia deles e a de Apollo. O peso sobre seus ombros era humano, enquanto o dele parecia movido por algo mais profundo, mais inumano.

Mesmo com o revezamento estabelecido, Apollo se recusava a ceder. Quando chegava a hora de trocar, ele apenas acenava com a cabeça e continuava, sua presença, constante imutável. Assim, aqueles que ficavam ao seu lado não tinham escolha a não ser permanecer também.

O escritório tornou-se um túmulo de vozes abafadas e corpos exaustos. O som incessante de papéis sendo virados, o clique monótono dos teclados e o ruído de café sendo despejado em copos descartáveis preenchiam o ar. Olhares se cruzavam, cheios de cansaço e frustração, mas ninguém ousava desafiar Apollo.

Por um breve momento, ele fechou os olhos. A escuridão era um alívio inesperado, um refúgio temporário do caos que ele mesmo ajudara a criar. Mas sua mente não lhe dava descanso. A dúvida se infiltrou como um veneno sutil.

Talvez ele tivesse razão.

O pensamento veio afiado, cortando através do ruído de sua mente. Talvez seja isso. O excesso de trabalho. A raiva que nunca cessa. A necessidade obsessiva de manter tudo sob controle.

Seus dedos apertaram a caneta com mais força. A verdade era amarga. Se continuasse assim, em que momento ele deixaria de ser uma força impulsionadora e se tornaria o próprio peso que esmagava a equipe?

Os outros na sala estavam em silêncio agora, aguardando sua reação. O detetive que havia falado se preparava para a retaliação, mas Apollo, surpreendentemente, não respondeu com hostilidade. Em vez disso, ele disse, quase como um suspiro:

— Talvez você tenha razão. — A dureza habitual havia se dissipado um pouco, mas logo ele acrescentou, retomando parte de sua postura firme: — Mas não atrapalhem aqueles que ainda estão tentando trabalhar.

A sala permaneceu em um torpor estranho. Aquela resposta não era típica dele. Apollo era conhecido por sua rigidez, pelo profissionalismo inflexível, e muitos esperavam uma repreensão severa em vez de uma concessão.

Foi então que o Major, que até então se mantivera em silêncio, decidiu intervir. Com uma postura impecável. ele permitiu que sua voz ressoasse no ambiente, dissipando a tensão restante.

— Apollo tem razão — começou, sua voz autoritária, porém carregada de uma preocupação inesperada. — Mas todos nós também precisamos de um tempo. O trabalho tem sido árduo, e nenhum de nós pode continuar assim por muito tempo sem sentir as consequências.

Os detetives trocaram olhares incertos, alguns expressando surpresa, outros alívio. O Major manteve-se firme, seu tom agora mais brando, mas ainda impregnado de seriedade.

— Precisamos de uma pausa para manter a clareza e a eficiência. É por isso que tomamos uma decisão. Todos terão uma folga esta semana. E mais do que isso, inscrevi nossos nomes para a festa de boas-vindas da vizinhança.

O anúncio gerou um burburinho imediato. O Major ergueu a mão, silenciando qualquer questionamento antes que ele surgisse.

— Será uma oportunidade para relaxarmos, para mantermos as aparências e, mais importante, para nos conhecermos melhor. Como equipe, a confiança entre nós é essencial. E confiança não nasce apenas do trabalho, mas da compreensão de quem somos além dele.

O silêncio retornou, mas agora era diferente. Havia reflexão nos rostos ao redor.

Apollo, por sua vez, permaneceu calado. Seu olhar distante traía o turbilhão interno que ele jamais admitiria em voz alta. Ele não queria ir a essa festa. Não queria interagir com ninguém. A simples ideia de se expor dessa forma o incomodava mais do que qualquer missão difícil que já enfrentara.

"Ninguém gostaria de conhecer alguém como eu".

Pensou, sentindo a amargura e a solidão se entrelaçarem em sua mente.

Ainda assim, não contestou. Apenas se recolheu ao seu silêncio, sabendo que, por trás dessa decisão, havia algo muito maior em jogo do que apenas sua vontade.

Mais tarde, o carro dos detetives deslizou pela estrada de terra, levantando uma leve poeira dourada sob as luzes quentes dos postes espaçados. Ao longe, a casa do anfitrião brilhava como um farol acolhedor, janelas iluminadas derramando vida sobre o gramado. O som distante de risadas e música já anunciava a animação antes mesmo de chegarem à entrada.

Assim que estacionaram, a porta da frente se abriu, revelando um grupo de vizinhos sorridentes. Um homem alto e corpulento, vestindo um avental de churrasqueiro, ergueu um copo em saudação.

— Finalmente chegaram! Entrem, a festa já estava ficando boa, mas agora vai ficar melhor!

O aroma de carne grelhada misturava-se ao perfume adocicado das flores no jardim, criando uma atmosfera confortável e convidativa. Uma mulher de cabelos grisalhos e olhos gentis estendeu a mão para um dos detetives.

— Vocês são os convidados de honra hoje! Todo mundo estava curioso para conhecê-los.

Ao cruzarem a soleira, foram envolvidos por um calor familiar. A decoração simples, mas charmosa, trazia uma sensação de lar. Em uma mesa no canto, um bolo caseiro dividia espaço com pratos coloridos e taças tilintando em brindes alegres.

A recepção era genuína, sem segundas intenções, apenas a alegria pura de dar boas-vindas a novos rostos. Naquele momento, mesmo acostumados a enxergar o mundo com desconfiança, os detetives permitiram-se relaxar—pelo menos um pouco.

A casa estava iluminada por luzes amareladas e guirlandas improvisadas. O aroma de comida caseira se misturava ao som animado das conversas, risadas e da música tocando ao fundo. Era uma festa simples, organizada pelos moradores como uma forma de recepcionar os recém-chegados. Naquele bairro, as pessoas se ajudavam, e essa era uma tradição que reforçava os laços entre todos.

A sala estava repleta de vizinhos sorridentes e acolhedores. Algumas mulheres demonstravam interesse imediato nos novos visitantes, e Apollo logo percebeu que estava chamando atenção demais. Ele sentiu os olhares discretos, os sorrisos direcionados e os risinhos abafados quando passava.Não gostava de ser o centro das atenções, muito menos por esse motivo. Mas decidiu ignorar por enquanto.

Xavier, por outro lado, parecia completamente à vontade. Cercado por um grupo de mulheres, sorria e conversava com naturalidade. Ele sempre teve esse magnetismo social, aquela facilidade irritante de se adaptar a qualquer ambiente.

Marco, por sua vez, estava sendo bajulado por algumas senhoras da vizinhança que o consideravam “adorável”. Ele, como bom amante de doces, aceitou de bom grado cada guloseima que lhe ofereciam, sem sequer tentar esconder a felicidade.

No meio de toda a movimentação, o Major — ou, como era conhecido na vizinhança, Sr. Rubens — chamou a atenção de todos ao compartilhar um pouco de sua história. Ele contou como, após a morte da esposa, criou sozinho seus oito filhos, com a ajuda de vizinhos e amigos. Sua voz era firme, mas carregava a nostalgia de quem já havia enfrentado muitos desafios. "Puro teatro

— Meu filho mais velho sempre foi o mais sério — ele continuou, apontando discretamente para Apollo, que endureceu no lugar. — Desde pequeno, ajudava no que podia. Sempre comprometido, sempre responsável.

O comentário fez com que as mulheres que já estavam interessadas em Apollo ficassem ainda mais intrigadas. Afinal, um homem sério e reservado era sempre um desafio tentador.

— Romance difícil é sempre mais interessante, não acham? — uma delas murmurou, rindo com cumplicidade para as outras.

Apollo se surpreende com a facilidade de atuação de seu avô.

Com um suspiro discreto, ele saiu da casa comunitária e foi para a praça em frente, onde as luzes da festa perdiam um pouco da intensidade. O vento noturno trouxe um alívio momentâneo enquanto ele cruzava os braços, observando as crianças correndo e as pessoas se divertindo diante da casa.

Mais um suspiro.

Ele não pertencia àquele ambiente.

Marco percebeu sua saída e, curioso, decidiu segui-lo. Distraiu as meninas que o cercavam e, com um sorriso travesso, aproximou-se de Apollo.

— Então... você não está gostando da atenção das garotas? — provocou, encostando-se ao banco ao lado dele.

Apollo não respondeu.

— Quero dizer, elas são bonitas — Marco continuou, fingindo reflexão. — E claramente gostaram de você.

Silêncio.

Marco bufou, revirando os olhos.

— Você é difícil demais.

Ainda assim, ao olhar para Apollo, percebeu algo além daquela fachada. Havia uma sombra ali, uma tristeza silenciosa que ninguém parecia notar. Um peso invisível que ele carregava sozinho. Marco, que sempre teve uma vida mais leve, nunca enfrentou dificuldades comparáveis. Mas ele admirava Apollo. Não de forma romântica, mas pelo que ele era.

Sua postura impecável, sua precisão nos tiros, sua agilidade — Apollo era um soldado extraordinário.

Sem dizer mais nada, Marco apenas ficou ao lado dele, em forma de apoio discreto, mesmo que Apollo não perceba.

Marco havia se perdido em seus próprios pensamentos.

E o capitão estranhou a quietude repentina. Quando se virou, viu Marco com uma expressão incomumente séria. Algo nele parecia distante, contemplativo. Aquilo o incomodou.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Thaddeus apareceu com um sorriso malicioso.

— O que foi, Marco? Você parece ainda menor ao lado de Apollo.

Marco arregalou os olhos, indignado.

— Você quer brigar?!

Thaddeus riu e saiu correndo. Marco não hesitou em persegui-lo, desviando das pessoas, enquanto isso os convidados riam da cena. Pareciam até dois irmãos brigando.

Apollo ficou para trás, observando a movimentação. Os risos, a música, as luzes piscantes. Todos estavam imersos no momento, vivendo, aproveitando.

Ele não conseguia.

Sua mente estava em outro lugar. A morte de Hazana, a investigação sem respostas...

— Não vai relaxar um pouco?

A voz grave e familiar o trouxe de volta. Ele se virou e encontrou o Major parado ao seu lado.

— Você está sempre assim, sério demais. Não faz mal sorrir, sabia? O mundo não é seu inimigo.

Ele desviou o olhar.

— Ser vulnerável nunca me trouxe nada além de problemas — respondeu friamente. — As pessoas não gostam dos problemas dos outros. Elas usam isso contra você na primeira oportunidade.

O Major suspirou, apoiando o braço no ombro dele.

Do outro lado da janela, Xavier observava a cena, imóvel, ouvindo cada palavra.

O silêncio entre Apollo e o Major se prolongou brevemente, apenas interrompido pelo som da festa ao fundo. O velho soldado já esperava essa resposta. Conhecia Apollo bem demais para isso.

— Você é um homem forte, Apollo. Mas até os mais fortes precisam descansar. — Sua voz era calma, mas carregava um peso que fazia as palavras soarem como um conselho paternal.

Ele apenas assentiu de leve, um gesto quase imperceptível.

O Major  deu um leve tapinha em seu ombro antes de voltar para a festa. E Apollo permaneceu ali por alguns minutos, observando as luzes, os sorrisos e o mundo que parecia tão distante de sua realidade.

Ser vulnerável nunca trouxe nada além de problemas. Alguém sempre aproveita para enfiar a lâmina em suas costas. As pessoas não querem lidar com a dor alheia; elas a observam como um espectador assiste a um incêndio—com um misto de fascínio e distância segura, prontos para correr se as chamas chegarem perto demais.

Apollo aprendeu à força, que abrir o coração é como entregar uma arma carregada e torcer para que não apertem o gatilho. E eles sempre apertam. Não por maldade explícita, talvez, mas por descuido, por egoísmo, por aquela impaciência silenciosa que diz:

"Seus problemas não são meus."

E quando chega o momento certo—quando estão encurralados, feridos ou simplesmente entediados—eles usam o que você revelou contra você.

As palavras que saíram da sua boca em um momento de confiança voltam para você, distorcidas, redesenhadas para servir ao propósito de quem as segura. E você fica ali, paralisado, tentando entender onde errou, por que acreditou que dessa vez seria diferente.

A verdade é que vulnerabilidade não inspira compaixão. Ela gera incômodo, revela verdades que ninguém quer enfrentar, e, acima de tudo, oferece uma vantagem a quem sabe usá-la. Então, o coração de Apollo se fechou. Não por frieza, mas por sobrevivência. Porque um dia já foi ingênuo antes. E pagou o preço.

E é estranho como, quanto mais você se fecha, mais as pessoas te pressionam para abrir. Como se, por alguma razão, a sua reserva fosse um desafio a ser concluído. Elas não entendem que, quando você constrói muros, não está apenas se protegendo, mas também testando a disposição delas. Porque, no fundo, o que mais o assusta não é a dor, mas a traição. Não o sofrimento imediato, mas o lento processo de desilusão, a sensação de ser usado e descartado.

O mundo exige que você se entregue, que se exponha, que seja "genuíno". Mas, na prática, ser genuíno é dar a alguém a oportunidade de te ferir sem nem mesmo perceber. Quando você entrega uma parte de si, a expectativa não é de encontrar compreensão, mas apenas a confirmação de que a vulnerabilidade pode ser perigosa, que o mundo não está pronto para lidar com o que você carrega.

E, no fim, você se dá conta de que a maioria das pessoas só quer uma versão de você que seja conveniente para elas. Elas não querem lidar com os pedaços quebrados, com as sombras que você carrega. Só o brilho superficial que fica visível quando tudo está bem. E, quando o brilho se apaga, quando a fachada rui, as pessoas desaparecem.

É por isso que Apollo está à margem, observando, não se entregando sem pensar. Sabendo o que acontece quando se mostra por completo e, honestamente, ele não tem mais coragem de arriscar.

Continua...

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