Quando a admiração se tornou Desafio

                          🦅 Capítulo 7 🦅

O som do motor ressoou suavemente quando o táxi começou a se afastar. Xavier permaneceu parado à entrada da base, os olhos fixos na silhueta rígida de Apollo no banco traseiro. Ele sequer olhou para trás. Nenhuma hesitação, nenhum resquício de dúvida. Apenas partiu, como se nada o prendesse ali.

Xavier deveria simplesmente ignorar. Deveria seguir com seu dia. Mas, em vez disso, sentiu algo apertar em seu peito—uma inquietação que o puxou de volta ao passado.

A primeira vez que o viu.

O calor era sufocante no campo de treinamento, tornava o ar denso,

carregado de poeira e cheiro de pólvora. O sol abrasador refletia no metal das armas, e os disparos ecoavam em sequência precisa, marcando o ritmo brutal do dia. Mas um som, em especial, fez Xavier desviar a atenção. Um tiro seco, limpo, certeiro. Ele se virou, buscando a origem.

E então, o viu.

Na linha de tiro número cinco, um homem se destacava como se pertencesse a um mundo à parte. Postura reta, olhar frio, os músculos rígidos sob o uniforme impecável. A arma moldava-se às suas mãos com uma naturalidade assustadora, como uma extensão de seu próprio corpo. Cada disparo atingia o alvo sem hesitação, sem desperdício de movimento, sem espaço para falha.

Xavier sentiu um arrepio estranho subir pela espinha—uma sensação incômoda, inquietante. Havia algo naquele homem que lhe parecia... familiar. Mas ele não sabia dizer o quê.

O primeiro sentimento foi admiração, crua e inevitável. Apollo era implacável. Não apenas pela precisão sobre-humana, mas pela presença esmagadora, pela disciplina que beirava o inumano. Enquanto os outros soldados vacilavam, se permitiam momentos de distração ou cansaço, Apollo era um soldado perfeito. Sempre rígido, sempre impecável. Intocável.

E Xavier ficou intrigado  com isso.

Queria ser notado. Queria que Apollo o visse ao menos uma vez — nem que fosse pelo ódio.

Foi assim que começou a provocá-lo.

No início, eram brincadeiras sutis, pequenos desafios, falas afiadas jogadas ao vento. Mas Apollo sequer piscava. Não demonstrava incômodo, não reagia. Apenas o olhava, como se Xavier fosse um ruído de fundo, irrelevante.

E aquilo o irritava profundamente.

Certa noite, Quando  a escuridão envolvia os corredores silenciosos do alojamento, quebrados apenas pelo som distante de passos apressados e o murmúrio baixo de conversas. Xavier estava ali, encostado contra a parede fria, imerso em sombras, a respiração quase inaudível. Seus olhos, fixos à distância, captaram a figura de Apollo, em pé ao lado do Major, a conversa que se desenrolava entre eles como um veredito cruel.

— Por que permitiu que um garoto imaturo como Xavier entrasse na equipe?

As palavras foram lançadas com uma dureza que não deixava espaço para dúvida, sem um pingo de empatia. Não era uma questão, era um julgamento. Apollo não procurava compreender; ele apenas condenava.

O Major, visivelmente desconfortável, soltou um longo suspiro, o som de frustração escapando entre os dentes.

— Ele tem potencial. Isso, por si só, justifica sua presença aqui. Essa conduta é a de um jovem normal.

Mas Apollo não estava disposto a deixar isso passar. Sua voz, mais baixa agora.

— Potencial não significa disciplina.

Xavier sentiu o sangue ferver nas veias. Aquelas palavras, jogadas sem consideração, eram um golpe direto. Mas o Major, com sua paciência típica, não se deixou abalar.

— Nem todo soldado nasce rígido como você, Capitão. Você nunca se desviou das regras, nunca questionou ordens. Mas isso não é o comum. Você precisa entender isso.

O silêncio que seguiu foi pesado, como se o mundo ao redor tivesse congelado. Xavier, ali, na penumbra, sentiu a tensão se acumular em seu peito. A cada respiração, a cada palavra trocada entre os dois, ele sentia um peso crescente. Mas então, a resposta de Apollo foi um estalo no ar, cortando a noite com a precisão de uma lâmina.

— Ele é infantil demais.

O impacto das palavras foi instantâneo, como um golpe direto ao coração." Infantil demais." Como se cada sacrifício, cada esforço, cada momento de dor tivesse sido em vão, simplesmente por não ser "suficientemente sério", por não corresponder à imagem que Apollo carregava de si mesmo, de alguém impecável, inatingível.

Xavier sentiu os músculos se tensionarem de forma involuntária. Seus punhos se fecharam ao lado do corpo, os dedos apertando com força, como se tentassem segurar toda a raiva e a frustração que começavam a transbordar. Ele estava lá, na escuridão, impotente, ouvindo Apollo dizer-lhe, em poucas palavras, que ele não era bom o suficiente, que ele nunca seria capaz de corresponder à altura de alguém como o Capitão Apollo.

A dor foi profunda, mas foi a ira que começou a consumir Xavier. Era como se a palavra "infantil" tivesse reverberado em seus ossos, cada sílaba se transformando em uma chaga aberta em sua alma. A rivalidade que até então era uma chama distante agora se incendiava em seu peito, crescendo, se tornando algo muito mais sombrio e profundo. Apollo o tratava como um peso, como algo descartável, e isso se tornava insuportável.

Com o coração batendo acelerado e a mente turvada pela raiva, Xavier virou-se para desaparecer na escuridão, mais uma vez se afundando em suas próprias frustrações e ressentimentos. O que havia começado como uma fagulha silenciosa agora se transformava em um fogo incontrolável, e ele sabia, com uma certeza amarga, que nada mais seria como antes.

E então, veio o dia em que tudo transbordou.

O sol mergulhava no horizonte, tingindo o céu de laranja e vermelho, quando a conversa entre os soldados tomou um rumo mais tenso. Apollo, com sua habitual frieza, lançou sua opinião com uma mordacidade que cortou o ar.

— Músculos não fazem um bom soldado. A força bruta não é tudo.

Foi o estopim.

Xavier, até então absorvendo o comentário de Apollo com uma paciência que já beirava o limite, sentiu a tensão tomar conta dele. Seu estômago se revirou, e, por um breve instante, sua visão ficou turva. O sangue em suas veias  ferveram enquanto seu coração martelava de forma incontrolável. Ele não conseguia deixar passar. Naquela noite, quando se deparou com Apollo em um corredor isolado, a decisão já estava tomada: ele o confrontaria.

— Vou provar que músculos são, sim, importantes — Xavier disse, com a voz carregada de desafio.

Apollo, imperturbável, virou-se lentamente, como se já esperasse o embate. Seu olhar estava vazio, sem uma sombra de medo ou surpresa. A expressão era a mesma de sempre, como se ele não fosse sequer digno de um esforço.

— Você realmente acha que pode me ensinar algo, Xavier?

Aquelas palavras o cortaram, mais afiadas que qualquer faca. Sem mais delongas, sem mais palavras, a luta começou.

Xavier avançou com a força de um trovão. Seu corpo era um templo de músculo, e ele sabia que sua vantagem estava em sua potência física. O punho cortou o ar em direção ao rosto de Apollo, mas o Capitão se desviou com uma agilidade impossível, movendo-se como uma sombra. Xavier não teve tempo para reagir. O golpe passou como um sopro, mas Apollo não se afastou. Ele estava ali, frio, calculista, seus olhos observando cada movimento com precisão clínica.

Xavier sentiu a frustração crescer. Ele atacava sem parar, seus socos visavam derrubar Apollo, mas o Capitão se esquivava com uma graça inquietante, como se cada movimento fosse um estudo meticuloso de cada falha, de cada erro. E o pior era que Xavier começava a perceber que estava jogando um jogo onde Apollo parecia ser o mestre, não ele.

Então ele explodiu. Xavier investiu com ainda mais força, buscando pegar Apollo de surpresa, mas era inútil. Ele não conseguia tocá-lo. O Capitão parecia mais um fantasma, um espectro que se movia com uma precisão que desafiava a lógica.

Foi quando, finalmente, Xavier conseguiu. Com um golpe seco e preciso, ele acertou Apollo no rosto. O som do impacto ecoou no ar, uma explosão de energia. Xavier sentiu, por um segundo, que a vitória estava ao seu alcance.

Mas, quando viu Apollo limpar o sangue que escorria da boca com uma calma perturbadora, o peso da derrota o atingiu. Apollo não cedeu. Não vacilou. Ele simplesmente olhou para Xavier com os mesmos olhos, sem um sinal de dor ou fraqueza.

Nada havia mudado.

— Terminou? — Apollo perguntou, sua voz tão tranquila quanto a brisa da noite.

Seus punhos ainda estavam cerrados, e a indignação queimava dentro dele. Mas, naquele momento, Ele percebeu que havia se entregado ao impulso, acreditando que sua força o definiria, mas Apollo não o via como uma ameaça. Não o via como um adversário digno. Apenas um aborrecimento.

O silêncio que se seguiu foi denso, opressor. Não era apenas a luta que terminava ali. Algo mais morria naquele momento — a ilusão de que Xavier poderia alguma vez conquistar o respeito de Apollo.

A rivalidade deles não era mais uma simples troca de farpas. O ódio agora estava ali, entre eles, vivo e pulsante, alimentado pela frustração e pelo orgulho. Cada confronto que viria a seguir não seria mais uma brincadeira. A tensão, antes sutil, agora era uma sombra que se estendia entre eles, profunda e inclemente.

E agora, ali, parado diante do portão da base, vendo Apollo partir sem nem ao menos olhar para trás, Xavier se perguntava se, em algum momento, as coisas poderiam ter sido diferentes.

Com um suspiro, decidiu que sairia naquela noite para aliviar a mente, afastando-se das responsabilidades diárias, mesmo que por um breve momento.

A batida eletrônica pulsava no peito de Xavier enquanto ele encostava no balcão do bar da casa noturna. O ambiente era tomado por luzes vermelhas e azuladas, sombras dançando ao ritmo da música. Ele girava o copo entre os dedos, o líquido amarelado refletindo o brilho neon ao redor.

Estava ali por um motivo simples: aliviar a tensão. As últimas semanas tinham sido um inferno. As investigações estavam estagnadas, Apollo o evitava, e, no fundo, havia um incômodo que ele nunca conseguia nomear.

— Você tem cara de quem precisa se divertir.

A voz feminina soou suave, envolvente, com um toque de promessa. Xavier levantou o olhar e se deparou com duas mulheres que o observavam com olhares cativantes. A loira de olhos castanhos, com um sorriso curioso, e a morena de cabelos curtos, com um brilho travesso no rosto. Ambas eram deslumbrantes de uma maneira tranquila, a beleza delas não exigia esforço, era natural, e isso apenas o atraíu mais.

Seu sorriso surgiu espontaneamente, aquele sorriso fácil que sempre quebrava barreiras e deixava um rastro de interesse.

— Acho que vocês podem me ajudar com isso — disse ele, a voz carregada de uma confiança serena, mas com uma pitada de malícia.

A conversa fluiu como se fosse a coisa mais simples do mundo. Xavier sabia jogar com as palavras, sabia como fazer qualquer troca de olhares se transformar em algo mais, como flertar sem parecer impaciente, mas sempre deixando claro o desejo implícito. Minutos depois, eles estavam dentro de um táxi. O cheiro doce do perfume delas se misturava ao aroma do couro dos bancos, criando uma atmosfera quente, quase tangível, que fazia a tensão no ar se intensificar. O motel era discreto, de luxo refinado, com um toque de opulência que não se sobrepunha, mas sim completava o ambiente. Era o tipo de lugar em que Xavier se sentia à vontade, onde a sofisticação e o prazer se encontravam.

No quarto, os corpos se encontraram de forma urgente, quase predatória. Xavier as beijou com fervor, a boca explorando cada canto, deixando que o desejo fizesse seu curso sem qualquer hesitação. Suas mãos deslizavam sobre suas curvas suaves, tocando, provocando, enquanto seus sorrisos se trocavam, cúmplices de um jogo silencioso. Sussurros quentes preenchiam o espaço, entremeados por gemidos baixos que invadiam seus ouvidos e alimentavam o fogo crescente. Ele sabia como fazê-las perder o controle, como transformar cada toque em algo irresistível. Mas, no fundo, algo não se encaixava. Havia uma leve lacuna, um vazio que ele não conseguia entender.

Por mais intensos que os momentos fossem, havia algo que nunca preenchia totalmente o que ele sentia. O calor, o prazer eram efêmeros, uma chama intensa que se apagava rapidamente, deixando para trás a frieza do vazio. Quando tudo terminou, e os corpos se separaram, o silêncio tomou conta do quarto como um manto gelado.

Enquanto as garotas dormiam, Xavier não conseguia relaxar. Ficou imóvel, olhando para o teto, os braços atrás da cabeça, absorto em seus próprios pensamentos. O brilho vermelho do abajur lançava sombras inquietas nas paredes, como se refletissem o turbilhão interno que ele não sabia controlar. O som suave da respiração delas contrastava com o vazio que ele sentia, aquele vazio que não se preenchia com mais nada.

Sem se despedir, Xavier se levantou antes do amanhecer, seus passos silenciosos e certeiros. Era melhor assim. A ausência de despedidas fazia tudo parecer mais leve, menos comprometido. Na madrugada, ele desapareceu como um fantasma, deixando o quarto vazio, e as garotas ainda imersas em um sono tranquilo, como se nada tivesse acontecido.

Com seus colegas, Xavier era uma versão de si mesmo que muitos conheciam. Era o líder que todos admiravam, mas também aqueleamigo, o homem capaz de transformar qualquer momento em diversão. A missão não importava naquele instante, o que importava era a camaradagem.

— Você é lento demais, Marco! — disse Xavier, com um sorriso travesso, desdenhando do amigo enquanto desvia de seu soco com uma facilidade quase insultante.

Marco, suando após o esforço, soltou uma risada abafada e passou a mão pela testa.

— Talvez eu esteja pegando leve com você, "irmãozinho"

Xavier riu, lançando-lhe um olhar desafiador, seus olhos brilhando com aquele tipo de malícia que só ele possuía.

— Você? Pegando leve? — Sua voz estava carregada de diversão. — Então vamos aumentar a dificuldade. Quem perder paga o almoço.

A promessa de uma revanche animou os outros ao redor. O ambiente, normalmente tenso e focado, se dissolvia em risadas e provocações. Xavier sempre foi assim: descontraído, espontâneo, o tipo de líder que gostava de estar entre os seus, se permitindo relaxar.

— Não acredito que ele vai te fazer pagar de novo, Marco! — alguém gritou, sua voz ecoando no ar com um tom de deboche.

Xavier deu um sorriso confiante, sua expressão desafiadora agora mais evidente. O movimento seguinte foi tão rápido que ninguém teve tempo de reagir. Em um segundo, ele agarrou Marco com a destreza de um veterano, levando-o ao chão com a facilidade de quem já sabia o que fazer antes mesmo de começar.

— Tão previsível. — Xavier se inclinou para estender a mão e ajudar Marco a se levantar, a arrogância na voz ainda impregnada no ar.

O grupo ao redor soltou risadas e aplausos, e até Marco não pôde evitar uma risada nervosa enquanto se levantava, bagunçando os próprios cabelos em um gesto de frustração.

— Um dia, eu ainda te pego, Capitão.

Xavier sorriu de canto, seus olhos ainda desafiadores, e com um tom provocativo, respondeu:

— Vou esperar ansioso.

As risadas continuaram. Ele era o Capitão, mas não era só isso. Era a fonte de energia do grupo, o alicerce da leveza no meio da rotina pesada. Com todos, ele era isso: fácil de lidar, confiável, alguém que sabia como equilibrar o peso da liderança com os momentos de descontração.

Mas então, os olhos de Xavier se desviaram para Apollo, e a expressão em seu rosto mudou, mesmo que ninguém tivesse notado. Com Apollo, ele não sabia mais como se comportar. Não era mais o mesmo, o brincalhão, o líder à vontade.

Com Apollo, as provocações tomavam outra forma, mais sutis, mais intensas, como se ele buscasse algo além da amizade, além do simples prazer de uma boa partida. E isso, nos últimos dias, havia se tornado uma dor silenciosa em sua mente. Uma inquietação que ele não sabia como lidar, mas que parecia crescer a cada momento.

E, por mais que tentasse, não conseguia mais agir como antes.

A oficina estava mais movimentada do que de costume naquela manhã. O sol banhava o pátio com sua luz dourada, refletindo no metal das ferramentas e no uniforme impecável dos meninos que passavam apressados. O aroma forte de café recém-feito se misturava ao cheiro de couro, criando aquela atmosfera única de  rotina que definia o local.

No entanto, nem todos estavam ocupados com trabalho sério.

— Eu já disse para parar com isso! — Marco protestou, a voz carregada de indignação, enquanto cruzava os braços, encarando Xavier com um olhar fulminante.

Xavier, encostado de forma despreocupada em uma pilastra, não se moveu. Seus olhos brilharam com diversão, enquanto um sorriso travesso curvava os lábios.

— Parar com o quê? — perguntou, sua voz suave e cínica, ao inclinar-se levemente para frente, tornando ainda mais óbvia a diferença de altura entre eles, como se fosse parte de um jogo.

Marco bufou, a paciência se esvaindo rapidamente. Apontou o dedo para Xavier com um gesto acusador, claramente exasperado.

— Você sabe exatamente do que estou falando!

A risada de Xavier foi baixa, quase sussurrada, mas carregada de escárnio. Ele esticou o braço preguiçosamente, pousando a mão no topo da cabeça de Marco e bagunçando deliberadamente seus cabelos loiros, uma provocação sutil, mas eficaz.

— Eu adoro como você consegue resolver crimes com tanta energia, mas não consegue alcançar a prateleira do refeitório — disse ele, com um brilho malicioso no olhar.

Marco, com um movimento rápido, afastou a mão de Xavier, dando-lhe um tapa leve, mas firme. Seus olhos se estreitaram com uma ameaça silenciosa.

— Cuidado, Capitão. Pequenos podem ser letais.

Xavier deu uma risada sonora e fingiu refletir por um instante, antes de responder com um tom calculadamente sério.

— Verdade. Algumas formigas têm veneno mortal.

— Xavier!

A voz de Thaddeus, que até então observava com um sorriso divertido, cortou o momento. Ele estava sentado tranquilamente em um banco, segurando uma barra de chocolate meio-amargo — a mesma que Marco vinha tentando roubar com crescente frustração.

— Acho que ele tem razão, Marco — Thaddeus disse com calma, dando uma mordida lenta no chocolate, enquanto o mantinha intencionalmente fora do alcance de Marco. — Você é pequeno, mas assustador. Principalmente quando está com fome.

Marco virou-se para ele com um movimento brusco, como se estivesse pronto para atacar.

— E falando em fome… Você bem que podia dividir isso comigo, né?

Thaddeus olhou para ele com a mesma expressão impassível, mastigando lentamente enquanto continuava a segurar a barra de chocolate de forma estratégica.

— Eu poderia — respondeu, sem pressa. — Mas aí a diversão acaba.

Xavier, que já se divertia com a situação, não perdeu a oportunidade de intensificar a provocação.

— Sabe, Thaddeus, ouvi dizer que Marco tem que usar um banquinho para alcançar os arquivos do andar superior.

— Eu não preciso de banquinho nenhum! — Marco rebateu, os olhos fulgurantes com indignação.

Xavier sorriu de canto, dando-lhe a última provocação.

— Ah, é? Então por que, outro dia, eu te vi se equilibrando numa cadeira para pegar um dossiê?

— Isso é mentira!

— Tem até testemunhas.

— Quem?!

— Eu — respondeu Thaddeus, levantando a mão com total naturalidade, como se fosse o mais normal dos gestos.

Marco olhou de um para o outro, a sensação de estar perdendo o controle da situação lhe envolvendo como um redemoinho.

— Eu odeio vocês.

Xavier, com uma expressão travessa, soltou uma risada suave e não perdeu a chance de retrucar.

— Ah, não odeia, não — disse com um sorriso amplo e provocador. — Você nos adora.

Marco, sentindo-se completamente desarmado, estreitou os olhos e, num acesso de humor negro, soltou a última cartada.

— Pelo menos eu não sou alguém que claramente está apaixonado por um certo colega e finge que não.

O sorriso de Xavier desapareceu por um breve momento, seus olhos se estreitando de forma significativa. Thaddeus, que havia estado apenas como espectador, não conseguiu conter o riso nasalado que escapou de seus lábios. A tensão, de repente, estava nas entrelinhas, e a brincadeira se tornara algo mais intenso, mais... revelador.

Antes que Xavier pudesse rebater, um vulto familiar passou por eles sem sequer parar.

Apollo, impecável em seu uniforme, caminhava a passos firmes em direção ao setor administrativo, ignorando completamente a interação caótica do trio. Seu semblante sério indicava que, ao contrário deles, ele tinha coisas importantes a fazer.

Marco suspirou teatralmente.

— Viu só? É por isso que eu nunca confio em gente alta. São sempre frios, certinhos e insuportavelmente organizados.

Thaddeus levantou uma sobrancelha, sem perder a calma.

— Você está brigando com um, sabia?

Marco piscou, surpreso, e logo deu uma risada.

— Ah, é... mas ele é um caso especial.

Xavier, como se estivesse esperando o momento certo, deu uma risada e bagunçou os cabelos de Marco antes que ele pudesse sequer reagir.

— Caso especial ou não, o fato é que você ainda precisa de um banquinho, meu amigo.

Marco, com um impulso de indignação, saltou para dar um soco no ombro de Xavier, mas o gigante simplesmente deu um passo para trás, erguendo as mãos, com um sorriso maroto.

— Muito lento, baixinho.

— VOCÊ VAI SE ARREPENDER DISSO, XAVIER!

O riso de Xavier reverberou pelo pátio enquanto Marco, agora em plena perseguição, tentava recuperar ao menos um pouco da dignidade perdida. Ele não sabia se estava mais furioso ou exausto, mas não ia desistir.

Thaddeus, imune àquela bagunça, continuou mordiscando seu chocolate com uma expressão tranquila, apenas observando o caos. Com um sorriso no rosto, pensava consigo mesmo como havia se encontrado naquele grupo... e, no fundo, gostava de cada segundo.

Continua...

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Comments

♡ la vida en la muerte ♤

♡ la vida en la muerte ♤

Marco falou bem o que eu queria comentar!!!!

2025-03-16

2

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