Entramos novamente no hospital, seguidos pela tal Diana, que agora estava menos arredia, pelo menos com o meu pai.
Olhei discretamente e a vi tocando o pulso, e isso me fez sentir um completo idiota por tê-la machucado sem nem dar a ela chance de se explicar... se é que ela sabe o que explicar.
- Você foi muito impulsivo, para dizer o mínimo. - meu pai me repreende, em voz baixa. - Não foi isso o que eu e sua mãe te ensinamos, Davi. - suspira.
- Eu sei pai. Eu só fiquei nervoso. - me explico.
- E ficar nervoso te dá o direito de machucar a moça?! Não, não dá! - fala, rígido. - Espero que ela te desculpe, pois eu estou muito chateado com a sua atitude, meu filho.
O elevador para no mesmo andar onde vimos a Diana conversando com o tal médico, e eu limpo a garganta, assim que encontramos o mesmo Dr. Patrick no corredor, e ele abre um sorriso para a Diana.
- Pensei que tivesse ido descansar, Diana. - o médico sorri.
Estreito os olhos e penso, para quê mostrar tanto os dentes?
- Eu ia, mas encontrei esses senhores lá embaixo e... Dr. Patrick, nós precisamos que nos ajude. - ela diz e o médico nos olha, desconfiado, e logo seu olhar desvia para o braço da Diana, e ele ergue seu pulso.
- Diana, o que aconteceu com seu pulso? - ele logo nos olha, parecendo irritado.
- Não é nada, Dr. Patrick. Eu realmente preciso que nos ajude, porque eu não sei como explicar, mas parece que esse senhor. - ela aponta para mim. - É o pai do Leon, isso significa que ele pode ser doador, não pode? - ela parece aflita e esperançosa ao mesmo tempo.
- O que?! O... pai do Leon? Mas você não fez uma inseminação? - o médico diz, me encarando.
- Doutor, não importa como ou em que circunstâncias aconteceu, o importante aqui é sabermos se eu sou compatível com o meu.... com o Leon. - encaro a Diana. - Se importa se eu quiser vê-lo? Só quero ter certeza.
- Se isso puder te convencer a fazer o teste de compatibilidade, eu não me importo. - diz, séria.
- Mesmo se não me permitisse, eu faria o teste Diana. - afirmo.
- Por favor, Dr. Patrick. Pode conseguir uma autorização? - ela pergunta e o médico não parece muito contente com o pedido.
- Conhecemos o diretor do hospital, então caso não seja possível, eu e meu pai podemos conversar diretamente com ele, para conseguir a permissão. - sim, é meio arrogante da minha parte usar nossa influência, mas algo me diz que foi necessário.
- Não será necessário ir ao diretor. - o médico responde, sério. - Se puder me acompanhar... mas somente a mãe e o suposto pai. - me encara.
Suposto? Vou te mostrar o suposto!
Meu pai me pede para manter a calma e diz que vai ficar nos aguardando na recepção do andar. Agradeço a ele e sigo, ao lado da Diana, até uma sala, onde colocamos as roupas especiais para entrar na UTI.
Minutos depois, estou diante de um pequeno berço, e a imagem de um bebê frágil e ligado a vários aparelhos e fios, me dói profundamente, e dilacera o meu coração.
Era como se estivesse vendo o meu Daniel ali, na minha frente, naquele leito.
Eles são exatamente iguais! Apesar do Leon estar mais magro que o Daniel, mas ainda assim, posso ver nitidamente a semelhança entre eles.
Olho para o lado, e vejo a Diana em lágrimas, com os dedos encostados no vidro, olhando atentamente para o meu filho... sim, meu!
Não tenho ideia de como toda essa história louca aconteceu, mas o que eu sei, é que esse bebê é meu filho, e ao que tudo indica, irmão gêmeo do Daniel.
- Não se preocupe. - digo, olhando para o bebê. - Eu vou fazer o possível para salvá-lo.
- O senhor vai mesmo fazer o teste? - me olha, chorando. - Vai mesmo salvar a vida do meu filho?!
Encaro os olhos amendoados, que não transmitiam nada além de esperança.
Respiro fundo, acenando levemente.
- Eu vou fazer tudo o que eu puder para vê-lo totalmente recuperado e fora desse hospital. Você tem a minha palavra!
Ela sorri, e acredite, mesmo usando máscara eu posso imaginar como o sorriso dela deve ser lindo.
- Diana, temos que ir. - o médico aparece, me olhando atentamente, enquanto toca o ombro dela.
- Claro, doutor. - ela responde. - Até breve meu amor. A mamãe te ama muito! - diz, encostando a mão no vidro, e eu fico olhando a cena.
Saímos da UTI e, depois de tirar as vestes de proteção, vamos ao encontro do meu pai.
- E então, meu filho? - ele me pergunta, ansioso.
- Primeiro, se acalme. O médico disse, sem emoções fortes, lembra? - digo, sério e ele revira os olhos.
- O médico disse isso pois não conhece a nossa família. Uma simples ida ao médico e eu descubro que tenho um neto que nem sequer imaginava! E esse é um dia comum da família Donartti! - diz, irônico.
Meneio a cabeça e sorrio levemente, realmente ele tem razão, nossa família é graduada em fornecer grandes emoções!
- Bom, eu preciso dizer, o Leon é realmente idêntico ao Daniel, e apesar de estar abatido e debilitado, a semelhança física é inegável. - digo, pensativo. - Eu vou fazer o teste, pai. Tenho certeza de que ele é meu filho.... embora eu não faça ideia de como isso aconteceu, ou talvez... - estreito os olhos.
- Pode parar! - meu pai fala. - Chega de tirar conclusões precipitadas. Vamos sentar e tentar entender. - meu pai olha para a Diana, que parecia perdida em seus próprios pensamentos. - Diana?!
- Ah, sim. Desculpe...
- Tudo bem. Você se importa de conversarmos?
- Não, claro que não! - ela me olha. - Mas antes, você poderia se informar sobre o teste? - me olha, aflita. - Eu não insistiria se a vida do meu bebê não dependesse disso.
Assinto e sorrio de lado. Entendo sua aflição, porque depois de ver um filho meu naquela situação, eu quero ajudá-lo o mais rápido possível.
- Então, doutor, como é o procedimento para o teste e quando posso realizá-lo? - pergunto ao médico, que me olha, sério.
- Bom, o procedimento para retirada é um pouco complexo, mas nosso hospital é bem equipado e nossa equipe bem preparada. Precisará ficar em repouso após o procedimento e o resultado sai entre 8 a 12 dias. Caso realmente seja comprovada a compatibilidade entre o suposto pai e a criança, faremos a cirurgia no pequeno Leon o quanto antes.
Encaro o médico atentamente, e meu pai parece ler os meus pensamentos.
- Doutor Patrick, o pequeno Leon teria condições de ser transferido? - questiono.
- Transferido? - Diana fala, preocupada. - Ele está debilitado, isso poderia agravar o estado dele.
- Calma Diana. - Seguro a mão dela. - Minha irmã é médica e trabalha em um hospital referência em cirurgias pediátricas. Não estou dizendo que aqui seja um hospital ruim, mas lá temos o que há de mais avançado em equipamentos e recursos. Eu conheço a chefe da UTI pediátrica, Doutora Dandara Villar, e vou pedir que ela pessoalmente faça os procedimentos para a transferência.
- O senhor conhece a doutora Villar? - o médico questiona, surpreso, e percebo que está duvidando.
- Sim, conheço! - afirmo, e volto a olhar para a Diana. - Garanto a você, que se ela disser que não é aconselhável a transferência, nós adiamos até fazermos a cirurgia, aqui mesmo, mas eu prefiro que a própria doutora Villar acompanhe todo o procedimento, se você não se importar, é claro.
Ela parece pensar por alguns instantes.
- Se for para o bem do meu filho, eu aceito. Só preciso que me passe os valores dessa nova médica, para eu poder me preparar e conseguir o valor. - diz, séria.
- Não se preocupe com isso. - digo, firme. - O que importa é o bem estar do Leon.
- Sem dúvidas, mas ainda assim, eu paguei por tudo até hoje, então prefiro estar a par dos custos.
Olho para o meu pai, que sorri, parecendo satisfeito.
Já vi que vou enfrentar uma batalha com essa teimosa!
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Izaura Pessi
Eu acho que o filho do Davi morreu quando nasceu e a cobra pagou algum pra roubar um bebê...
2025-03-16
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Maria Izabel
Autora do céu, vai me dizer que a ex dele roubou a criança dela.
Que a cobra nunca ficou grávida?
2025-02-06
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Rose Gandarillas
E o Dr. Patrick, querendo demarcar o terreno que já tem posse nominada.
2025-02-21
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