Quando o médico se despede da tal moça, eu a vejo passar, abatida e com o rosto vermelho, parecendo não se atentar a nada a sua volta.
Mas novamente os traços e o olhar me chamam a atenção, e quando olho para o meu pai, ele estar pálido.
Rapidamente eu me aproximo e o seguro, preocupado.
Levo ele até uma cadeira no corredor e o faço sentar.
- Pai... pai por favor, me fala o que está sentindo?! Eu vou chamar o médico! - me levanto, mas ele segura em meu pulso e me olha, firme.
- Vai atrás daquela moça! - diz, sério.
- O que?! - pergunto, confuso.
- Vai agora atrás daquela moça e traga ela de volta,porque eu posso estar louco, e talvez esteja sendo precipitado, mas eu reconheço aquele olhar, e me admira você não reconhecer de onde achou a semelhança...
- Como assim, pai?! Semelhança... olhar...
- Vai logo, Davi! - se irrita, e eu bufo, mas saio pelos corredores.
Ando apressado até o elevador e desço em direção à recepção.
Olho para todos os lados, mas não vejo a tal moça. Vou até o estacionamento e nada dela. A mulher deve ter super velocidade, só pode!
Estou voltando para dentro do hospital, quando olho para uma espécie de jardim que fica na lateral do prédio... E lá está ela!
E eu não vou negar, ela é linda e tem toda uma postura de mulher forte, que atrai.
Meneio a cabeça, a fim de afastar esses pensamentos, e caminho até o banco onde ela está sentada.
- O que eu vou dizer... Olha, moça, meu pai e eu achamos o seu olhar parecido com o de alguém conhecido, pode me acompanhar para tirarmos a prova?! .... Aff! que ridículo, Davi! - murmuro baixo.
Quando paro na frente dela, vejo o telefone em suas mãos e é quase impossível conter o susto quando vejo a imagem na tela... Daniel!?
Seguro o braço da moça, que me olha, assustada.
- Quem é você e porque tem uma foto do meu filho no seu telefone?! - pergunto, sério.
- O que?! - ela me olha, confusa e com raiva. - Me solta, seu maluco! - puxa o braço, mas eu não solto.
- Fala agora! Foi a Naomi quem te mandou? Como conseguiu tirar essa foto! Anda, explica! - me altero.
- Olha aqui, se não me soltar agora, eu vou chamar os seguranças do hospital, entendeu?! - vejo a raiva faiscar em seus olhos. - Esse é o MEU FILHO! - grita.
- Seu filho?! - sorrio sem humor. - Eu não sei o que quer com uma foto do MEU FILHO e nem como conseguiu tirá-la, mas eu vou descobrir. - saio puxando o pulso dela. - E você, vem comigo!
- Me solta seu maluco! Me larga! - ignoro seu protesto e saio puxando ela, que soca o meu braço.
- Solta ela agora, Davi! - escuto a voz do meu pai, e imediatamente paro.
- Pai, o senhor deveria estar lá em cima! - bufo e ele me encara, sério.
- Foi exatamente por conhecer o seu temperamento intempestivo que vim atrás de você. - suspira. - Agora largue o braço dessa moça, Davi.
Olho para o meu pai, e mesmo contrariando, solto o braço da moça, que passa a mão no pulso, e só então percebo que me excedi e apertei demais o pulso dela, que estava vermelho.
- Eu... me desculpe... mas...
- Olha aqui, seu louco, você apareceu do nada, literalmente do nada, me falou um monte de coisas sem sentido, machucou o meu pulso, mas nada disso interessa, porque o que eu quero saber é porque você estava gritando que o meu Leon é seu filho?! - ela me olha, brava.
Olhei fixamente para as sobrancelhas arqueadas, as faces vermelhas e o pé, que se movia impaciente... não é possível! Eu conheço esses gestos... são iguais aos do Daniel quando fica bravo.
- Pai... - olho imediatamente para o meu pai, que pareceu entender e acena levemente. - Não é possível... ou é?! - olho para ele, confuso.
- Pode parecer estranho, até bizarro, mas é uma hipótese. - ele dá de ombros.
- Vocês vão ficar falando em códigos ou vão me explicar que maluquice é essa que estão acontecendo aqui?! - a moça nos olha, ainda mais aborrecida.
- O temperamento é igual ao do meu neto... - meu pai meneia a cabeça. - Bom, senhorita, nós temos muito o que conversar, e acredite, a senhorita vai querer nos ouvir e nós também vamos ouvi-la, mas antes de mais nada. - meu pai pega o celular do bolso e desbloqueia a tela. - Você reconhece esse menino?
Assim que os olhos da moça encaram a tela, vejo as lágrimas brotarem instantaneamente, e ela estender a mão lentamente, visivelmente emocionada, e tocar a tela.
- Esse... é o meu Leon... - diz, com a voz trêmula. - Mas... eu nunca tirei essa foto... e essa roupinha... - ela olha, confusa. - Como pode?!
- Moça...
- Diana... - ela respira fundo. - Diana González.
- Muito prazer, Diana! - meu pai sorri levemente. - Eu sou Nicollas Blake, e esse é meu filho, Davi Blake. - ela me olha, e eu aceno levemente, mas ela não responde.
- Sr. Blake, quem é esse menino na foto? - ela olha para o meu pai e pega o próprio celular, mostrando a foto que eu vi minutos antes. - Esse é o meu filho, Leon González.... mas como é possível haver dois estranhos exatamente iguais?!
- Talvez não sejam estranhos. - meu pai parece pensar. - Você por acaso já tinha visto o meu filho antes? - questiona e vejo a moça me olhar de cima a baixo, e logo meneia a cabeça. - Então, vamos sentar e conversar, porque há muitas coisas à serem esclarecidas aqui, e me desculpe, mas ouvimos sua conversa com o médico e parece que o seu filho está internado em estado grave, não é?
Diana fecha os olhos levemente, tentando se controlar.
- Sim, ele está na UTI. - respira fundo. - Descobrimos há alguns meses que ele tem leucemia, e desde então eu venho lutando a procura de um doador compatível, mas infelizmente sem sucesso. - vejo os olhos dela marejarem. - Há pouco mais de um mês ele ficou mais debilitado e teve que ser internado... mas agora ele... - ela se emociona.
- Fique calma, minha filha. - meu pai diz, solidário. - Se for como eu estou pensando, nós vamos encontrar uma solução.
- O senhor está falando sério?! - diz,enxugando as lágrimas.
- Eu garanto que, se eu for o pai desse menino, mesmo que eu não faça ideia de como isso aconteceu, eu vou mover céus e terra, mas ele vai ficar bem. - digo, olhando nos olhos dela.
Não sei como, nem em que circunstâncias aconteceu, mas algo me diz que esse bebê, o Leon, é meu filho... E eu vou fazer o que puder para salvá-lo!
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Rose Gandarillas
Falei!! Por isso ele, Davi sonhava, o Daniel resmungava quando acontecia os sonhos e sorriu quando a viu mesmo que de costas. Porque foi no ventre dela que foi gerado.
2025-02-21
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Luzia aparecida Araújo
Que história fantástica! 👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏
2025-03-07
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Vania Lucia
Quanta maldade um ser pode fazer com os outros por egoísmo e poder
2025-01-14
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