Traição.

“Não entendo por que escolhemos o tipo de amor que nos destrói. Uma Sociedade e seus estereótipos nos empurram pra esse caos, nos ensinam que a dor é divertida, mas machuca.”

Solange Moretti.

San Teodoro,

Sardenha/Itália.

Quarenta e cinco meses antes.

— Como você pode ter feito isso comigo?

Indaguei pela segunda vez, segurando firme no rosto de minha mãe. Meus olhos estavam fixos nos dela, que eram tão claros quanto os meus.

Procurei tristeza, remorso, culpa. Qualquer sinal mesquinho que indicasse a existência de amor.

— Responde, mamãe. Por que você fez isso comigo, porque me apunhalou pelas costas mais uma vez?

— Seu noivo estava na minha cama, Sol. O que mais quer saber?

As lágrimas enudaram os meus olhos e, no momento seguinte, fui afastada com

um leve empurrão.

— Você é frouxa até para sentir raiva. Sinceramente, nem parece minha filha.

— Não me destrói assim, mãe. você sempre acaba tudo que me faz bem.

Engasguei-me no choro, soluçando, trêmula da cabeça aos pés.

— Nunca mais vou perdoar você, mas me diz o motivo… Por que me machuca tanto e não sente remorso?

— Essa sua ingenuidade ainda vai te colocar em situações piores, garota. Paga de Mulher-Maravilha, bem-resolvida, independente, mas não passa de uma fracote, melosa, bobinha. PAsqualini veio atrás de comida boa, disse que estava cansado da gatinha quase virgem de tão pura. Satisfeita? Quer se ferir mais?

Queria bater nela, puxar os cabelos, arrancar cada fio, mas ela tinha razão: eu era fraca e a amava. Amava tanto que doía. Ela era tudo o que eu tinha, mesmo negando o meu lugar de direito em seu coração.

— Solange, vamos conversar, Cazzo!

Gritou o infeliz do meu noivo do lado de fora do quarto, esmurrando a porta, girando a maçaneta sem controle.

— Vai se resolver com ele, Sol. Espero que dê um basta nisso. Pasqualini não serve para você.

— Foda-se ele, e você também!

— Foda-se?

Catarina riu, sarcástica.

— Isso, acorde para a vida, criança. hora de virar mulher.

— Aprendi a viver sem você, mas sempre senti falta da sua presença em minha vida…

Rastejei-me, entregando a última gota de orgulho.

— Ah, faça-me um favor! Não venha me cobrar atenção agora. Quer mesmo relembrar o passado?

Subiu o short e sentou-se na cama, fazendo

um nó nos cabelos.

— Eu tinha doze anos quando você nasceu. Eu era uma criança ainda. Assumi tudo sozinha, dormi de barriga na rua, passei frio e trabalhei igual uma condenada para não deixar faltar comida. Perdi parte da minha juventude com uma gravidez inesperada. O que mais queria, Sol? Acha que minha

vida foi fácil, garota?

— Sempre compreendi o fato de você não se adaptar à maternidade, mas desejo ser sua filha, receber um pouco de amor de mãe.

— Cresce por dentro, Solange! Para de se rastejar! Reage! Me bate! Não vou te mal dizer por isso. Prefiro ver você me agredindo a

presenciar essa cena humilhante e ridícula.

— Solange!

Pasqualini gritou, entrando porta adentro, arfando, todo machucado por minhas unhas, sustentando um lençol ao redor do

quadril.

— Passei aqui depois da faculdade. Esperei você a noite inteirinha, mas você não chegou. Fez calor e começamos a beber um vinho que trouxe para a gente. Madalena!

Gritou quando deixei o quarto de Catarina e segui para o meu, nos fundos da cozinha.

Além da humilhação, a raiva me consumia ao me lembrar de que o dinheiro das minhas primeiras férias, no mês seguinte, já estava

comprometido com multas de quebra dos contratos matrimoniais.

Além de ingênua, fui burra quando assinei os papéis, sozinha.

— Por favor, amore mio, me perdoa.

Pasqualini invadiu o quarto e se jogou aos meus pés.

— Eu amo você, mais que tudo nessa vida.

— Sai da minha frente canalha safado!

Empurrei-o para o chão e puxei uma mala

que estava no topo do armário de roupas.

— Você vai me devolver cada centavo que investi no casamento, infeliz! Quero cada mísero centavo.

Corri o dorso da mão contra meus olhos, puxei o zíper da mala e joguei o máximo de roupas dentro, recusando-me a chorar na frente do canalha de trinta e um ano que me teve nas mãos durante três anos. Minha

adolescência e início da vida adulta.

— Sempre respeitei seus momentos, Solange.

Ele se levantou e tentou me impedir de encher a mala.

— Tolerei você enfiada nos livros, sem tempo para mim, pensando no bendito sonho impossível de se tornar piloto de avião. Qual outro homem aceitaria isso? Eu amo você, cazzo!

— Ah!

Gritei, empurrando-o sobre a cama.

— Vá para casa do c@ralho, cazzo!

Xinguei, coisa que não faria se estivesse em meu perfeito estado.

— O que aconteceu com você, amore mio? Que linguajar é esse?

Ele se levantou apenas para levar um tapa na cara.

Calada, coloquei a bolsa no ombro e saí arrastando minha grande mala. Peguei a de trabalho no caminho, virando-me para removê-las rapidamente da casa da mulher que me apunhalava pelas costas enquanto eu

dava o melhor para colocar dinheiro dentro de casa para quitar as prestações do imóvel.

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Comments

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Como ama um monstro desse ? 🥴😡🤬🤮

2025-02-09

0

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Misericórdia 😱🤮

2025-02-09

0

Anilda Alves da Cruz

Anilda Alves da Cruz

que sofrimento misericórdia

2024-08-15

1

Ver todos
Capítulos
1 De luto
2 Pequena cópia minha
3 Ele é meu filho.
4 Sem argumentos
5 Pai possessivo
6 Tudo sob controle.
7 Diabetes?
8 Insulina
9 Preocupações.
10 Assédio
11 O pai de Lucca
12 Traição.
13 A tentação
14 O Garçom.
15 O conquistador
16 A entrega.
17 O incidente.
18 O despertar.
19 Dona Pietra
20 Lembranças.
21 Aprendendo a ser pai.
22 De votar ao hotel
23 Assediador.
24 Fruto daquela noite
25 Ela era um anjo
26 Olhares curiosos
27 Jurema
28 Então, ele é seu filho?
29 Onde está meu filho?
30 Apavorada
31 Seja forte.
32 Comissária de bordo.
33 Tenho orgulho do que faço.
34 Cazzo
35 Luxo.
36 Sanidade.
37 Ainda estou de luto.
38 O nome da empresa.
39 Brasília amarela.
40 Lamentável.
41 Companhia aérea.
42 Mais rápida que o vento.
43 Italiano português.
44 Vulnerável.
45 Ciúmes
46 Um beijo inocente.
47 Não vou morar com você!
48 Você o matou?
49 A buzina.
50 Um bom pai
51 O resultado do D.N.A
52 Ninguém me tira daqui hoje a noite
53 Eu sou seu pai, Lucca.
54 Sugar daddy
55 Ele mexe comigo.
56 Pesadelos.
57 Bajulador.
58 T&são total.
59 Carícias
60 De joelhos.
61 Fofocas
62 Sem joguinhos.
63 Ciúmes
64 Armadilha
65 Camisola Vermelha.
66 totalmente perdida
67 O pedido...
68 Carinhos e carícias
69 curiosa.
70 capítulo de despedida.
71 resoluções e imprevistos
72 sermões
73 Rascunho
74 Esperando vocês.
75 cafajeste
76 ajuda
77 Loucura
78 Revelações
79 Flagrante
80 O assediador
81 O pai de Solange.
82 felicidades.
83 O fim
84 Agradecimentos finais.
85 atenção
Capítulos

Atualizado até capítulo 85

1
De luto
2
Pequena cópia minha
3
Ele é meu filho.
4
Sem argumentos
5
Pai possessivo
6
Tudo sob controle.
7
Diabetes?
8
Insulina
9
Preocupações.
10
Assédio
11
O pai de Lucca
12
Traição.
13
A tentação
14
O Garçom.
15
O conquistador
16
A entrega.
17
O incidente.
18
O despertar.
19
Dona Pietra
20
Lembranças.
21
Aprendendo a ser pai.
22
De votar ao hotel
23
Assediador.
24
Fruto daquela noite
25
Ela era um anjo
26
Olhares curiosos
27
Jurema
28
Então, ele é seu filho?
29
Onde está meu filho?
30
Apavorada
31
Seja forte.
32
Comissária de bordo.
33
Tenho orgulho do que faço.
34
Cazzo
35
Luxo.
36
Sanidade.
37
Ainda estou de luto.
38
O nome da empresa.
39
Brasília amarela.
40
Lamentável.
41
Companhia aérea.
42
Mais rápida que o vento.
43
Italiano português.
44
Vulnerável.
45
Ciúmes
46
Um beijo inocente.
47
Não vou morar com você!
48
Você o matou?
49
A buzina.
50
Um bom pai
51
O resultado do D.N.A
52
Ninguém me tira daqui hoje a noite
53
Eu sou seu pai, Lucca.
54
Sugar daddy
55
Ele mexe comigo.
56
Pesadelos.
57
Bajulador.
58
T&são total.
59
Carícias
60
De joelhos.
61
Fofocas
62
Sem joguinhos.
63
Ciúmes
64
Armadilha
65
Camisola Vermelha.
66
totalmente perdida
67
O pedido...
68
Carinhos e carícias
69
curiosa.
70
capítulo de despedida.
71
resoluções e imprevistos
72
sermões
73
Rascunho
74
Esperando vocês.
75
cafajeste
76
ajuda
77
Loucura
78
Revelações
79
Flagrante
80
O assediador
81
O pai de Solange.
82
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83
O fim
84
Agradecimentos finais.
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