"Às vezes nem me preocupo tanto comigo... Mas há pessoas que amo e não quero vê-las sofrer."
Solange Moretti.
— Ainda não foi anunciado, mas a empresa vai abrir recrutamento interno para copiloto nos próximos dias.
Disse ao encostar a porta. Meu coração palpitou ansioso. Embora eu amasse o trabalho de comissária, que me permitia dar
conforto e o melhor plano de saúde para meu filho, não era esse o meu objetivo na maior companhia aérea do mundo.
O desejo pela aviação palpitava em meu peito desde a infância.
Depois do nascimento de Lucca, raspei boa parte das minhas reservas a fim de
me preparar tecnicamente para quando surgisse a primeira oportunidade na
empresa.
— Obrigada!
Juntei minhas mãos no celular e coloquei perto do peito, olhando para o alto, fazendo minha prece silenciosa.
— Obrigada por me avisar, John. Estarei pronta para o anúncio oficial.
— Como das outras vezes, serão abertas pouquíssimas vagas femininas, mas confio que você vai conseguir. Com a minha indicação…
— Serei eternamente grata.
Exprimi sobre as palavras dele, empurrando a felicidade para o segundo plano, sendo controlada pela preocupação iminente.
— Muito obrigada mesmo.
Aproximei-me da porta e indiquei a saída sutilmente.
— Não sei como agradecer.
— Você não parece feliz.
Incapaz de entender a escala de importância para uma mãe, John transpareceu desapontamento.
— Não, estou muito feliz. É o meu projeto na companhia e estou totalmente preparada. Mais de trezentas horas de voo, licença de piloto, mas você sabe…
Forcei um sorriso sincero para negar qualquer vestígio de ingratidão.
— Minha mente só grita por Luquinha. Você é pai, sei que entende. Se puder sair agora, eu agradeço.
— Certo…
O homem se aproximou um passo e segurou em meus ombros.
— Depois que você resolver a situação do seu pequeno, me ligue. Quero te fazer uma proposta.
— Proposta? Do que se trata?
Questionei, murchando o sorriso no momento seguinte, quando mãos invasivas cobriram meus seios sobre o tecido vermelho do uniforme.
O susto me sacudiu inteira e, em um gesto automático de defesa, distanciei-me e virei de costas, respirando devagar, dando certezas ao meu subconsciente de que entendi errado, que não foi intencional, que John era
casado, um profissional exemplar, que não seria capaz de assediar uma colega de trabalho.
— É melhor você seguir para seu quarto e ligar para sua esposa, ver seu filho…
Meu tom de voz saiu trêmulo. Não tive mais coragem de olhá-lo.
— De agora em diante, vamos jantar sozinhos, não é, Solange?
Uma mão pesada apertou meu quadril, fazendo-me saltar para o outro lado do
quarto.
— John…?
Minha voz saiu sussurrada. Medo e repugnância roubaram a minha ação.
De repente, não era o meu colega de trabalho em minha frente e sim um homem com olhos assustadores.
— Você já usou o seu uniforme em momentos íntimos, Solange?
O peito largo parou à minha frente e os braços musculosos me prenderam contra a parede.
— Já trepou com ele, safada?
Foi como se meu sangue congelasse dentro do corpo. Pensei que já estivesse preparada para aquele tipo de situação, mas não, pois me encontrei terrivelmente paralisada e envergonhada por se tratar de um homem que deveria me trazer segurança no ambiente de trabalho.
— Você é piloto, deveria ser o primeiro a saber que rechaçamos o fetichismo ligado à nossa profissão.
Debati com o rosto virado. Estava fria
externamente, mas internamente, afetada pela ânsia que já rasgava o meu
esôfago.
— Longe da parte suja. Entre quatro paredes… Conta para mim, vai.
Tocou o meu rosto e meus músculos estremeceram.
— Já imaginei você empinadinha, apenas de quepe e salto alto. Depois das imagens, então…
— O que você… Que imagens?
Voltei a encará-lo.
— Algumas que criei em minha cabeça.
Soprou as palavras.
— Você é exatamente como imaginei.
Horrorizada, forcei meu corpo a reagir. Empurrei-o com força e, quando meu braço foi puxado de volta, reagi com um dos golpes de defesa pessoal ensinado nos muitos cursos preparatórios da minha profissão.
Uma arma que deveria ser usada contra passageiros assediadores e terroristas.
— Qual é a tua, Solange?
Rugiu, segurando o antebraço. Seu semblante estava irritado e até desapontado.
— Você me provoca o tempo todo. Pensa que sou de ferro?
— Eu não… Nunca…
Hesitei, esfregando meus braços, espanando minha memória a procura da culpa que me colocasse diante daquela situação.
— Vejo o jeito que você me olha, Solange. O jeito que olha para todos os homens. Sempre sorrindo, se insinuando sem pena, rebolando esse traseiro, às vezes, mordendo o lábio. Todos comentam. Sei que é interesse, mas dane-se. Quem disse que não posso me beneficiar?
— Gentileza não significa interesse!
Senti uma pontada forte na cabeça e pressionei minha têmpora com os dedos.
— O que você tem?
Tentou me alcançar.
— Eu nunca flertei com você ou com qualquer outro profissional desta empresa. Você está ficando louco, John?
Minha voz saiu embargada.
— Sai daqui seu nojento!
Empurrei o peito dele.
— E com passageiros?
Riu, uma gargalhada fria e sem humor,
com aquele olhar desapontado, acreditando que tinha o direito de se interferir
na minha vida pessoal.
— Sai da minha frente!
Expulsei com autoridade.
— Isso o que você fez foi totalmente errado e se enquadra em assédio. Vai assumir as
consequências!
— Está pensando em me denunciar?
Aproximou um passo, fazendo-me recuar.
— É esse o seu joguinho?
Tentou apertar meu maxilar, mas foi atacado outra vez.
— Sai!
— Você perde o emprego antes mesmo de levar qualquer calúnia até a direção!
Ameaçou-me, transformado de um jeito que nunca imaginei.
— Sua ingenuidade não me engana mais.
Soprou as palavras.
— Nem bem terminou o noivado e já estava grávida de outro. Você pelo menos sabe quem é o pai de seu filho, Solange?
— Sai! Sai daqui!
Empurrei-o para fora do quarto, puxei meu cartão de acesso e travei a porta, expulsando um choro de raiva, enojada e envergonhada por passar por aquilo no lugar que batalhei para alcançar respeito.
Com as pernas trêmulas, arrastei-me até o carpete do quarto e me deitei, selecionando o contato da minha melhor amiga e madrinha de Lucca.
Luh morava fora de Sardenha há um ano, mas me dava total apoio nos momentos de vulnerabilidade.
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Quase cinquentona🥴🥺😔😩
Imundo 😡🤮🤬
2025-02-09
0
Alisa TorYos
Oxi.....
Se tinha a madrinha, porque raios teve que considerar a bruxa quando a baba não estava disponível.
Algo aqui não bate.......
2024-08-13
2
Cleidilene Silva
Que mostro ela tem que denunciar ele.
2024-02-26
5