"E de surpresa em surpresa, o inesperado. E quando o inesperado lhe sorri, como não lhe sorrir de volta?"
Lorenzo Varrialle.
Corri para pequena criança que chorava.
— Dodói, Luquinha dodói!
Soluçou com os lábios trêmulos e a perna
erguida.
Assustado diante dos olhos familiares, segurei o pequeno sapato que
liberava um cheiro incrível de goma de mascar e fiz uma rápida conferência,
encontrando o motivo do choro no centro da base pálida do joelho esquerdo.
Não era nada grandioso, contudo, eliminava uma linha de secreção vermelha aguada, que escorria na direção da minúscula panturrilha e passava sobre um sinal amarronzado, idêntico ao que eu carregava desde o
nascimento.
Ele é meu?
Meu coração debateu feito um louco dentro do peito.
Era necessário estar em um nível elevado de confiança para não usar proteção em uma transa e, mesmo nunca me envolvendo emocionalmente com as mulheres que estiveram em minha cama, a evidência da falha estava escrita em cada traço da criança.
Sim, ele é meu, não tem como não ser!
Não percebi quando aconteceu, mas no momento seguinte, o pequeno estava em volta dos meus braços, sentindo o tremor das minhas mãos em seus cabelos, soluçando na curva do meu pescoço e infiltrando seu cheiro de colônia infantil em minhas narinas.
— Um pouquinho de remédio, tem?
Indagou.
Acomodei-o sentado sobre minhas pernas e passei a mão no rosto molhado, ficando mais surpreso com cada traço de semelhança.
— Oi, bebê.
Ele tinha muitos dentes na boca para ser considerado um bebê, mas "al diavolo questo", pois segundo o processamento do meu cérebro, o bolinho choroso não passava de um bebezinho recém-chegado.
— Remédio no dodói de Lucca.
— O seu…
Parei antes de testar a nova palavra.
— O seu dodói está muito forte?
Afastei os cabelos castanhos que alcançavam a curva do ombro. Era
assombroso, mas até o comprimento e a textura fina dos cabelos lembravam
os meus cabelos quando eu era criança.
— Luquinha muito felido. Ai!
— Onde está a sua mãe?
Passei meus polegares nos olhos do
menino e afastei mais da umidade excessiva.
— Quem trouxe você aqui?
— Catelina não gosta de Luquinha.
Não entendi claramente, mas consegui entedrr a tal Caterina.
— Esse é o nome da sua mãe, bebê?
— Mamãe não gosta de Caterina .
— Sua mãe não gosta?
Analisei a informação que não me ajudava
em nada.
— Tem papel na mochila.
— O quê, menino?
— Dento da mochila na costa de Lucca.
Ele bateu as mãos na alça grossa da mochila com uma esperteza surpreendente.
— Posso ver a sua mochila?
— Rum! mochila meu!
Resmungou com a fisionomia de menino bravo e finalizou com um soluço, o choro já se esvaindo.
— Não, bebê. Não vou pegar sua mochila. Só quero ver o conteúdo, o que tem aí dentro. Pistas sobre você, entende?
— Mochila de Luquinha! Tudo meu!
Cerrou o pequeno punho e escorregou para fora do meu colo, engatinhando até o triciclo, deixando o joelho ferido longe do chão.
Quando virou o pequeno veículo e se apoiou nele para se levantar, dando sinais de que estava bem, dei-me conta de que prendia a respiração.
A preocupação inesperada deu os primeiros sinais.
— Que loucura é essa?
Puxei uma longa respiração e pendi meu
corpo para trás, deitando minha cabeça na grama e olhando para o céu tão azul quanto a água do mar que enfeitava a vista de minha casa.
— Mãe, não brinca comigo, mulher! Eu precisava da senhora aqui, neste exato momento.
Gargalhei nervoso, lembrando-me dos momentos em que dona Pietra criava mil possibilidades a fim de requerer um neto.
Na remota possiblidade, eu não estava mais sozinho no mundo.
Existia um herdeiro do meu sangue antes mesmo de procurar uma barriga de aluguel para gerar meu filho. Cazzo! Sem planejamento, com uma mãe golpista, ou o que fosse, era problema.
Isso não se encaixava na minha ideia de família.
— Cateline fez uma carta pala você.
Um papel pousou sobre meu rosto. Depois de apanhá-lo, sentei-me rapidamente para checar o conteúdo.
"A Lorenzo Varrialle
Você não se lembra de mim, pois fui apenas uma distração casual, mas acredite, sou a mãe do seu filho.
Não procurei você antes, pois sou muito orgulhosa e acredito fielmente nos meus poderes de Mulher-Maravilha. Mas quer saber? Não dá mais para segurar tudo sozinha. Lucca tem um pai e ele precisa assumir responsabilidades.
Por enquanto, você só precisa ficar com o menino por alguns dias.
Vou buscá-lo a qualquer momento e esteja pronto para cumprir suas obrigações financeiras.
Lucca é saudável, mas o deixe longe de gelados e doces.
PREPARE O BOLSO!
Atenciosamente, Solange Moretti, mãe de Lucca, seu filho."
Olhei assustado para a criança, que agora retirava pequenas dinossauros coloridos de dentro da mochila e organizava sobre a grama.
Lucca?
— Cazzo!
Exclamei com as mãos na cabeça.
— Cazzooo?
O menino reproduziu em tom de curiosidade antes de erguer um dos dinossauros e correr com o vento como se voasse.
— Cazzo é muito legal.
— Não, não pode, neném!
Abracei o pequeno pelo meio da cintura e levei-o para dentro de casa.
Desorientado, tropecei no degrau da porta e por pouco não derrubei a criança.
Diavolo! Mil vezes Diavolo!
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Quase cinquentona🥴🥺😔😩
😍😍😍
2025-02-09
0
Quase cinquentona🥴🥺😔😩
Ohmodeuzi 😍😍😍
2025-02-09
0
Quase cinquentona🥴🥺😔😩
Oh meu Deus 🥺
2025-02-09
0