"Antes de fazer uma surpresa,certifique-se que a pessoa mais surpresa nao sera voce!"
Lorenzo Varrialle.
— Uau…
O bebê suspirou quando entramos na sala, o corpo frágil dividido por um de meus braços.
— Fica aqui.
Acomodei a criança sobre o sofá e praticamente corri os oito metros que separava a sala da academia.
Uma parte do meu cérebro dizia para não me importar com a origem de Lucca e denunciar a genitora por abandono de incapaz; a outra, alertava-me sobre os riscos de levar o assunto adiante sem saber exatamente com
quem estava lidando.
Para começar, eu só precisava jogar “Solange Moretti” nas principais redes sociais e torcer para encontrar menos de uma centena delas.
Alcancei o aparelho celular e saí da academia em passos largos.
Ainda no corredor principal, minha pele captou ruídos tempestuosos que, ao serem enviados ao processador interno dos meus ouvidos defeituosos, fizeram meus pés criarem asas.
Cheguei sem fôlego, com o coração pulando, e não senti muito alívio quando encontrei a criança encolhida no canto do sofá, observando os cacos de uma rara porcelana japonesa espalhados no assoalho.
— Cazzo! Só saí por um minuto!
Excedi-me, zangado com a desordem e com o perigo que ele se colocou ao mexer naquilo.
— Luquinha é pequeno, cliança ainda.
O menino fungou e uniu as mãos sobre o colo. Os lábios miúdos tremeram e os olhos castanhos encheram-se de lágrimas. Vê-lo segurando o choro trouxe um nó angustiante para minha garganta.
Eram os meus olhos, cazzo!
Tão durão, gracioso e invasor.
Não, eu não podia deixar aquele ser tão minúsculo me persuadir facilmente.
Era um prejuízo financeiro e ele precisava assumir as consequências dos atos desde cedo.
Uma boa advertência verbal não fazia
mal, apenas educava futuros grandes homens e mulheres.
— Dicupa…
Disse com os lábios trêmulos, desmanchando meus argumentos ao associar o murmúrio a um pedido de desculpa.
Não é possível! Controle-se, Lorenzo. Na possibilidade de ser seu filho, ele precisa ser bem educada desde cedo.
— O vaso…
Limpei a garganta para afastar o tom de completa rendição.
— O vaso escorregou sozinho?
Ele negou, movendo o pescoço de um lado a outro.
— Luquinha não consiguiu ver e queblo.
Murmurou entre o choro mudo, cobrindo a testa com a mão, culpando-se.
— Luquinha não gosta de catigo… Luquinha tiste.
Era quase impossível compreender a doce linguagem, mas também era inegável estar diante de uma boa negociadora.
Perguntei-me se já estudava se conhecia os números e as letras, se estava se preparando para o futuro…
Cazzo! Era só um bebê! Um bebê com grandes chances de carregar o
DNA Varrialle.
— Está tudo bem. Foi só um vaso de… cem mil dólares. Vou lá dentro pegar a vassoura para limpar essa sujeira. Não se levante daí, certo? Não pode sair do sofá, entendeu? Não estou bravo com você, mas não pode levantar se não pode se machucar feio.
— Totu fome. A barriga de Luquinha vazia.
Não entendi o que quis dizer, mas fiquei hipnotizado com a força do olhar expressivo.
— Quantos anos você tem, Luquinha?
— Um, dos, tês…
Ela fez a conta nos dedos e ergueu-os na minha direção.
Fascinante e esperto.
Eu precisava de uma prova concreta da paternidade, mas as evidências físicas eram reais demais para acreditar se tratar apenas de um golpe.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 85
Comments
Meire
eu sempre digo isso, na maioria das vezes quem quer fazer surpresa sai surpreendido!
2025-01-26
0
Teresa Jordão
Esse Lorenzo é maluco ou que?? kkkkkk
2024-12-18
0
Teresa Jordão
Madona mia! !
2024-12-18
0