"Considero o conhecimento de si mesmo como uma fonte de preocupações, de inquietações e de tormentos. Tenho-me frequentado o menos possível."
Solange Moretti.
Rio de janeiro,
Brasil,
Quarenta minutos antes.
Tomei uma longa respiração e esperei a porta do elevador abrir no penúltimo andar do Hotel.
Minha mão direita fria transpirava contra a alça da mala e a esquerda ensopava o aparelho celular. Eu sentia como se minhas pernas implorassem por descanso.
Não era sobre ter passado doze horas de salto alto, pois meu corpo já estava acostumado com a longa jornada de trabalho, tratava-se do
medo violento de ver o meu bem mais precioso em perigo.
Era isso que drenava todas as minhas forças.
O barulho da porta pesada se abrindo forçou meus pés a reagirem.
Sustentando o celular no ouvido, puxei a mala de rodinhas pelo corredor e meus olhos voaram em busca do quarto já conhecido, reservado pelacompanhia aérea.
— Solange, espera!
A grave voz masculina me chamou pela
sexta vez, mas continuei sem dar atenção.
Era John, o único piloto brasileiro da equipe.
— Ei, que pressa é essa, Sol?
O homem alto, forte e impecavelmente fardado conseguiu me acompanhar e parou à minha frente, impedindo-me de avançar.
— Desce comigo para jantar mais tarde?
— Vou pedir qualquer coisa no quarto mesmo, John. Nem estou com
fome.
Continuei com o celular no ouvido.
— Está tudo bem?
— Não tenho notícias da meu filho há duas horas.
— Ele não fica com alguém de confiança?
Perguntou inexpressivo.
— Com a mesma babá que me auxilia desde o nascimento. A moça é responsável e sabe que ligo a cada três horas para ver meu menino. É isso que está me deixando mais preocupada.
Desisti da ligação e abri aplicativo de mensagens. Para meu desespero, Luiza continuava off-line.
— Deus, que aflição!
Meu subconsciente jogou suposições horríveis e foi inevitável manter
o controle. Quando percebi, as primeiras lágrimas já estavam tomando conta
dos meus olhos.
— Calma, Solange.
O homem apoiou as mãos sobre meus
ombros e inclinou o rosto em uma tentativa frustrada de roubar a minha atenção.
— O celular da moça pode ter descarregado. Está tudo bem com o seu filho. Fica calma.
— Sou mãe, John, sinto quando algo está errado. Preciso ver Lucca! Preciso ver Lucca agora.
Mais lágrimas atravessaram meus cílios postiços, já pesados pelo excesso de delineador, que, assim como o batom vermelho e a sombra discreta, fazia parte das regras da corporação.
— Você está trabalhando muito, Solange. O estresse começou a te absorver. Toma um banho e desce comigo para relaxar um pouco. Deixa para ligar mais tarde.
Ah, vá procurar o que fazer, insensível! Fui grosseira em pensamento, pois não era louca ao ponto de ofender um colega de trabalho, ainda mais um piloto veterano e tão influente na companhia.
No auge de seus trinta e seis anos, John era um típico galã, desses que poderia facilmente ser escolhido para protagonizar o papel de piloto nos cinemas.
Ele foi o meu primeiro contato na companhia. Sempre gentil e atencioso, auxiliou-me nos momentos de insegurança na profissão.
Éramos bem próximos, mas quando voltei da licença-maternidade, por alguma razão
desconhecida, ele se distanciou drasticamente.
Há alguns meses vinha tentando se reaproximar, mas agora eu que fazia pouca questão de sua companhia.
— Vou tomar banho e continuar tentando contato.
Afirmei.
— Se não houver resultado, vou dar um jeito de voltar ao Brasil antes da equipe.
Talvez eu consiga uma passagem para amanhã.
— Solange, pensa com calma. Seu filho, certamente, está bem. E você não pode arriscar a boa oportunidade que está surgindo.
John disse, desenrolando sorrateiramente o cordão que sustentava o cartão de
acesso ao meu punho.
— Venha.
Abandonou a mala dele e puxou a minha na direção do quarto informado no cartão.
— Oportunidade, John?
Aérea, segui atrás dele. O homem passou o cartão no painel, arreganhou a porta do quarto e esperou que eu entrasse para fazer o mesmo na sequência, sem ser convidado.
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Quase cinquentona🥴🥺😔😩
Eu acho que ela quis dizer, voltar para Itália, né mesmo!? 🥴
2025-02-09
0
Alisa TorYos
hmmmm.....
Ela não disse que estava no rio de janeiro, Brasil quando estava em ligação com o Lorenzo?
Como que agora diz que vai voltar para o Brasil?Afinal a história se passa aonde que até agora não falou.
Boiei legal aqui......kkkkkk
2024-08-13
2
Patrícia Barbosa Ferrari Buchud Alves
Sexto sentido de mãe nunca falha
2023-11-05
6