Pai possessivo

"O bom de não parar planejando o futuro, é se divertir mais com cada inédita surpresa."

Lorenzo Varrialle.

— O meu nome é Lorenzo. Alguém já te falou sobre mim?

Interroguei.

— Lolenso…

Bateu o minúsculo indicador contra a têmpora.

— Lolenso, não.

— Sua mãe, ela…

Firmei o indicador e polegar contra meus olhos e reorganizei as ideias, livrando-me da vontade de apertar as bochechas

polpudas.

— Como é a mamãe?

Além de irresponsável. Julguei em pensamento.

— Munita.

— Bonita?

— Celoza…

Franziu o pequeno nariz.

— Cheirosa?

Cristo, preciso de uma ajuda confiável.

Abri o aplicativo de mensagem instantânea do celular e fiz uma chamada de vídeo para o meu diretor de tecnologia.

— Fala, Lorenzo!

Andrea falou descontraído do outro lado da tela.

— Está sozinho?

Indaguei, vendo-o sentado na poltrona de sua

sala, na sede da Varrialle em Sardenha.

Meus líderes costumavam deixar a empresa depois das duas da tarde durante os sábados.

— Estou. Aconteceu alguma coisa?

Vi linhas de expressão se formarem na testa do meu amigo de infância.

— Deixaram uma criança aqui, na porta da minha casa.

Despejei a informação.

— Cazzo, cazzo! Já chamou a polícia?

— Andrea, é um menino de três anos. E não duvide, é um pequeno Lorenzo Varrialle esculpido em carrara.

— Lorenzo, você não está bem, pode ser impressão sua. Sua cabeça está recriando sua imagem na criança. Por que não entra em contato com a agência lá na Itália e inicia o processo da gestação por substituição, do

jeito que você planejou, sem genitora por perto? Ter um filho, alguém para se apegar, vai te fortalecer.

— Para, estou bem! É só uma fase.

Interrompi a ladainha que promovia qualquer nota de minhas fraquezas.

— Quanto o menino, é mesmo minha imagem e semelhança.

— Certo.

Concordou meio incrédulo.

— Você não é vasectomizado?

— Sou. E não consigo entender o motivo para tanta semelhança.

— Então, você, provavelmente, dormiu com a mãe dele antes ou durante a quarentena do procedimento.

Repuxei meus cabelos do couro cabeludo. Eu não conseguia me lembrar, mas era a única explicação.

— Sempre fui cuidadoso, Andrea.

— Lorenzo, pensa com calma.

Andrea estreitou os olhos, prestes a iniciar uma de suas resenhas.

— Uma pegada diferente, um desvio de

percurso, hein? Aquela chave de coxa bem reforçada, apenas alguns segundos de animação, couro duro na carne macia. É mais gostosinho, admita.

Soltei um palavrão e vi olhinhos claros e curiosos me espiando. Ele era muito novo para entender certos assuntos, então não vi problema em falar abertamente.

— Preciso encontrar a genitora, Andrea, dar o que ela deseja em troca da guarda e mandá-la para bem longe.

— Entra aí e fecha a porta. Lorenzo teve um filho. Acabou de descobrir. Abandonaram o menino na porta dele.

Ouvi meu amigo passar a informação em questão de segundos, sem autorização.

— Quem está aí?

Protestei.

— É o Luigi, fica tranquilo.

Andrea sorriu despreocupado, como se

não tivéssemos um problema para destrinchar.

— Senta aí, amigão. Tomou a

camomila? Está melhor?

Ouvi Luigi, um grande amigo e diretor financeiro da Varrialle, resmungar ao fundo.

— Vou precisar de sua ajuda, Andrea. Solange Moretti é a única informação que tenho sobre a mãe do menino.

— Me deixa ver a criança.

O pedido veio de Andrea.

— Agora não. Ele é muito pequeno e está assustado. Chorou, rolou na grama e foi deixado com um desconhecido.

— E assim nasce um pai possessivo.

Zombou o bastardo.

— O menino tem sotaque italiano?

— Ele mal conhece as palavras. Tem sotaque de bebê.

Deitei minha cabeça no encosto do estofado, sentindo como se um peso gigante estivesse caindo sobre minhas costas.

— Vou te enviar a senha e usuário do

monitoramento remoto. Você consegue acessar as imagens do DVR através

do aplicativo?

— Essa pergunta me ofende, Lorenzo.

Andrea ralhou.

— Mas o serviço vai custar caro. Cinco pizzas da praça, completas e com bastante pimenta.

Melhor trazer sete. Agora que Cíntia está comendo por dois, vai me persuadir até ficar com os meus.

Já passava das treze horas. Só naquele momento meu estômago reclamou por comida.

— Veja o que consegue encontrar. Quem deixou o menino estava em um bug velho. Foi agora há pouco. Não faz vinte minutos.

— Ah, ele é tão fofinho. Cadê o rapazinho do tio?

Ouvi a voz infantilizada do meu amigo e levei os olhos para o aparelho jogado sobre meu

colo. O menino estava com o rosto na frente da tela.

— Parece mesmo com o sacana. Veja isso, Luigi!

— Quelo a mamãe.

— Olha, ele quer a mamãe.

Andrea paparicou.

— Você não está mais sozinho, Andrea. Logo estaremos todos trocando fraldas.

— Mais um pobrezinho abandonado por uma cagna irresponsável. Se prepara para viver em um inferno!

Ouvi meu diretor financeiro resmungar suas próprias frustrações pessoais.

— O seu amigo está arrotando brasa. A ex-mulher esteve aqui mais cedo e botou para Fanculo com ele. Um bafafá do cazzo.

Andrea jogou os olhos para a lateral esquerda e ouvi alguns xingamentos do cara ao seu lado.

Luigi estava passando por um processo de separação exaustivo que o deixava cada dia mais ácido.

— Vai para casa, Luigi!

Aconselhei e apenas ouvi um baque na

porta.

— Ele foi. O que me deixa preocupado.

Andrea tomou uma respiração

profunda e assumiu o semblante preocupado. Era um brincalhão, mas tinha

um coração capaz de caber o mundo.

— Retorno quando descobrir algo. Vou tentar acompanhá-lo.

— Sigilo absoluto sobre o menino. Além de vocês, absolutamente ninguém deve saber.

Desliguei o telefone e me senti desconfortável diante da força dos

olhos que me fitavam de perto.

— Tem comida?

Um sorriso angelical pintou nos lábios dele e suas pequenas mãos envolveram a barriga, evidenciando braços com dobrinhas de

gordura. Foi estranho, mas confesso que tive vontade de apertar aquelas bochechas fofinhas.

— Menino, vamos combinar assim: eu não sei quem você é, mas por alguma razão que ainda desconheço, não temos apenas olhos idênticos. Vou cuidar do seu joelho, limpar essa desordem e tentar descobrir a sua origem. Enquanto isso, fique sentado aqui e não toque em nada. Quietinho, estamos

entendidos?

Tentei uma negociação clara.

— A barriga de Luquinha plecisa…

Apertou a barriga e friccionou os olhos.

— Muita fome. Ai!

— Fome? Você está com fome, é isso?

— Nada na barriga de Luquinha.

Continuou com os olhos fechados.

— Fome. Certo! Vamos para a cozinha.

Peguei o menino no colo e dei a volta nos estilhaços do chão.

— O que você quer comer?

— Um plato bem glande.

— Pão? Pera?

Segui tentando entendê-lo.

— Melancia, banana…

— Na-na-não, Lolenzo. comida, arroz, macalão, batata, cenola...

Que criatura terrivelmente cativante.

Eu não tinha como me lembrar de todas as mulheres que estiveram em minha cama, era como procurar uma agulha no palheiro, mas se o menino fosse realmente meu, seria fácil requerer a guarda dele e mantê-lo sob meus cuidados.

Uma mãe irresponsável, capaz de entregar o filho nas mãos de um desconhecido, não poderia ser boa influência. Seria um grande problema mantê-la por perto.

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Comments

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Quase cinquentona🥴🥺😔😩

Enquanto conversa, a criança fica com fome .🥴

2025-02-09

0

Meire

Meire

estou apaixonada pelo Luquinha!
ele é muito fofo!

2025-01-26

1

Anilda Alves da Cruz

Anilda Alves da Cruz

que fofo /Facepalm/

2024-08-15

1

Ver todos
Capítulos
1 De luto
2 Pequena cópia minha
3 Ele é meu filho.
4 Sem argumentos
5 Pai possessivo
6 Tudo sob controle.
7 Diabetes?
8 Insulina
9 Preocupações.
10 Assédio
11 O pai de Lucca
12 Traição.
13 A tentação
14 O Garçom.
15 O conquistador
16 A entrega.
17 O incidente.
18 O despertar.
19 Dona Pietra
20 Lembranças.
21 Aprendendo a ser pai.
22 De votar ao hotel
23 Assediador.
24 Fruto daquela noite
25 Ela era um anjo
26 Olhares curiosos
27 Jurema
28 Então, ele é seu filho?
29 Onde está meu filho?
30 Apavorada
31 Seja forte.
32 Comissária de bordo.
33 Tenho orgulho do que faço.
34 Cazzo
35 Luxo.
36 Sanidade.
37 Ainda estou de luto.
38 O nome da empresa.
39 Brasília amarela.
40 Lamentável.
41 Companhia aérea.
42 Mais rápida que o vento.
43 Italiano português.
44 Vulnerável.
45 Ciúmes
46 Um beijo inocente.
47 Não vou morar com você!
48 Você o matou?
49 A buzina.
50 Um bom pai
51 O resultado do D.N.A
52 Ninguém me tira daqui hoje a noite
53 Eu sou seu pai, Lucca.
54 Sugar daddy
55 Ele mexe comigo.
56 Pesadelos.
57 Bajulador.
58 T&são total.
59 Carícias
60 De joelhos.
61 Fofocas
62 Sem joguinhos.
63 Ciúmes
64 Armadilha
65 Camisola Vermelha.
66 totalmente perdida
67 O pedido...
68 Carinhos e carícias
69 curiosa.
70 capítulo de despedida.
71 resoluções e imprevistos
72 sermões
73 Rascunho
74 Esperando vocês.
75 cafajeste
76 ajuda
77 Loucura
78 Revelações
79 Flagrante
80 O assediador
81 O pai de Solange.
82 felicidades.
83 O fim
84 Agradecimentos finais.
85 atenção
Capítulos

Atualizado até capítulo 85

1
De luto
2
Pequena cópia minha
3
Ele é meu filho.
4
Sem argumentos
5
Pai possessivo
6
Tudo sob controle.
7
Diabetes?
8
Insulina
9
Preocupações.
10
Assédio
11
O pai de Lucca
12
Traição.
13
A tentação
14
O Garçom.
15
O conquistador
16
A entrega.
17
O incidente.
18
O despertar.
19
Dona Pietra
20
Lembranças.
21
Aprendendo a ser pai.
22
De votar ao hotel
23
Assediador.
24
Fruto daquela noite
25
Ela era um anjo
26
Olhares curiosos
27
Jurema
28
Então, ele é seu filho?
29
Onde está meu filho?
30
Apavorada
31
Seja forte.
32
Comissária de bordo.
33
Tenho orgulho do que faço.
34
Cazzo
35
Luxo.
36
Sanidade.
37
Ainda estou de luto.
38
O nome da empresa.
39
Brasília amarela.
40
Lamentável.
41
Companhia aérea.
42
Mais rápida que o vento.
43
Italiano português.
44
Vulnerável.
45
Ciúmes
46
Um beijo inocente.
47
Não vou morar com você!
48
Você o matou?
49
A buzina.
50
Um bom pai
51
O resultado do D.N.A
52
Ninguém me tira daqui hoje a noite
53
Eu sou seu pai, Lucca.
54
Sugar daddy
55
Ele mexe comigo.
56
Pesadelos.
57
Bajulador.
58
T&são total.
59
Carícias
60
De joelhos.
61
Fofocas
62
Sem joguinhos.
63
Ciúmes
64
Armadilha
65
Camisola Vermelha.
66
totalmente perdida
67
O pedido...
68
Carinhos e carícias
69
curiosa.
70
capítulo de despedida.
71
resoluções e imprevistos
72
sermões
73
Rascunho
74
Esperando vocês.
75
cafajeste
76
ajuda
77
Loucura
78
Revelações
79
Flagrante
80
O assediador
81
O pai de Solange.
82
felicidades.
83
O fim
84
Agradecimentos finais.
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