"Nem chega a ser útil saber o que acontecerá: é muito triste angustiar-se por aquilo que Ainda não aconteceu.
Solange Moretti.
Liguei para Luh, que já estava tentando contato com os familiares da babá, que eram conhecidos dela.
— Sol, eu já ia te ligar. Fica calma.
Luh disse, nervosa, e aquela última frase fez um corte na minha alma.
— O que aconteceu com Lucca?
Sentei-me no carpete, apoiando as costas na cama.
— Onde está meu filho?
— Falei com o primo de Luiza agora. A mãe dela sofreu um AVC e a Sara precisou viajar às pressas. Estava tão atormentada que esqueceu o celular. Lucca está com a sua mãe.
— Não!
Cobri minha testa com a mão e tremi da cabeça aos pés conforme uma enxurrada de preocupações me assolava.
— Ela vai deixar meu filho ao relento, Luj. Não sabe medir a glicose…
Estendi a mão, puxei a mala e abri o zíper em busca de roupas limpas.
— Preciso voltar a Itália agora.
— Você está do outro lado do mundo. Eu preciso que se acalme! Me passa o número da sua mãe que vou dar uma dura nela.
— Não, não, eu faço isso. Já te ligo.
Encerrei a ligação e selecionei o número da mulher que me gerou por nove meses. O telefone nem sequer chamou.
— Ahhhh!
Rugi, friccionando as pálpebras, tomada pela
impotência e culpa.
Em um piscar de olhos, tudo girou ao meu redor e senti uma fisgada tão forte na cabeça que minha audição falhou.
Fizeram alguma maldade contra meu filho. Isso foi a primeira coisa que veio em minha mente quando reagi à dor.
Desorientada e tonta, puxei a primeira peça de roupa da mala e, sem perder tempo, liguei na companhia aérea para pedir ajuda.
Expulsei todo o meu desespero nos ouvidos da responsável que estava de plantão; uma mãe que entendeu a minha situação com empatia.
Fui dispensada por cinco dias e
consegui uma passagem para a noite de domingo, com a condição de fazer
avaliação médica antes da viagem.
Joguei o celular sobre a cama e comecei a arrancar todo o uniforme do meu corpo.
Precisava entrar na água fria para reagir e afastar as reações negativas.
Até chegar a Itália, eu precisava ver Lucca e saber que ele estava seguro.
Tirei os saltos. Deixei apenas o conjunto de lingerie cobrindo meu corpo, pois, ao longo dos anos em hotéis pelo mundo, adquiri o hábito de não tomar banho totalmente nua.
Antes de me livrar do quepe vermelho preso à
minha cabeça e entrar no banheiro, o telefone tocou sobre a cama.
Era Luciana.
— Você acredita que Catarina desligou o telefone, Luh?
Joguei-me no carpete, levando o aparelho celular comigo.
— Sou capaz de fazer uma loucura se alguma coisa acontecer com o meu menino. Eu acabo com ela, juro que acabo.
— Não fala assim, Sol. É para isso que existem as amigas. Esfolo a cara dela outra vez.
— Consegui uma passagem para domingo. Vou procurar o número do vagabundo do meu padrasto e implorar para ele cuidar de Lucca.
— Sol, respira, amiga. Pasqualini e sua mãe são farinha do mesmo saco.
— Não tenho alternativas, Luh. Me ajuda a pensar.
— É o pai de Lucca???
— Sou o pai e mãe de Lucca, Luh.
Declarei em discordância.
— Me escuta Sol. Uma colega blogueira que está aqui comigo me disse que o pic@ de mel está na casa de praia em Sardenha.
— Contou para ela que ele teve um filho comigo?
Esfreguei meus olhos e lutei contra o soluço.
— Deus, o que mais falta acontecer?
— Jamais contaria um segredo nosso, Solange. Foi apenas uma informação necessária em um momento oportuno. Você precisa falar com o bonitão para buscar Lucca com a sua mãe e cuidar dele até você chegar.
— Como vou chegar para Lorenzo Varrialle e dizer que ele tem um filho, Luciana? Tem três anos e nove meses desde aquela festa! O homem nem sequer se lembra da minha existência. Vai me dar atenção em vinte dias,
quando sair o resultado do DNA. Preciso de ajuda agora.
— Estou com o número pessoal dele aqui. Deixa que peço ajuda. Tenta se acalmar. Lucca precisa da mãe viva.
— Espera!
Passei a mão contra meus olhos e engoli o choro e o orgulho. Era meu filho, minha bebê. Independentemente da porta na cara,
acusações e julgamentos, vê-lo seguro era a minha prioridade.
— Ele está em Sardenha, tem certeza disso?
— Sim, ele está de caso com a irmã do namorado da minha colega. A garota foi dispensada por telefone na quinta-feira, quando ele, supostamente, viajou sozinho para Sardenha. Ela tem quase certeza de que ele tem outra lá.
— Certo!
Titubeei, nenhum pouco interessada nos casos do pai de Lucca.
— Só preciso colocar meu filho em segurança… Com um desconhecido.
— Ele é desconhecido, mas é um homem público, Sol. Acabamos com ele se algo der errado. Pior é deixar Lucca com a desvairada da tua sua mãe, aquela irresponsável
sem escrúpulos.
— Sim, não tenho escolhas mesmo. Me envia o contato. Retorno depois. Obrigada por tudo.
Finalizei a ligação e fitei o celular na palma da minha mão direita. Foi questão de segundos para o contato chegar.
Suspirei ante o silêncio do quarto e transpirei insegurança ao ver o pequeno círculo com a imagem autoconfiante do homem poderoso de olhos claros e pele tatuada.
Lorenzo Varrialle, o sedutor que me acolheu entre os braços em um momento de vulnerabilidade, deixou-me insana, de pernas bambas e com um filho no ventre.
Anos me esquivando daquela conversa importante para jogar a verdade assim, subitamente, em desespero.
Cliquei sobre o contato. Não havia tempo para pensar nos postos e nos contras.
Tratava-se da segurança do meu filho e, por ele, eu passava sobre o medo e orgulho.
Pressionei o contato, iniciando uma chamada de vídeo para o pai de Lucca.
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Quase cinquentona🥴🥺😔😩
Por quê? Já encontrou câmeras escondidas ? 🤔
2025-02-09
0
Micheline Henrique
muito bom
2024-12-18
0
Drica
parabéns autora amando.
2024-12-17
0