Aproximei da mulher chorosa com desgosto pedindo para parar o teatro.
— Acha que vai me enganar para sempre com essas lágrimas falsas?
— Meu amor, vida. Por que me trata dessa forma?
Bati em seu rosto para ter a sensação daquela que jamais deveria ter machucado.
— SABE O QUE FEZ COMIGO TODO ESSE TEMPO? COMO PODE MATAR MEUS PAIS QUE TANTO A AMOU?
Seu rosto perdeu a cor.
Olhando desesperada para mim em prantos implorando pra lhe ouvir.
— NÃO! JAMAIS COMETERIA ESSE CRIME! SABE O QUANTO SOFRI COM A MORTE DELES! EU OS AMAVA!
— MENTIRAS! E MENTIRAS! — A empurrei no chão.
— Querido. — Tentou me tocar.
A porta se abriu com seus pais invadindo a mansão com seus homens e meu tio ao lado. Anabela parou o choro ficando de cabeça baixa e Sussurrou.
— Se pelo menos tivesse outra escolha.
Senti o punhal atravessar meu estômago e o sangue subir minha garganta. Ouvi os gritos de meus avós vendo a mansão ser destruída com a invasão de vários homens.
— Bom trabalho, minha amada filha. — Seu pai tocou seu ombro puxando para o lado do meu tio.
— Minha querida, foi muito difícil, eu sei. — A beija.
Meus velhos colocados de joelhos com armas apontadas para a cabeça.
— Pai, isso é culpa toda sua. Deveria ter se aposentado, sou eu que mereço liderar a família. Me deixando de lado para colocar esse estúpido moleque.
Minha avó chorava em silêncio se recusando a olhar o próprio filho que quer sua vida.
— Mãe me perdoa, vou te mandar para um lugar onde não vai sofrer.
— PARE SEU MALDITO, BASTARDO, LOUCO!
Gritei com todas as minhas forças.
Tentei me levantar para impedir a morte de meus velhos, os únicos que sobraram nessa vida injusta que tive.
— Anabela a honra é toda sua.
Como justiceira... Não.
Como um demônio entrando com o segundo ramo da família ao lado e vários dos assassinos que criamos entraram na porta.
Andreia estalando fogo ao pisar, queimando o ar com veneno. Rindo do canto da boca enquanto chuva de balas matam os traidores.
Anabela corre por sua vida, meu tio caído com uma ferida no peito de frente para mim. O pai de Anabela ferido no ombro correndo, os selvagens homens sumindo em bando atrás de suas presas.
Uma cena que terei pesadelos por um longo tempo, vendo as garras da morte arrastando o homem ferido.
— Andee...— Gaguejei vendo a maldade no olhar dela e a fome de sangue no seu sorriso.
— Por favor, deixe tirar minha esposa daqui. — Pede, meu avô, tampando a visão da minha avó.
Ela acenou com a cabeça num vermelho sanguinário de alguém sem paciência para esperar.
— Andreia. — A chamei com medo de ser uma vítima do seu intenso ódio.
Virando a cabeça me olhou de rabo de olho, mandando me calar e ficar apenas com os olhos.
Fiquei parado de joelhos vendo a punição do meu Tio.
— MALDITA! LOUCA, DOENTE! — Ele grita sendo amarrado numa cadeira.
— Deve estar se perguntando como isso aconteceu? Será que devo lhe dizer? — Ela diz em deboche.
— ME MATAR VAI PROVOCAR UMA GUERRA! TENHO TODOS AO...
Vimos adentrar o chefe da instalação do que deveria ser o orfanato. Sua presença significa que estão do lado de Andreia, não do nosso sangue, não da família que por gerações os mandou cometer vários tipos de crimes.
Do lado de uma mulher que queima ódio.
— Mestra, infelizmente os outros fugiram. — Diz se curvando.
Ela tocou a cabeça dele o fazendo ficar de joelhos para o nosso espanto.
— Não tenho pressa para os destruir.
— NÃO PODE ME MATAR! EU SOU O CHEFE DE VOCÊS! O ÚNICO LÍDER QUE VAI Mantê-los! SOU O ÚNICO CAPAZ DE...
— Shiiii! — Coloca o dedo na sua boca. — Não vou lhe matar, não da forma que imagina. — Sorri gentil.
Do bolso do paletó, o chefe da instalação tira o mesmo veneno que tirou a vida do meu avô.
— Este é o seu tratamento especial.
— NÃO! PARE! NÃO FAÇA ISSO! SOU O LÍDER DA FAMÍLIA, BORIS NUNCA TERÁ A CAPACIDADE DE OS LIDERAR!
Andreia continua sorrindo gentil.
— Ele não vai, meu cachorro só serve para ser escudo.
Seus homens levam meu tio da casa enquanto ela olha a bagunça que ficou na mansão.
— Como?
— Por que devo lhe falar?
— Andreia se não fosse por você, meus avós...
Não consigo dizer o quanto devo para ela, crescendo minha dívida.
— De verdade, sinto muito. — Choro, abaixando minha cabeça do piso. — Sinto muito, por tudo.
O arrependimento de tudo bate como uma bala de canhão chocando contra o muro.
— Seus pedidos não significam nada pra mim.
— Eu sei. — Continuei abaixado, soluçando em choro.
Andreia saiu da casa do mesmo modo que entrou, seus homens ao lado, pronto para cumprir todas suas ordens.
O lugar que tanto almejei conquistado em um dia pela mulher que desprezei, humilhei.
E este é só o começo do seu ódio.
Enquanto estou envolto do arrependimento vejo linhas negras grudando cada vez mais na alma dela, emaranhado do rancor, cegada toda a luz de seus olhos.
Vi as imagens do que fiz de ruim, ouvindo uma risada malévola de um ser que não pode ser desse mundo. Tremi num medo enorme vendo o sorriso desse ser aproximar.
— Viu, o trabalho maravilhoso que fizemos?
Arrepiei completamente pela voz grotesca.
— Por que está fazendo isso?
— Por diversão? Por simpatia? Talvez por passar vários anos sem nada pra fazer.
— Devolva a alma de minha mulher!
— Não fui que a tomei, nem serei eu que a condenarei.
Tentei pegar aquele ser, acordando assustado no meio da noite com o curativo do médico da família.
Com a horrível sensação de estar perdendo a mulher que verdadeiramente amo.
Tudo devido aos meus pecados.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Ilma Matias da Cruz
nossa ela vai volta a ser humana de novo
2024-07-01
1
João Wellington campos
tá muito confuso parei por aqui
2024-05-16
1
celes conde Conde
tá estranha não tô entendendo nada eles não se mataram?
2024-03-22
2