Henrique saiu desnorteado do guarda-roupa. A ressaca não estava simpática. Além disso, sentia ter ouvido uma conversa que não deveria, mas o deixou bastante curioso quanto a ela. Questionava se realmente Júlia era uma mimada ou havia mais sobre ela do que poderia imaginar.
— Podemos esquecer o que aconteceu na noite passada? Foi um erro. Que eu não pretendo repetir. Estava fora de mim. Tenho absoluta ciência que você tentou ao máximo evitar, mesmo estando bêbado, mas eu insisti bastante. Está tudo bem. Vamos fingir que a noite passada não aconteceu. — Júlia disse sem jeito. Se não era capaz de ficar na presença de Henrique sem se sentir agitada, quem dirá lidar com o que fizeram na noite passada.
— Posso fazer isso, mas quero algumas respostas. Eu sei que é algo íntimo seu, mas eu preciso saber. De uma forma estranha, me envolve e até a forma que você me trata. Posso ter tido uma interpretação equivocada sobre você. Poderia me explicar que história é essa que conversou com seu pai? — Henrique questinou. Havia entendido de leve tudo, mas queria uma explicação melhor. Talvez fosse aquilo que ele estava buscando.
— Podemos sentar. A história é longa. Parece justo que você saiba. Posso agir de forma estranha por causa disso. E talvez até a noite de ontem tenha um pouco de influência. Confundi você com outra pessoa quando estava drogada. Na minha cabeça, não era você. Até pensei que era um sonho. — Júlia explicou. O que deixou Henrique incomodado. Nunca tinha ouvido alguém dizer abertamente que dormiu com ele pensando em outra pessoa.
— Basicamente, você usou meu lindo corpo enquanto desejava estar com outra pessoa? Que malvada. — Henrique brincou.
— Não, idiota. Eu realmente pensei que você era ele. Desde a primeira vez que te vi achei que fosse outra pessoa. Por um segundo, quis acreditar nisso, por isso te salvei naquele dia. Se você tivesse outro rosto, eu não teria me colocado em tanto problema por sua causa. No máximo, teria ligado para a polícia, deixado você lá para que eles resolvessem, mas sua enorme semelhança com alguém que amei muito. Por um segundo, pensei que se te salvasse, era como salvar ele, já que não pude fazer isso, mas aos poucos me dei conta que não era ele, mesmo assim, sua presença ainda me lembrava tanto dele, que me machucava, incomodava. Sua personalidade também não ajudava. Então, apenas quis me afastar. Pareceu mais fácil para lidar com a situação. — Júlia assumiu. Tinha decidido seguir os conselhos do seu pai. As ideias dela para lidar com a situação não estavam funcionando, então achou que não faria mal tentar seguir as ideias de outras pessoas.
— Quer dizer que eu te lembro de um ex que te abandonou? A tal ponto que quando estava bêbada conseguiu confundir nós dois? — Henrique estava surpreso. Não esperava por isso, mas juntando as peças, as falas e conversas misteriosas da família de Júlia com ela e até mesmo alguns comentários feitos para ele, muitas coisa começaram a fazer sentido.
— Não, ele não me abandonou. Você entendeu errado. Aconteceu quando eu era um pouco mais nova. Tinha meus dezesseis anos. Foi meu primeiro amor. Se pensar bem, ele foi meu primeiro tudo. Foi um amor intenso, que me consumiu. Ele era alguns anos mais velho. Era um veterano onde eu estudava. Eu estava no primeiro ano e ele no último. Não sabíamos muito um do outro, na verdade, até hoje não sei muito sobre ele. Quando estávamos juntos, só existia nós dois. Nosso mundo. Nunca falamos sobre a família dele ou se sei lá, ele estava metido em problemas. Com o tempo, começou a frequentar minha casa, conheceu meus pais. Até fiquei ansiosa para conhecer os dele, mas me disse que não era a hora ainda. Deixei para lá, Não saímos muito. Era da escola aqui para casa. Tanto que aqui no morro, ninguém o via. Sempre ficávamos dentro de casa. Como a felicidade não dura para sempre. Certo dia estávamos voltando da escola, um motoqueiro atirou várias vezes nele. Até hoje não sei se aqueles tiros eram para mim ou para ele. Como não sabia detalhes sobre sua vida pessoal, não havia como saber. Algo era óbvio. Pela quantidade de tiro. Foi uma execução. — Júlia explicou.
— Desculpa. Eu não fazia ideia. Realmente deve ser doloroso para você lidar com alguém tão parecido com quem amou. — Henrique estava sem jeito.
— Desde o começou eu não lidei bem com isso. Talvez por ser meu primeiro amor, foi tudo tão intenso. Senti meu mundo desabando. Entrei uma depressão enorme. Me afastei de todos. Não quis sair do quarto. Comecei a beber e me drogas. Cheguei até a me cortar algumas vezes. Eu estava totalmente destruída. Até que... — Júlia foi interrompida por Janaína entrando com tudo no quarto.
— Temos um problema. — Janaína disse ofegante.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Joselia Freitas
Será que é parente dele,🤔😞
2024-01-06
2
Edna anjos
Quando que NÃO tem problema na vida .,principalmente para quem mora no morro Janaina .
Dificil ter um Dia de Paz
2023-06-06
2