— Júlia, tu tá me tirando? Espero que não seja mais uma brincadeira sua. Por hoje já deu, né?— Dinamite disse olhando sério para filha.
— Quer que eu faça o quê? Deveria ter deixado ele morrer naquela calçada? Ou jogar ele no pé do morro desnorteado com uma torrada? Que tipo de filha você acha que criou? — Júlia sabia o quão seu pai era cauteloso, mas era impossível não cuidar daquele homem. Era mais forte que ela.
— Gostei da ideia do pé do morro e uma torrada. Ele que lute. A vida não é fácil para ninguém. Está vivo. Deveria agradecer a Deus porque não meti uma bala na cabeça dele quando abriu a porta. — Dinamite disse saindo do quarto irritado.
— PAPAI! O que será que a mamãe vai achar de você escorraçar a pessoa que salvou a filha da sua única filha? — Júlia gritou. Sabia qual era o ponto fraco de Diamante. O seu pai parou no meio da escada, olhando para filha.
— Vou pedir a Faísca para levar ele. Se for morto, a culpa não é minha. Vou deixar tudo com ele. E mande esses dois fazerem menos barulho quando tiver usando minha casa de motel. — Dinamite respondeu descendo as escadas.
— Tá. — Júlia sorriu. Estava aliviada por ter conseguido convencer seu pai.
— Quero ver esse sorriso aí garantir a vida desse louco na mão do Faísca. Sabe muito bem como ele é quando se trata de você. — Dinamite disse antes de sair.
Do lado de fora, Dinamite explica para Faísca sobre a situação, deixando de fora o fato da semelhança do homem com alguém bastante familiar. Estava até mesmo um pouco aliviado por ele não ter notado. Sabe que sua filha tem algo bastante parecido com sua esposa. Quando elas decidem algo, elas fazem. E se Faísca levantar a mão para aquele desconhecido, as coisas poderiam sair do controle.
— Sem conflito. Apenas faça o que Júlia pedir. Pegue um dos carros blindados já que você vai. Ela não é conhecida, mas você é. Leve ele em um hospital particular. Será mais rápido assim. Júlia paga tudo no cartão dela. — Dinamite orientou Faísca.
— Vou providenciar isso agora mesmo. Aviso a Júlia sobre o pagamento ou já conversou com ela sobre isso? — Faísca questinou.
— Não preciso. Ela vai fazer isso de toda forma. Vou indo. Está chegando uma carga nova. Quero ver se é das boas. — Dinamite disse antes de subir na moto e cortar o morro.
Júlia se trocou e desceu, sentou no sofá olhando o feed do Instagram enquanto esperava o desconhecido terminar seu banho. Quando ouviu a porta do banheiro se abrindo, olhou surpresa. O homem era ainda mais bonito depois de tomar banho. E a familiaridade apenas aumentava, parecia apenas um pouco mais velho. O homem ao sair do banheiro, notou que sua salvadora o olhava, antes disso, não havia conseguido reparar em Júlia por tudo que havia acontecido. Pela primeira vez presta atenção na loira sentada no sofá com um olhar curioso em sua direção.
— Olha, você não lembra de nada, certo? Nadinha, nadinha? — Júlia perguntou para confirmar. O banho poderia ter clareador sua mente. Tenho 19 anos. Estamos no morro do Papagaio. Também não faço ideia de quem é você, mas por enquanto, vou te chamar de Henrique. Quando estava voltando da faculdade, quando te jogaram de um veículo em alta velocidade na pista. Você não parecia bem e eu te trouxe para casa. Não tenho muitas respostas sobre você. Estava sem celular ou documentos. — Júlia respondeu.
— E quem é o homem super simpático que apontou a arma para minha cabeça? — Henrique questinou.
— Ah! Ele é meu pai. Pode chamar ele de Dinamite. Assim que o chamam aqui no morro. De qualquer forma, vamos indo, Faísca vai nos levar até o hospital, você precisa fazer alguns exames. Para saber o que aconteceu com você. Depois vejo o que faço com você. — Júlia explicou. Havia um misto de sentimentos quando olhava para ele. Nostalgia e raiva. Ela queria ajudar o desconhecido o maior rápido possível e se afastar dele.
— Faísca? Seu namorado? — Henrique perguntou.
— Ah, não é bem assim. Ele é um dos homens de confiança do meu pai. O único que ele deixa aproximar de mim ou entrar na casa. Então, vamos indo? — Júlia levantou indo em direção à porta de saída de casa. Henrique a seguiu sem perguntar mais nada.
Do lado de fora, Faísca já estava esperando com o carro ligado na frente da casa. Acenou para Júlia, que seguiu em direção do carro, abriu a porta do passageiro e entrou. Seguindo Júlia, Henrique entrou no carro, mas nos bancos traseiros.
— Vamos? — Júlia chamou atenção ao notar que Faísca estava olhando demais para Henrique. Não queria correr o risco dele encontrar semelhanças. Poderia ser ainda mais complicado.
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Atualizado até capítulo 101
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