— Hey! Faísca, tudo bom? — Júlia falou com um sorriso depois de baixar o vidro traseiro do carro. Na mesma hora que ouviu a voz que saia de dentro do veículo, Faísca baixou a arma.
— O que você está fazendo com esse homem no seu colo? — Faísca tentava disfarçar o incômodo com a cena.
— Ah! Esse é Henrique! Estuda comigo. Estávamos conversando sobre um trabalho e ele meio que caiu, perdeu a consciência. Não podia deixar ele desse jeito. Então subi com ele, chamei a médica da família e ela vai dar uns pontos na cabeça dele. Assim que acorda, mando ele ralar pé. — Julia explicou com um sorriso que desarmava Faísca completamente.
— Seu pai vai odiar essa história. — Faísca tentou se recompor, enquanto a alertava.
— Por favor, guarde segredo para mim? Prometo que não vou demorar com ele. Eu ia me sentir mal se algo ruim acontecesse com esse garoto. Ele só estava tentando me ajudar com um trabalho da faculdade. Por favor, Faísca — Júlia pediu segurando a mão dele que se apoiava no vidro.
— Ahhh! Você sempre faz isso. Tá tá tá. Eu não vi nada, mas se a ronda pegar, se vira. Sei de nada. Nem me mete nessa. Anda logo antes que alguém veja isso. Não vou gostar de ouvir boatos com seu nome. — Faísca disse batendo no carro.
— Obrigada! — Júlia gritou quando o carro já andava.
— Tome cuidado. — Faísca disse fazendo sinal que estava de olho nela. Júlia apenas sorriu de volta.
— Faísca amolece fácil quando se trata da Júlia. E a sem futuro ainda usa isso ao seu favor. — Janaína brincou.
— A danada não apenas é filha do dono do morro, como também, tem o braço direito do seu pai arriado, os quatro pneus e o estepe por ela. — Vinícius entrou na brincadeira.
— Mais assustador é o dom dela de inventar uma mentira estruturada tão rápido assim. Em questão de segundos a mulher consegue uma história perfeita, até eu mesma acreditei. E eu tava lá quando ele foi arremessado do carro sem piedade. Uma coisa era certa, não queriam esse homem vivo e muito menos o trabalho de enterrar seu corpo — Janaína sempre se surpreendia com a velocidade que a amiga reagia às situações.
— O que você fala não é importante, mas como fala. Se passar confiança em sua história, ao contar ela, todos vão acreditar. Se hesitar, será pega no pulo. A primeira pessoa que tem que acreditar na história é você mesma — Júlia disse enquanto notava o homem cada vez mais fraco nas suas pernas — A respiração dele está ficando mais fraca. Se ele morrer lá em casa, meu pai vai dar a carne dele para os cachorros comerem, tenho certeza.
— Chegamos na sua casa. Quem é aquela mulher no portão? — Vinícius apontou para o portão que se abria com o sinal de Júlia para os seguranças da da janela do carro.
— É a nova médica que papai conseguiu para família. — Julia explicou.
— Ah! Então, ela é a mulher que dizem ser a amante do seu pai? Que sua mãe foi embora por conta dela? — Janaína perguntou surpresa ao notar que Júlia havia convidado logo alguém dos rumores para ajudar ela.
— Meu pai não trairia minha mãe. E ela apenas está com a irmã do meu pai. Minha tia teve complicações no parto quase ela e o bebê morreram. Como tia não está podendo se mover muito, minha mãe foi auxiliar ela nesses dias. As pessoas gostam de inventar fofoca. Vocês sabem disso. Só acredito naquilo que vejo. — Julia alertou a todos. O que deixava claro que ela não queria ouvir nunca mais sobre aquele boato.
— Julia, você sabe que onde tem fumaça tem fogo. A fofoca da sua mãe não estava certa, mas que ela não estava em casa era verdade. Não acha que esse mulher e seu pai... — Janaína alertou a amiga.
— Não é algo que eu devo me preocupar. Se minha mãe está despreocupada, não serei eu que irei criar confusão. E se tiver um fundo de verdade, tenho certeza que é ela que está dando em cima do meu pai. Só sei de uma coisa, se for isso, ela será morta pelo meu pai ou minha mãe. O tempo dirá, por enquanto, apenas preciso que ela cuide desse homem. — Júlia disse saindo do carro indo em direção à médica.
— Querida, fiquei tão feliz que você me ligou. O que precisa? — Deise cumprimentou Júlia, que fez careta na mesma hora.
— Querida? Me poupe. Se quiser dar para meu pai, não sou eu que você precisa bajular. Preciso que você ajude um amigo meu que se machucou ao me ajudar. — Júlia respondeu sem nem olhar para mulher e indo em direção à porta.
Deise seguiu ela calada, Janaína foi atrás, prestando atenção na mulher. Vinícius tentava carregar o homem com dificuldade, o desconhecido era bem maior que ele e muito mais forte. Mesmo assim, conseguiu colocar o homem deitado no sofá.
— Júlia é um pouco... — Janaína sussurrou para Vinícius.
— Assustadora? — Vinícius respondeu baixinho.
— Eu ia dizer intensa, mas assustadora também combina. — Janaína riu ao notar como a amiga olhava para médica com desprezo.
— Pode examinar ele? Faz um bom tempo que ele está inconsciente. — Júlia pediu para Deise.
— Farei isso, mas mesmo de longe vejo que bateu a cabeça. Talvez ele precise de muito mais do que um médico. — Deise disso ao se aproximar do garoto. — Ele não parece bem. o corte na cabeça dele é bem profundo.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Edna anjos
Júlia é bem filha do dono do Morro.
Assustadora
2023-06-04
5