Katrina riu ao notar a preocupação do garoto, mas sabia qual era o real motivo dele está sendo hostilizado por todos. Também tinha consciência que era o mesmo que levou sua filha a salvar ele.
— Você não tem culpa de nada disso. Apenas parece com alguém que deixou uma grande marca na minha filha. Até achei que perderia ela, mas finalmente se reergueu. Esse deve ser o real motivo de todos estarem assim.. Creio que Júlia deve ter te salvado pela mesma razão e agora está com um misto de sentimentos. E sobre mim, você salvou a vida da minha filha, tenho uma dívida eterna com você. Além disso, você se parece com um grande amigo meu de infância. — Katrina brincou. — De qualquer forma, se não quiser receber a fúria da minha filha e de seu pai, acho melhor não se aproximar dela. Não sei o tempo que você levará para se lembrar, mas será mais fácil viver aqui dessa forma.
Henrique sentiu a pontada de culpa aumentando, não estava apenas enganando aquela mulher com algo que não fez, claro que não foi uma mentira dele, mesmo assim, ele estava levando crédito, mas também estava se aproveitando da bondade da para conseguir o que queria. Entretanto, não podia fazer nada, era a única pessoa que confiava nele.
Quando os dois pombinhos saíram do quarto, tudo estava arrumado. Katrina mostrou onde ficavam os lençóis, toalhas e disse que traria roupas amanhã para Henrique, antes de se despedir, deixando ele no quarto. Já passavam das três da manhã. Henrique estava sem sono e desceu para pegar um como de água. Quando estava abrindo a porta, viu Júlia subindo as escadas com um salto na não para não fazer barulho.
— Você realmente não merece os pais que tem. É mesmo uma mimada. — Henrique perdeu até vontade de beber água, apenas desceu. Quanto mais pensava sobre as atitudes dela, sentia ainda mais raiva de quem ela era.
A manhã veio. Katrina chamou Henrique para descer e tomar café com todos. Júlia estava sentada comendo em silêncio, sua mãe falava e ela apenas balançava a cabeça.
— Toma café preto. Você é péssima disfarçando a ressaca. — Katrina disse entregando a xícara para filha. — Melhor ajeitar essa cara, seu pai está vindo.
— Bom dia, minha rainha. Bom dia, minha princesa. — Dinamite beijou o rosto da esposa, da filha e depois olhos sério para Henrique — Bom dia para o cachorro ferido adotado por essas duas.
— Você não vai sentar para tomar café conosco? — Katrina perguntou ignorando totalmente a piadinha do marido.
— Não, tenho uns b.os para resolver. Aliás, sobre o trabalho desse cara aí, vou deixar ele como seu assistente. Claro que coloquei alguns dos meus homens ficarem de olho nele. Se ousar aproximar de forma suspeita de você. Os meus homens têm permissão de cancelar esse CPF. — Dinamite falou em tom de ameaça. Não podia deixar um desconhecido andar demais ou conhecer tudo relacionado ao morro. Era mais fácil deixar ele com Katrina, que passava boa parte do dia cuidando de uma ONG criada por ela voltada para as crianças e adolescentes.
— Perfeito. Henrique pode jogar futebol com a garotada. — Katrina concordou animada.
— E você, filha, não dormiu direito? — Dinamite perguntou. — Aconteceu alguma coisa?
— Ah! Eu fugi pela janela, comprei uma vodka vagabunda e estou de ressaca. — Júlia assumiu. Henrique olhou surpreso.
— Seu castigo é ir de ônibus para escola. — Dinamite decretou.
— Faculdade, pai. Faculdade. E eu vou indo. Como sabia que meu castigo era esse. Já tinha avisado as meninas que iria com elas. — Júlia saiu andando parecendo arrastar correntes.
— Vou indo. Se precisar de mim, me ligue. — Dinamite beijou a esposa e olhou sério para Henrique. — Se mexer com minha esposa, não vai ter canto no mundo que poderá se esconder da minha ira.
Henrique apenas concordou com a cabeça, não conseguia compreender a dinâmica daquela família. Um pai que parecia um pinscher, uma filha mimada que só faz o que quer e uma doce mãe.
— Está se perguntando porque a Júlia confessou, né? — Katrina perguntou.
— Sim. — Henrique concordou.
— Ela sabe que não adianta mentir, nada acontece nesse morro que o pai dela não saiba. Assim que ela saiu ontem, Dinamite recebeu a mensagem e dois seguranças ficaram seguindo ela. — Katrina explicou.
— Então porque ontem não deixou ela sair? — Henrique questinou lembrando de Júlia saindo de fininho e a mãe brigando.
— Minha função é ensinar. Guiar. As escolhas quem faz é ela. Eu disse que era dia de semana, no outro dia, haveria aula. Assim foi feito, agora ela está de ressaca, indo de ônibus e pagando as consequências disso. Fiz minha parte. Ela que lide com suas consequências. Concorda? — Katrina respondeu levantando da mesa. — Então, vamos? As crianças já devem estar nos esperando.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Socorro Maria
que família kkkkkkkk
2024-10-02
0
Joselia Freitas
Estou adorando está história parabéns Autora 👏👏👏👏💋💗💕🌺🌹
2024-01-06
3
Edna anjos
Muito bom lê histórias Que se passa em Morro , aprende muitas palavras diferentes.
Esse dono do Morro é realmente um pinscher para esposa e filha kkk
2023-06-05
1