O caminho foi totalmente silencioso, somente com a música de fundo bem baixa. Júlia havia colocado ao notar o silêncio constrangedor dentro do carro. Henrique tinha os olhos grudados na paisagem enquanto passava pelo morro, prestando atenção em cada detalhe.
— Hey! Você! Olhe para frente. Não tem nada que ficar olhando tudo. Se tiver dificuldade para fazer isso, posso te colocar na mala. — Faísca ameaçou.
— Para, Faísca. Tô querendo silêncio. Ele apenas deve estar curioso. Não tem cara de quem sobe em morro bem para ir ao baile. — Júlia alertou Faísca irritada.
Henrique evitou olhar demais nas laterais do vidro, apenas prestava atenção na frente agora. Vez ou outra Faísca dava uma olhada para ver o que ele estava fazendo. Isso aconteceu durante todo caminho. Quando finalmente chegaram no hospital, todos desceram, mas Júlia segurou Faísca impedindo ele de avançar.
— Você fica. Pode ter polícias lá dentro. — Júlia alertou.
— Olha, tem medo de me perder para cadeia? — Faísca brincou.
— Não, meu medo é você fazer merda e meu pai trabalhar em dobro. — Júlia cortou. A presença de Henrique estava irritando ela a ponto de não conseguir lidar com as piadas rotineiras de Faísca.
— Sim, senhora. Vou me manter vivo e livre para não sobrecarregar seu pai. — Faísca disse debochado.
— Te ligo quando estiver saindo. Estaciona mais na frente. Esse carro chama muita atenção. O povo é curioso, vai querer descobrir quem é o carro. E você não pode chamar atenção. — Júlia alertou. Faísca fez careta, não queria deixar ela sozinha com Henrique, mas sabia que estava certa.
— Hey. Se chegar perto dela, eu te mato — Faísca disse antes de entrar no carro.
— Impressão minha ou todo mundo quer me matar. Acho que hoje definitivamente não é meu dia. — Henrique brincou, tentando se aproximar de Júlia, que apenas respondia o que era perguntado e evitava olhar para ele. Fazendo ele se sentir incomodado.
— Acontece. Vamos logo. — Júlia chamou. Cortando qualquer chance de uma conversa.
Juntos deram entrada, explicaram à recepcionista que seria pago à vista, mas ele havia sido encontrado na rua, sem a identidade, celular e estava com amnésia. Depois de muita argumentação, conseguiram ser atendidos.
O exame demorou um pouco para terminar. Júlia já estava com a demora. Quando Henrique saiu. Sentou do seu lado, esperando o médico chegar.
— Você tem algum problema comigo também? Mesmo que esteja ajudando, parece que quer não apenas me evitar, mas irritada com a minha presença. — Henrique olhava para Júlia como se tentasse ler ela.
— Não gosto da sua cara. — Júlia respondeu sem pestanejar. Henrique se enfureceu de raiva, mas engoliu a seco. Não podia estourar com ela. Tinha que ganhar tempo.
— Ahn.. Henrique Desconhecido De Alguma coisa? — O médico leu a ficha confuso.
— Sério? — Henrique perguntou sem acreditar no que Júlia tinha colocado na ficha.
— Apenas a verdade. — Júlia levantou indo na direção da sala do médico. Henrique veio atrás.
— Boa tarde. Podem se sentar. Vocês são namorados? — O médico perguntou de cara, para entender a situação. Notando na ficha que o homem estava com amnésia.
— Não! — Os responderam na mesma hora enquanto sentavam nas cadeiras de frente ao médico.
— Interessante. Então, você autoriza a presença dela na consulta? Por lei, você pode decidir quem fica e quem pode saber ou não das suas informações médicas. — O médico explicou. Júlia já estava levando, quando Henrique respondeu.
— Tudo bem ela ficar. Foi quem me salvou. — Henrique disse sorrindo, mas Júlia virou a cara e ficou em silêncio.
— Bem, então vamos lá. Pelos seus exames, não houve nenhum dano cerebral devido a sua queda. Sua amnésia deve ser temporária, devido ao estresse ou a pancada. Por enquanto, só precisa esperar que ele vai voltar. — O médico disse.
Ainda no consultório, o médico explicou mais algumas coisas relacionadas ao cuidado com os pontos da cabeça, a troca de curativo e indicou uma medicação caso houvesse dores de cabeça.
— E agora, o que vamos fazer? — Henrique perguntou já fora do consultório do médico.
— Será que ainda dará tempo da opção do sanduíche no pé do morro? — Júlia se perguntou pensando alto.
— Quê? — Henrique não estava entendendo.
— Deixa. Vamos voltar para minha casa. Vou pensar em alguma coisa. — Júlia disse ainda evitando olhar para Henrique ao máximo.
Por outro lado, Henrique, que já achava Júlia mimada pelo seu quarto, começou a sentir ainda mais raiva dela por sua prepotência e soberba. O que mais o irritava, era ter que fingir simpatia com ela. Rastejar por sua confiança. Mesmo não a suportando.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 101
Comments
Edna anjos
Não se conhece um ao outro e não conversa para se conhecer. ai ai
2023-06-04
5