A Romina ficou chateada mesmo sabendo que tudo não passava de uma simples brincadeira. Ela queria que eu dissesse: "Ei, sou filha da sua chefe". No entanto, foi ela quem interpretou as coisas dessa forma. Estou cansada das pessoas se aproximarem de mim apenas por causa do meu sobrenome e se afastarem pelo mesmo motivo. Talvez seja por isso que não tenho muitos amigos. Se o Edgar estivesse aqui, essa festa seria bem mais divertida. Provavelmente estaríamos conversando sobre as pessoas que estão aqui ou qualquer outra coisa do tipo. Na verdade, sinto falta de ter um amigo. O Edgar é mais um amigo do que qualquer outra coisa.
— Oi, Victória, quanto tempo, hein? - falou um rapaz comigo, mas não o reconheci.
Tentei me lembrar dele, mas nada veio à mente.
— Oi, tudo bem? - respondi.
— Muito melhor agora, e você?
— Estou bem, obrigada por perguntar.
— De nada. E o que você tem feito da vida? Ainda aproveitando como se o mundo fosse acabar a qualquer momento?
— Não. Eu tomei juízo.
— Nisso eu não acredito, você sempre foi a mais divertida da turma. Sempre chegava com um sorriso e contagiava a todos ao seu redor.
Olhei novamente para ele e tentei me lembrar mais uma vez, porém ainda não o reconheci.
— Talvez fosse só fingimento.
— Você não sabe mentir, nem ao menos consegue fingir que me conhece.
— Você sabe como deixar uma pessoa constrangida, meus parabéns.
— Sou o Théo .- disse ele, e meu rosto perdeu a cor.
— Desculpa, eu tenho que ir.
— Você consegue dormir à noite, Vick? - ele perguntou.
— Por que eu não conseguiria?
— Sei lá, talvez porque você destruiu a vida de uma pessoa.
Saí em direção ao jardim, lembrando dele, do irmão dele e dos meus "amigos". As lembranças daquela noite vieram à minha mente: o desespero, as lágrimas, a angústia. Todos os sentimentos daquela noite se apoderaram de mim naquele instante. Senti minha garganta se fechar, meu coração acelerar. Perdi a noção de tudo ao meu redor e saí caminhando sem rumo até escorar em uma árvore. Tentei respirar e não consegui. Fechei os olhos e vi flashes de tudo o que aconteceu. Minhas pernas pesaram, não suportei ficar em pé. Tudo o que fiz para seguir em frente, tudo o que deixei para trás, voltou de uma única vez. Me senti sozinha, não conseguia segurar as lágrimas. Minha vista ficou turva e não entendi o que estava acontecendo. Não conseguia raciocinar direito.
— Ei, calma, olha pra mim. - Uma voz me pediu.
A voz estava distante ou talvez fosse eu quem estava distante.
— Escuta, essa sensação não é real - a voz dizia.
— Você precisa olhar pra mim.- Romina pediu, e dessa vez consegui identificar a voz dela.
Não fiz o que ela pediu. Senti ela secar minhas lágrimas com as mãos enquanto afagava meu cabelo. Me senti segura.
— Você fica linda até chorando - ela disse sorrindo.
E eu permaneci calada e me aconcheguei nos seus braços novamente, em silêncio. Não pedi permissão e ela também não se recusou. Ela fez cafuné no meu cabelo.
— Me desculpa por tudo o que eu disse a você - ela me pediu.
— Olha, eu não sei o que aconteceu, mas estou aqui para o que você precisar - ela me disse.
— Naquele dia você me disse que nada nem ninguém poderia me tratar daquele jeito. E hoje eu te digo que não importa o que tenha acontecido, nada e nem ninguém merece as suas lágrimas.
— Você não pode fazer isso - ela me disse.
Fiquei curiosa.
— Fazer o que?
— Me acostumar com o seu sorriso e depois me oferecer as suas lágrimas, isso é injusto - ela disse fingindo indignação.
Eu sorri e me senti bem, confortável e, principalmente, segura.
— Obrigada - eu disse a ela.
— Estou fazendo por você exatamente a mesma coisa que você fez por mim. E se você quiser desabafar, saiba que você tem em mim uma amiga.
Não sei explicar, mas ela disse exatamente o que eu precisava ouvir. Ela me ofereceu tudo o que eu mais precisava naquele momento, e eu sempre serei grata.
— Eu não quero falar sobre isso agora, pode ser em outro dia? - eu disse ainda deitada no colo dela.
— Eu vou estar aqui quando você quiser falar.
Ela ficou ali comigo até eu me recuperar um pouco, me acompanhou até o banheiro e refiz minha maquiagem. Fiz ela prometer que não contaria isso a ninguém, e ela só aceitou quando eu jurei que, quando estivesse pronta, contaria tudo a ela. É estranho como você pode conhecer alguém em um dia e, no outro, ela se torna o seu porto seguro em uma situação tão dolorosa.
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Atualizado até capítulo 57
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