Eu encontrei o Juan e ele me chamou para ir a um bar. Eu o acompanhei apenas para não perder a oportunidade.
Chegando lá, ele me apresentou aos amigos dele e eles eram muito animados.
— Então, Vick, o que você quer beber? - perguntou o Juan.
— Quero um suco de morango com menta. - pedi e recebi olhares de desaprovação. Se eles soubessem o quanto fiquei triste com isso, certamente se esforçariam mais da próxima vez.
—Relaxa, garota, você está entre amigos. Pede algo mais forte para se animar. - disse uma garota loira. Eu revirei os olhos.
— Me desculpa, mas não acho que eu precise de "algo mais forte" para me animar e nem acho que precise estar embriagada para me divertir. - falei e todos me olharam como se eu fosse uma idiota.
Pronto, agora sou a chata, santinha e conservadora. Pedi licença e saí da mesa. Caminhei um pouco pela calçada, verifiquei as horas e liguei para Silvina que, na segunda tentativa, me atendeu.
Chamada on
— Alô, quem é?
— Oi Silvina, sou eu a Vick , pede para um motorista me buscar, mas não conte para a minha mãe.
— Onde você está? Você bebeu, Vick?
— Não bebi, Silvina. Vou mandar a minha localização por mensagem, tá bom?
— Ok, já vou mandar o Alejandro te buscar.
— Obrigada.
Chamada off
— Me desculpa por aquilo. - pedi assim que notei a presença do Juan.
— Eu trouxe o seu suco. - disse ele, me entregando o copo. Eu peguei o copo mas não bebi.
— Obrigada. - disse.
— Você sabe que não precisava daquilo, né? - ele me disse.
Para ser sincera, não me senti bem lá, e aquilo me pareceu uma boa desculpa para ficar longe da tentação.
— É, eu sei, mas tive um dia cheio, e tudo que preciso é de descanso.
Observei um carro se aproximando e o motorista desceu do carro e me cumprimentou.
— Boa noite, senhorita, sou o Alejandro, a Silvina me mandou.
Eu me despedi do Juan, e assim que entrei no carro, agradeci ao Alejandro.
— Alejandro, muito obrigada. Você salvou a minha noite. - falei, e ele sorriu.
Ao chegar em casa, tentei fazer o mínimo de barulho possível.
Mas ao entrar no meu quarto, vi minha mãe sentada na minha cama me esperando.
— Você bebeu, Vick? - ela me perguntou apreensiva.
— Não. - respondi.
— Onde você estava? - minha mãe me perguntou.
— Estava em um bar. - respondi.
E o que vi estampado no rosto da minha mãe me machucou muito mais do que qualquer outra coisa que já tenha passado.
Ela levantou e saiu do meu quarto, simples assim, sem boa noite e sem beijo de despedida.
Tomei meu banho e vesti o pijama. Todo o cansaço foi embora junto com o sono. Não tem nada que roube mais a nossa paz do que a desconfiança vinda da pessoa que mais amamos. Às vezes, uma simples atitude nos dói mais do que um tapa no rosto. Não vou negar que fiquei triste, mas me recusei a derramar uma única lágrima.
Peguei um livro sobre arte moderna e li mais de 20 páginas até finalmente adormecer.
Acordei no dia seguinte com o barulho do despertador, fiz minha higiene matinal e separei uma roupa para a aula de dança que seria às 8 da manhã.
Desci para tomar café e minha mãe e Silvina estavam conversando e, quando notaram minha presença, encerraram o assunto.
E nem precisa ser a pessoa mais inteligente do universo para saber que estavam falando de mim.
— Bom dia. - disse, me sentando à mesa.
Ambas murmuraram um "bom dia" sem muita emoção. Eu sei exatamente sobre o que estavam falando, e agora elas me olham procurando algum sinal que confirme suas desconfianças.
Eu não falei nada, não iria discutir.
— Você quer um café forte, Vick? - perguntou Silvina.
— Eu quero um suco de morango e menta e um sanduíche. - respondi.
— Você vai se matricular na universidade hoje? - minha mãe me perguntou.
— Tenho aula de dança às oito, e em nenhuma das universidades que visitei eles fecharam o primeiro semestre ainda. Vou esperar fecharem o semestre para me matricular.
Comi em silêncio, e assim que terminei, subi para o meu quarto, peguei minhas coisas e fui para a aula de dança. Não me despedi delas.
Pedi para Alejandro me levar e terminei a semana sem ter uma conversa decente com minha mãe. Tive aula de dança duas vezes na semana.
Nos outros dias, fiquei em casa desenhando, tocando piano, enfim, exercitando minha criatividade. No sábado seria "minha" festa.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 57
Comments