Quando deu o horário do almoço, passei no RH e a Vanessa já tinha saído. Pensei que talvez ela tenha tido um imprevisto e se esquecido de me avisar.
Para ser sincera, não fiquei chateada. Como já tinha planejado almoçar no restaurante italiano, peguei o meu carro e fui para lá.
No restaurante, o garçom me acompanhou até uma mesa e me entregou o cardápio. Optei pelo prato nº 15 e, para beber, um suco de morango com menta.
Enquanto esperava o meu pedido ficar pronto, observei o restaurante e, quando olhei para a entrada, a vi chegar.
Ela estava linda, com óculos escuros, roupas casuais e o cabelo amarrado em um coque bagunçado, e estava com uma bolsa de lado, parecendo uma estudante.
Acho que a encarei por mais tempo e ela me ofereceu um leve sorriso e se sentou em uma mesa vazia, o que me fez questionar se ela estava à espera de alguém.
Novamente, ela levantou o rosto e me viu encarando-a. Ela sorriu e balançou a cabeça, como se não estivesse acreditando. O garçom chegou com o meu almoço e eu pedi internamente para que eu não voltasse a encará-la. Mas me surpreendi ao ouvir a voz dela ao meu lado.
— Oi, posso me sentar e almoçar com você? - ela me perguntou tranquilamente.
Eu gelei, pensei em um milhão de desculpas para dizer a ela.
"Eu não posso almoçar com ela, não posso, não posso e não posso", eu repeti para mim mesma, tentando me convencer de que não era uma boa ideia. E nem eu sabia bem o porquê de não ser uma boa ideia.
Mas quando eu olhei em seu rosto, todos os meus pensamentos se dissiparam. E eu concordei.
— Claro - eu concordei, mas me arrependi da maneira como soou. Soou totalmente seco.
— Nossa... Me desculpa, eu não vou mais te incomodar - ela disse, afastando-se.
— Me desculpa - eu disse e vi ela me olhando sem entender. Então continuei a falar.
— Por favor, almoce comigo. Acho que eu te devo um "muito obrigada . eu falei, indicando a cadeira para ela. Ela se sentou.
Chamei o garçom para que ela pudesse fazer o seu pedido.
— Eu vou querer o mesmo que ela pediu .ela disse, olhando para o garçom.
— Então, você está melhor?. ela me perguntou, olhando nos meus olhos como se pudesse enxergar a minha alma.
— Sim, estou melhor. Obrigada por ter me ajudado .eu respondi, e ela deu uma risada totalmente espontânea, daquelas que quando a gente ouve, sorri junto. Foi o que eu fiz, sorri junto com ela, mesmo sem entender o motivo.
— Me desculpa .ela pediu enquanto segurava a risada,
—Por favor, não vá pensar que estou louca .ela disse, tomando o copo de água.
— Ah, não precisa se preocupar. Ontem mesmo eu já tinha percebido que você é meio maluquinha .eu disse, sorrindo.
Ela me olhou indignada e disse:
— Nossa, e eu que pensei que tinha disfarçado bem. ela disse.
Sorri da maneira como ela disse.
O garçom trouxe o seu pedido, o qual ela examinou minuciosamente. Ela pegou o garfo e começou a mexer na massa. Enquanto fazia isso, mordeu o lábio involuntariamente.
— Não gosta? - perguntei a ela, que me olhou sem entender. Então, fiz um gesto apontando para o prato.
Ela me olhou, entendendo o que eu queria dizer, e mordeu os lábios como se estivesse com vergonha. Eu achei aquilo tão fofo.
— É que eu estava verificando se não tem pimenta - ela disse, e agora foi a minha vez de rir. Estamos no México, a pimenta aqui é como água, a gente não vive sem.
Eu vi ela corar de vergonha e tomar um longo gole do seu suco.
— Não precisa se preocupar! Eles não colocam pimenta nos pratos, eles deixam nesses recipientes - falei, pegando o recipiente com a pimenta.
Ela me olhou aliviada. E eu me perguntei o que ela tem contra as coitadas da pimenta.
— Obrigada. Ela respondeu, levando a massa até a boca. Quando ela fechou os olhos, apreciando o sabor, eu juro que pensei bobagem.
— Você não é daqui, né? - Eu perguntei, e ela me olhou meio intrigada.
— Você diz dessa cidade ou do país? - Ela me perguntou, parecendo confusa.
— Os dois. Não conheço um mexicano que não goste de pimenta.
— Bom, agora você conhece. - Ela disse, esticando a mão até a minha. Gesto claro quando se apresenta a alguém, e eu apertei a sua mão.
Fiquei em silêncio enquanto comia o meu prato, e realmente estava incrível.
— Sinto muito por ontem. - Ela disse, e eu a olhei confusa.
— Não quero que você pense que eu estava te espiando a conversa entre você e seu namorado. - Ela disse, dando de ombro.
— Não tem problema, estávamos discutindo num local público e qualquer um poderia ter visto. A única diferença foi que você parou. - Eu disse, enquanto bebia um pouco do suco. Ela me olhou e depois voltou a almoçar.
— Mas, sendo bem sincera, sou eu quem te deve desculpas. Eu te tratei de uma forma idiota.
— Tudo bem - ela respondeu e deu uma leve olhada no relógio, que facilmente passaria despercebida se eu não estivesse prestando atenção em todos os seus movimentos.
— Você está com pressa? - eu perguntei e vi ela me olhar como se ela fosse culpada de algo terrível.
Eu sorri e pedi a conta para o garçom. Cada uma pagou o que consumiu.
Vi ela colocando os óculos, pegando a sua bolsa e se preparando para sair.
Eu a acompanhei e vi ela procurando um táxi.
- Nesse horário você não vai conseguir um táxi - eu disse e ela me olhou, pegando o seu celular.
— Se você quiser, eu te dou uma carona - eu falei.
— Pra onde você vai? - ela me perguntou.
— Vou voltar pro trabalho - eu disse, torcendo para que ela aceitasse.
— Você trabalha na "Bovier Models"? - ela me perguntou e eu confirmei com a cabeça.
— Você é modelo? - ela me perguntou e eu a olhei incrédula, como ela pensou uma coisa dessas.
— Não, eu sou assistente da Sra. Bovier.
— Eu aceito a carona - ela disse.
E juntas fomos no meu carro até a empresa.
Ao sair do estacionamento, eu perguntei:
— Você trabalha em qual setor?
— Eu não trabalho aqui - ela me respondeu calmamente.
— Então você está me seguindo? - eu perguntei, e ela negou com a cabeça.
— É uma grande coincidência. Na verdade, eu vim ver uma pessoa que trabalha aqui - ela disse, indo em direção à recepcionista, e eu fui pegar o elevador para voltar ao trabalho.
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Atualizado até capítulo 57
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