Acordei no horário de sempre e me arrumei. Estava pensando em como eu iria encarar a senhora Paola depois de vê-la agarrada com um rapaz. Cumprimentei o seu João e fui em direção ao estacionamento. Quando me aproximei, vi o Lucho com um buquê de rosas vermelhas me esperando.
— Oi, eu acho que a gente precisa conversar. – Ele disse, estendendo as flores.
Eu não aceitei as flores.
— Você ouviu o que eu disse ontem? – Perguntei a ele.
— Não, a ligação estava ruim. – Ele respondeu como se nada tivesse acontecido.
Eu respirei fundo. Era melhor terminar com ele pessoalmente mesmo, assim as coisas ficariam claras.
— Você quer subir? – Eu perguntei, e ele negou com a cabeça.
— Não posso, estou atrasado. Só vim te trazer as flores. – Ele disse.
— Eu quero terminar. – Eu disse firmemente.
Ele me olhou incrédulo.
— Por que? – Ele me questionou.
—Porque a gente não dá certo mais. Você mudou, eu mudei. Já faz tempo que o nosso relacionamento se resume a brigas e discussões. Você está diferente.
— Eu vou mudar. – Ele disse, me interrompendo.
— Não vou voltar atrás. – Eu disse firme.
— Você tem outro? Se apaixonou por outro? Você me traiu? – Ele me perguntou, andando de um lado para o outro.
— Não tem ninguém, não me apaixonei por outro e não te traí. Só que o nosso namoro está me fazendo mal. Você se tornou ciumento e possessivo, e isso não faz bem para nenhum de nós dois. – Eu disse.
E vi ele se transformar em uma fera raivosa.
— A GENTE NÃO VAI TERMINAR, EU TE AMO E VOCÊ ME AMA, A GENTE VAI SE CASAR E VAMOS CONSTRUIR UMA FAMÍLIA LINDA. – Ele disse gritando.
— Acabou, eu vou pegar as minhas coisas no seu apartamento e vou te devolver as suas coisas. – Eu disse e entrei no carro e fui para o trabalho.
Eu entrei e fui direto para a minha sala. Pouco tempo depois, a Paola chegou com uma cara péssima. Imagino que ela deve ter discutido com a sua namorada, e eu fico feliz por não ser a única a ter problemas em relacionamentos.
— Bom dia, Romina. Posso conversar com você? – Ela me perguntou.
Eu imaginei um milhão de temas possíveis para a nossa conversa.
— Pode. – Eu respondi e fiz um sinal para ela se sentar.
— Como estão os preparativos para a festa? – Ela me perguntou, e isso era ótimo. A conversa era sobre trabalho.
— Já está tudo organizado e a lista dos convidados está pronta. Só faltou colocar o nome da sua amiga, aquela que esteve aqui ontem. – Eu expliquei, notando ela ficar pensativa.
— Entendi, não será necessário colocar o nome dela na lista. – Paola disse.
Nossa, a briga deve ter sido feia.
— Você encomendou as bebidas alcoólicas? – Ela me perguntou.
— Sim, senhora. – Eu respondi.
— Cancele as bebidas alcoólicas e peça somente drinks sem álcool. – Ela me disse séria.
A única coisa que eu consegui pensar foi em como suportaria essa festa até o final sem a companhia do álcool.
— Sim, senhora. – Eu respondi.
Pensei que ela fosse embora, mas ela continuou sentada ali.
— Romina, você tem irmãos mais novos que você? – Ela me perguntou, e eu fiquei surpresa. Ela nunca perguntou sobre a minha vida.
— Não, sou filha única. – Eu respondi, e ela assentiu ainda pensativa.
— Você tem uma boa relação com os seus pais? – Ela me perguntou.
Agora foi a minha vez de ficar pensativa. A minha relação não era boa, mas também não era ruim.
— É normal. – Eu disse.
— Se você estivesse tendo problemas, você contaria a eles? – Ela me perguntou, e eu entendi que a pauta dessa conversa era a filha dela.
Nossa, mas não faz nem uma semana que ela chegou e já está tendo problemas.
Olhei novamente, e vi ela ainda mais apreensiva, esperando a minha resposta. Então pensei na sua pergunta e nos meus problemas. Em nenhum momento eu contei para os meus pais, mas não fiz isso porque eles certamente ficariam do lado do Lucho.
— Sim, eu contaria. – Eu disse, mentindo descaradamente.
— Olha, senhora Paola, se sua filha estivesse com problemas sérios, ela te contaria. Ela ficou muito tempo afastada e de repente a senhora está se preocupando sem necessidade. – Eu disse, tentando acalmá-la.
— Quando minha filha morava aqui, ela tinha péssimas amizades. Por isso a mandei estudar fora. Paola me confessou.
— Pensei que, longe delas, ela ficaria bem. Só que eu pedi para ela voltar. E agora estou com medo que aconteça tudo igual à primeira vez. – Paola me disse, com lágrimas nos olhos.
— Você falou isso com a sua filha? – Eu perguntei a ela.
— Ela me disse que não pensava em rever velhas amizades. – Paola me disse.
— Então, eu não acho que a sua filha esteja mentindo. Esclareça isso com ela. Será melhor do que você ficar preocupada sem entender se realmente há motivo. – Eu disse.
Eu me surpreendi com a nossa conversa, e depois desse momento de confidências da Paola, o meu dia seguiu normalmente.
Os dias passaram tranquilos. Eu recebi flores no meu apartamento e na empresa. Lucho estava tentando uma reaproximação, mas eu não daria o braço a torcer. Ignorei as ligações dele e não aceitei as suas flores. Não permiti que ele se aproximasse de mim. Com a insistência dele, eu optei por não buscar as minhas coisas no apartamento dele.
A sexta-feira finalmente chegou. Amanhã seria a festa da filha da Paola. Ao chegar, a Paola já veio conversar comigo.
— Bom dia, Romina. – Ela me cumprimentou.
— Bom dia, senhora Paola. Conseguiu finalmente conversar com a sua filha? – Perguntei a ela, e vi ela mudar o semblante.
Ela se sentou e me disse:
— Não conversamos. Ela acorda cedo e vai para a aula de dança. Silvina me contou que quando ela chega, passa horas e horas no estúdio dela. Ela sempre dorme cedo e evita ficar saindo. – Ela me disse com um tom de voz arrependido.
Eu fiquei intrigada e curiosa para conhecer a filha da Paola.
— Isso é bom, né? Pelo menos você sabe onde ela está indo. – Eu disse, lógica.
— Na verdade, não. Ela não está saindo porque eu demonstrei que não confio nela. Ela não sai para não dar motivos de desconfiança. Eu a magoei quando duvidei dela e agora ela prefere ficar em casa ao sair, para não sofrer com os meus julgamentos. – Ela me disse.
— Bom, se você já sabe o motivo de toda essa "confusão", então peça desculpas e reconheça que errou. Ela é a sua filha e com certeza te ama, porque se ela não te amasse, ela não teria voltado e nem teria se sentido mal com a sua desconfiança. – Eu falei, me sentindo a voz da razão.
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Atualizado até capítulo 57
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