Depois do episódio no estacionamento, eu voltei para a minha sala. Fiquei feliz quando percebi que a Paola ainda estava em reunião e não perceberia o meu atraso.
Por um lado, a ausência de Paola era boa, porque ela não perceberia o meu atraso. Já por outro lado, eu ficaria sem ter o que fazer e assim me sobraria muito tempo para pensar nos últimos acontecimentos.
E foi aí que eu pensei no meu relacionamento e vi que eu estava indo em direção ao precipício. Já não existia uma relação saudável entre nós. Já não éramos nem a sombra do que um dia fomos; para fazer esse relacionamento dar certo, eu abri mão dos meus maiores sonhos, mudei o meu estilo de vida para me encaixar na vida dele.
E, por mais difícil que pareça, eu devo admitir que o que eu sinto pelo Luchó era apenas um carinho, e percebi que com ele eu nunca senti aquilo que as pessoas descrevem quando estão apaixonadas. Não tive borboletas no estômago, nem me senti nas nuvens quando transamos pela primeira vez.
O meu relacionamento se deu em grande parte pela insistência dos meus pais. Os meus pais e os pais do Luchó são grandes amigos, com isso nos arrastaram um para a vida do outro, começaram a fazer o papel de cupido.
Organizavam jantares e o Luchó sempre aparecia; ele se mostrou muito entusiasmado com a ideia de que poderíamos vir a ser um casal.
A minha mãe dava inúmeros conselhos e dizia como o Luchó era o cara ideal para mim, o quanto ficávamos bem juntos. Devo admitir que o marketing que fizeram foi excelente, me fizeram acreditar que o Luchó era o meu "Príncipe Encantado".
Depois de tanto pensar no meu relacionamento, decidi pôr um fim nele, mas que eu não iria atrás do Luchó; quando ele me procurasse, eu iria pôr um ponto final nisso.
A segunda coisa que me assombrava foi a maneira como eu tratei aquela moça; ela só tentou me ajudar e eu a ignorei e fui rude.
E aquela garota começou a vagar pela minha mente e eu me fiz várias perguntas sobre ela.
Como ela se chama? Será que ela trabalha como modelo e teria vindo para uma entrevista? Será que ela perdeu alguma entrevista de emprego?
Com esse monte de perguntas, a única coisa que fiz foi me sentir mal por ela. Eu sei que leva semanas para conseguir agendar uma entrevista aqui e sei o quanto levam a sério o comprometimento dos futuros funcionários e não admitem atraso.
Passei duas horas perdida em pensamentos quando Paola chegou.
- Boa tarde, Romina. Estas são as planilhas da reunião e as propostas de contrato para uma nova coleção. Pesquise o custo dos tecidos e verifique o valor de mercado de cada peça e veja qual contrato é o mais viável. Quando você terminar, pode ir para casa.
Ela me disse tudo isso, entregando-me os papéis.
- Ok, precisa de mais alguma coisa? - perguntei a ela.
Ela refletiu por um momento e disse.
— Sim, hoje, com essa reunião de emergência, acabei não buscando minha filha no aeroporto e fiquei tão distraída que não pedi a ninguém para buscá-la. Eu sei que ela vai ficar chateada. Você poderia organizar uma pequena festa de boas-vindas e convidar alguns funcionários da empresa e alguns dos meus amigos mais íntimos? E, se puder, tente conseguir alugar aquele salão de eventos.
Ela despejou essas palavras sobre mim, e eu confirmei com a cabeça. Vi ela sair da minha sala em direção ao elevador.
Para ser sincera, fiquei contente com o monte de trabalho que eu tinha agora. Com isso, não teria tempo de pensar em nada. E assim foi, levei três horas para organizar tudo, revisar os documentos e conseguir fazer os preparativos para a tal festa.
Quando saí da minha sala, notei que era a única que ainda estava lá, além dos seguranças. Cumprimentei os rapazes e caminhei em direção ao meu carro, partindo rumo à minha casa.
Ao chegar, parei perto do seu João e informei que, caso o Luchó aparecesse por lá, não era para deixá-lo subir. Entrei no apartamento, tomei um banho e depois fiz um jantar simples para mim. Depois, fui descansar.
Acordei no meio da noite depois de um sonho que tive com a garota do estacionamento. No sonho, estávamos no mesmo lugar onde nos vimos pela primeira vez e ela me disse que seria visita constante na minha vida. Depois desse sonho, consegui voltar a dormir e, dessa vez, só fui acordado pelo meu despertador.
No dia seguinte, fui dirigindo o meu carro ouvindo músicas animadas e, por algumas vezes, me peguei cantando junto. Se me perguntassem o motivo da minha animação, eu não saberia explicar.
Ao chegar na empresa, me encaminhei ao RH sem saber ao certo o motivo. A quem quero enganar? É claro que fui até lá para ver se o que sonhei era real. Mas, em um momento de lucidez, percebi a besteira que ia fazer e dei graças por a Vanessa ainda não ter chegado.
Tentei sair de lá antes da Vanessa chegar, porém ela já tinha chegado e me olhou surpresa e depois deu um sorriso tímido.
— Bom dia, Vanessa, tudo bem? - perguntei a ela.
— Sinceramente? - ela perguntou, e eu confirmei com a cabeça.
— Estou um pouco surpresa com a sua visita, mas estou contente - ela disse, fazendo um gesto para me entrar na sua sala.
Eu entrei em sua sala, e ela pediu que eu me sentasse, e eu obedeci.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, que pareceram horas. Ela percebendo que eu não falaria, resolveu quebrar o silêncio.
— Então, Romi, em que posso te ajudar? Espero que não tenha vindo trazer a sua carta de demissão - ela disse, fazendo uma cara brava e dando uma risada na sequência.
— Na verdade, não tem nada a ver com demissão - eu falei, e ela me observou esperando que eu continuasse.
Então, eu pensei na mentira mais convincente que encontrei e, bom, tecnicamente não era uma mentira.
— A Sra. Bovier me deixou encarregada de organizar uma festa de boas-vindas para a filha dela, então eu preciso da ficha de todos os funcionários - eu disse a ela calmamente.
— Se você quiser, eu posso te mandar uma lista do quadro de todos os nossos funcionários - ela me disse.
Se ela fizesse isso, eu ainda continuaria sem saber o nome daquela garota, se é que ela realmente trabalhasse ali.
— Eu preciso do nome e a foto que está no currículo - ela me olhou desconfiada, então eu continuei.
— É para associar melhor o nome à pessoa. E esse foi um pedido especial da Paola, ela não quer cometer gafe - eu disse, e ela assentiu.
— Mais alguma coisa? - ela me perguntou gentilmente, e então eu lembrei que desde a festa não nos falamos, graças ao meu trabalho fora da empresa. De repente, ela acha que eu estou evitando ela.
— Sim, eu preciso dos currículos das modelos que trabalham para nós e que são contratadas por trabalho - ela olhou para mim e pude ver que ela estava um pouco chateada.
— Vanessa, você gostaria de almoçar comigo naquele restaurante italiano que fica a três quadras da empresa? .- Eu perguntei, e ela me olhou surpresa. Pude jurar que ela ficou feliz com o meu convite.
— Claro, eu adoraria. Eu te espero no restaurante ou vamos juntas?. - ela me perguntou.
— Podemos ir juntas no meu carro, se você não se incomodar. Agora eu preciso ir, senão a Paola me mata .- eu disse, levantando-me e saindo da sala.
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Atualizado até capítulo 57
Comments
Ana Faneco
Amando a história 😍
2025-02-13
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