Finalmente, a sexta-feira chegou. A minha chefe iria viajar e pediu que eu informasse à filha dela que deveria buscá-la às 8 da noite no aeroporto.
Durante a ligação, pude perceber que a filha da sra. Bovier é bem diferente do que eu imaginava. Não sei se foi a voz sonolenta ou a forma brincalhona com que me respondeu. Mas com certeza, eu devo parecer uma doida falando dessa forma, como se em um único telefonema pudéssemos conhecer uma pessoa.
Durante a semana, mandei mensagens para o Luchó convidando-o para sairmos para jantar, cinema ou qualquer outra coisa que pudéssemos fazer para passar um tempo de qualidade juntos, e obtive em resposta um "estou muito ocupado, não vai dar."
Enquanto eu estava encerrando o expediente, a Vanessa do RH apareceu e me chamou:
— Romi, vamos nos reunir para irmos àquele barzinho que inaugurou há pouco tempo. E você não pode faltar. - ela me disse, e pelo seu olhar, eu sabia que não podia recusar.
— Vamos então, você pedindo com tanto jeitinho assim. - eu disse a ela.
E saímos nós duas rumo à recepção, onde alguns dos nossos colegas nos aguardavam. Após cumprimentar a todos, ficou decidido que nos encontraríamos lá, já que eu estava de carro.
Chegando no estacionamento, pude observar Luchó encostado no meu carro. Fiquei surpresa e fui cumprimentá-lo. Fiquei ainda mais surpresa quando ele rejeitou o meu beijo.
— O que você estava fazendo lá dentro até agora? Já faz 20 minutos que era para você ter saído - ele disse, totalmente autoritário.
— Que mau humor, hein? Eu estava conversando com os meus colegas, e combinamos de sair...
— Você não vai - ele disse, me cortando totalmente.
— Por que não? - eu perguntei, tentando manter todo o meu autocontrole.
— Você me perturbou a semana inteira para passarmos um tempo juntos e agora que eu estou aqui, você quer sair com um bando de macho - ele disse, como se estivesse me fazendo um grande favor por estragar totalmente a minha noite.
— Você, até onde sei, estava muito ocupado. Mas curiosamente, nos finais de semana, você fica totalmente disponível para mim. Ou será que eu tenho que ficar totalmente disponível para você? - disse eu, já ficando vermelha de raiva.
— Você não enten... - começou ele a dizer, mas eu o cortei.
— O que eu não entendo é o seu jeito obsessivo. Ou você está me acusando de querer sair com um "bando de macho"? -Eu já tinha perdido totalmente a vontade de sair, e tudo que eu queria agora era um remédio para dor de cabeça e minha cama.
Afastei-me dele, contornando o carro e abrindo a porta. Antes de entrar, ele segurou minha mão com força, não o suficiente para me machucar, e disse:
— Amor, desculpa. Eu só fiquei com ciúmes. Vamos para casa, eu prometo que vou te compensar por tudo isso - ele disse, tentando parecer sincero.
Soltei sua mão do meu pulso e a única coisa que disse antes de entrar no meu carro e ir embora foi:
— Amanhã a gente conversa!
Quando cheguei em casa, joguei as minhas coisas no sofá e fui tomar um banho. Depois, procurei um bendito remédio para dor de cabeça e deitei para descansar.
Quando finalmente peguei no sono, acordei com o barulho da minha porta sendo esmurrada. Ainda sonolenta, olhei no relógio e já eram 23 horas.
Pensei em ignorar quem quer que fosse que estivesse batendo, mas pensei que esse babaca poderia acordar o prédio todo. Com esse pensamento, me levantei e fui abrir a porta e me arrependi assim que vi o Luchó completamente bêbado e falando um monte de palavras desconexas. "Amor, eeeuu...." de tudo que ele disse, essa foi a única parte que entendi.
Com muito custo, o levei até o banheiro, tirei suas roupas e dei um banho de água fria nele. Ele reclamou muito da água gelada, eu até acharia aquilo cômico se não fosse tão tarde da noite.
— Amor, deita aqui. (eu disse, levando-o até a cama) Fica quietinho aqui que eu vou fazer um café amargo para você.
— Romi, eu te amo demais - ele disse, agora um pouco melhor da bebedeira. Eu o cobri com o lençol e fui fazer o café para ele.
Depois do café pronto, voltei para o quarto e o encontrei dormindo tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Deixei o copo de café em um cantinho qualquer e me deitei ao seu lado, adormecendo pouco tempo depois.
Acordei com alguém fazendo cafuné nos meus cabelos. Isso me fez lembrar de quando começamos a namorar, o quanto ele era atencioso e dedicado ao nosso relacionamento, o quanto nos esforçávamos para fazer dar certo.
Agora, o nosso relacionamento se resume a sexo e discussões infantis.
— Bom dia, Luchó. Está melhor? - eu disse, ainda de olhos fechados, apreciando o carinho que eu recebia.
— Sim, e desculpa-me por ontem? - ele disse com um tom de voz baixo, parecendo pensativo, como se não estivesse se desculpando somente por ontem.
— Eu te desculpo se a gente ficar aqui quietinho e sem brigas durante o fim de semana, hein? O que você acha? - eu pergunto, olhando nos olhos dele, que dá um longo suspiro e concorda.
— Eu faço tudo que você quiser - ele diz, beijando os meus lábios calmamente.
Eu aproveito e aprofundo o beijo, arranho levemente as suas costas, enquanto afastamos os lábios por falta de ar. Quando os nossos olhares se cruzam, a única coisa que eu vejo é desejo.
Ele retira com cuidado o meu pijama e quando finalmente ambos estamos completamente desnudos, o telefone dele começa a tocar insistentemente no bolso da calça, que estava perdida em algum canto do quarto.
— Desculpa amor, mas eu preciso atender. - Isso é tudo que ele diz, enquanto vai até o bendito telefone.
— Eu tenho que ir, amor, eu sinto muito. - Ele fala e começa a vestir a sua roupa apressadamente.
E eu continuo com a cara de quem não está entendendo nada. Ele nem sequer atendeu o telefone, apenas verificou quem era, juntou as suas coisas e foi embora.
Mas, como combinamos de não discutir, eu simplesmente deixei isso passar, mesmo tendo a certeza de que há algo errado.
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Atualizado até capítulo 57
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