Já era madrugada e Ivan ainda trabalhava em seu escritório, inteligente como poucos e ambicioso como nenhum outro havia multiplicado em poucos meses a fortuna que já possuia quando chegou em Boston, sobre a mesa vários papéis espalhados, Ivan era Australiano, apesar de possuir dupla cidadania por ter nascido na Itália arranhava muito pouco o idioma de sua terra Natal, era bom com o inglês mais o contrato recém firmado com os Russos o estava enlouquecendo, já havia desistido de ler o que estava escrito nos contratos que trouxera consigo da empresa quando viu a pequena face de Lucrecia espia-lo pelo vão dá porta.
— Eu já lhe vi.
Disse de forma leve, Ivan não era um homem gentil, apesar de muito bem educado era ríspido com as palavras na maior parte do tempo, Lucrécia parecia fugir a regra já que Ivan vinha sendo sempre cortês ao se referir a ela.
— Desculpe, vi a luz acesa, não consigo dormir.
— Algum problema com o quarto? Temos outros espalhados pela casa, posso pedir a Cora que lhe acomode em outro.
— Não é isso, tudo está perfeito.
— Então o que há?
Cruzou as mãos sobre a mesa lhe encarando com firmeza.
— Tive um pesadelo, foram muitos dias dormindo no chão frio do depósito, o colchão é tão macio e confortável, acho que desaprendi como dormir em uma boa cama.
Ivan apontou a poltrona a sua frente para que ela se sentasse, Lucrecia caminhou até o móvel se sentando sem jeito.
— Pode ficar até que chegue o sono, só não mexa em nada os papéis são importantes, quer dizer, eu acho, já que não intendo uma única palavra dessa merda.
Lucrecia tocou de forma delicada um dos papéis A 4 sobre a mesa, os enormes olhos negros pareciam curiosos e atentos na mesma medida enquanto lia com atenção cada uma das palavras.
— Conhece bem as pessoas com quem esta firmando esse acordo?
Perguntou sem olhar para Ivan que já lhe encarava surpreso.
— São novos sócios, ainda não nos conhecemos pessoalmente.
— Deveria pedir ao seu advogado para reler o acordo, assinando esses contratos você dá a esse tal "Andrei Ivanov " autonomia para usar suas sedes aqui em Boston como paraísos fiscais, o Cassino?
— Sim.
— Está descrito como uma financeira de imóveis, pessoas que querem burlar o imposto de renda usam isso como artifício para tornar as propriedades em seu nome inviáveis para consulta, é algo Inteligente, mais também é perigoso se for descoberto o Cassino será embargado pela justiça e provavelmente você irá perde-lo.
— Como sabe de tudo isso?
Lucrecia o olhou assustada, sequer havia percebido que falava enquanto lia os papéis em sua mão.
— Estou dizendo bobagens, desculpe-me.
Colocou sobre a mesa o documento.
— Ouça, é óbvio que você não é uma simples moradora de rua como eu pensava, está em minha casa e o mínimo que pode fazer e não me tratar como idiota.
Ela abaixou a cabeça envergonhada.
— O quanto entende de tudo isso? Não minta.
— Muito.
Falou esfregando fortemente os braços.
— Sabe falar em Russo?
— Sim, também falo espanhol, italiano, inglês, turco, francês e latin.
A boca de Ivan se abriu em um enorme "O", passou as mãos pelos cabelos caminhando de um lado para o outro dentro do escritório.
— Não vai me dizer quem é você não é mesmo? De onde vem e do que está está fugindo.
Ela balançou a cabeça em negação.
— Se for uma espiã enviada para bisbilhotar os meus negócios teremos problemas.
Ela sorriu.
— Não sou, eu juro.
— Pois bem, preciso de uma secretária para me ajudar na empresa, alguém de confiança que não possa ser comprada como a última vagabunda que passou pelo cargo.
— Quer que...
— Sim, quero que trabalhe para mim, será minha Secretária pessoal.
Lucrecia permaneceu em silêncio por um tempo.
— Não posso arrumar um emprego pelos meios legais.
— Entendi, sem polícia, sem hospitais e sem contratos trabalhistas.
Ela riu de um jeito descontraído.
— Ok, você começa amanhã, vou pedir a Cora que lhe compre roupas novas, não pode trabalhar na empresa vestida com esses pijamas ridículos.
— Gosto dos pijamas, são confortáveis, não os acho ridículos.
Cruzou os finos braços frente ao corpo fazendo com que ele sorrisse.
— Tudo bem, vá com eles então.
Ela pensou por um momento, ele a fitou com as mãos dentro dos bolsos.
— Talvez um terninho, ou um vestido não seja tão ruim.
— Claro que não.
Falou de um jeito brincalhão.
— Discutiremos seu salário amanhã, prometo ser justo quanto aos valores, agora vá dormir, amanhã será um longo dia, fez um grande avanço não é mesmo? de desabrigada a secretária em menos de 24 horas.
— Eu não teria como agradece-lo, o senhor é tão bom, tão gentil.
Ivan Gargalhou alto.
— Acredite não são muitas as pessoas que pensam como você, o que acaba de me dizer agora?
— Sim.
— É a primeira vez que ouço.
Lucrecia o olhou confusa.
— Vá, descanse.
Caminhou em direção a mesa dando espaço para que ela saísse, Lucrécia caminhou em direção a porta, antes de sair o olhou por uma última vez.
— Senhor Ivan.
— Diga.
Falou sem tirar os olhos do notebook sobre a mesa.
— Obrigada.
Ele sorriu para ela, ao vê-la deixar o cômodo pós uma de suas mãos sob o queixo pensativo.
— Do que está fugindo menina?
Falou para si mesmo.
— Talvez Fred não esteja errado, você parece ser problema e eu sou o filho da puta que adora uma boa confusão.
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Atualizado até capítulo 69
Comments
morena
amoooo
2025-03-14
0
morena
eita porra
2025-03-14
0
morena
🤣🤣🤣
2025-03-14
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