Paralisada, Alice tenta reagir de alguma maneira, mas ela não faz idéia do que fazer, e a alternativa mais fácil que ela enxerga é fugir. Se levanta rapidamente e pegando sua bolsa sai a passos ligeiros do bar. Lá fora pega seu celular com as mãos trêmulas e aciona um Uber. Daniel só demorou uns segundos á mais, porque não ia deixar o bar sem pagar a conta, jogou algumas notas de cem reais para barman e correu para calçada, observou Alice olhar a rua com ansiedade.
— Alice... me desculpa... prometo que não vou te beijar outra vez... mas deixa eu te levar pra casa...— Daniel falou se aproximando da garota.
Alice nem olhou para trás, fechou os olhos sentindo a presença de Daniel se aproximar, aquele perfume amadeirado que ela bem conhecia.
— Por favor, Alice... não vou deixar você ir pra casa sozinha, não seria cavalheiro da minha parte...— Daniel insistiu tocando o ombro de Alice.
Alice prendeu a respiração, o simples toque da mão de Daniel a deixava completamente á mercê dele. As lágrimas estavam brotando em seu coração, mas ela as reprimiu e voltando-se para Daniel, o encarou e se aproximando do rapaz, colocou a mão em seu rosto, acariciando a barba curta por fazer.
— Não dá... eu não posso... Céus! Com é difícil! — Alice balbuciou e deixou um beijo no rosto de Daniel.
Se afastou do homem dos seus sonhos, e logo em seguida o Uber parou na sua frente, sem olhar pra trás ela entrou no carro, ouvindo Daniel falar aflito:
— Alice... não vai...
Quando o Uber saiu para o caminho, Alice soltou o ar, e pensando que iria respirar melhor, na verdade foi tomada pelas pelas lágrimas que reprimia, e sem poder controlar mais, chorou copiosamente, assustando o motorista do Uber.
— Está tudo, srta. Alice?
— Desculpa senhor, problemas particular... vai passar.— Alice murmurou.
O motorista assentiu e continuou o trajeto.
Quando Alice chegou em casa, estava tudo escuro, já passava da meia noite, seus irmãos deviam estar se divertindo em alguma boate, era sábado a noite, e seus pais já deviam estar dormindo. Foi até a cozinha e resolveu fazer um chá de camomila. Enquanto a água esquenta na chaleira, foi até o banheiro e lavou o rosto, limpou a maquiagem borrada e resquícios de um dia corrido. Voltou a cozinha, colocou um sachê de chá na xícara, jogou a água fervente e sentou na banqueta da ilha da cozinha. Enquanto tomava o chá um filme do beijo passou em sua cabeça, como era difícil seu sentimento. O beijo ainda queimava em seus lábios, e todo seu corpo protestava a separação, inclusive seu coração. Mas sua consciência a condenava de todas as maneiras. Ao mesmo tempo que queria se jogar nos braços de Daniel, se sentia baixa e vil, por ter aceitado o beijo de um homem noivo. Estava tão concentrada em seus pensamentos, que nem notou que sua mãe desceu as escadas e se aproximou, vestida num robe pérola.
— Alice? Está tudo bem, querida?— Elise perguntou observando os olhos inchados e vermelhos de chorar.
— Mãe! Oi!
Alice se levantou e correu para abraçar a mãe, e no aconchego dos braços de Elise, não pode evitar derramar seu pranto mais uma vez. Sua mãe apenas se manteve abraçada com a menina, esperando a filha se acalmar. Minutos mais tarde, as duas estavam sentadas no sofá, e Alice estava deitada no colo da mãe.
— Mãe... como conseguiu se manter firme no voto de castidade até o casamento?— Alice perguntou.
— Não é uma questão de estar firme... foi uma escolha que fiz ainda adolescente, a princípio pensei que seria fácil, não saía namorando por aí, e nem tinha interesse... mas quando eu conheci seu pai e começamos a namorar, eu vi que não seria tão fácil como eu imaginava... é uma via de mão dupla. Quando ficamos noivos, eu me rendi, me entregaria ao seu pai sem a menor dúvida. Mas ele respeitou o meu voto, e me ajudou a vencer a tentação até o casamento. Seu pai foi maravilhoso, muito compreensivo, tenho certeza que foi bem mais difícil pra ele. Por isso depende muito do homem, para o voto de castidade dar certo. Mas porque a pergunta? Está pensando em fazer isso? Ou está chorando porque estava com alguém, que não te respeitou?— Elise concluiu com perguntas.
— Talvez... se contar o que realmente aconteceu, a senhora vai sentir nojo de mim...— Alice coloca as mãos no rosto.
— Querida, estou aqui para ajudar, não para julgar. Pode falar comigo. O que aconteceu?
Alice se levantou do colo da mãe e envergonhada, encarou os olhos castanhos claros.
— Eu beijei um homem compromissado...
— Estava com um homem casado?— Elise perguntou incrédula.
— Não... um homem noivo...
— Estava com Daniel?
Alice assentiu. Não tinha como esconder da mãe, ela a conhecia perfeitamente.
Como Elise pode descobrir a pessoa tão fácil? Alice nunca havia contado sua paixão por Daniel.
Mas quem é mãe sabe decifrar um filho, basta ligar alguns acontecimentos e algumas atitudes, e a mãe tem toda vida do filho diante dos seus olhos, como um livro aberto.
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Atualizado até capítulo 103
Comments
Sueli Silva
Colo mais aconchegante que existe é o da mãe ❤️❤️❤️
2024-09-27
4
Vilma Teixeira Roquete
Continuando a saga Angélica, mais uma história maravilhosa, começando 13-06-24.
2024-06-14
4
Helena Ribeiro
O amor é lindo ❤️💓💓💓💓💓😍💞💓💓
2024-04-19
5