Aos poucos, eu estava esquecendo minha única família, mas não era fácil. Quando eu estava sentada em um canto chorando, eu decidi pensar como uma adulta, que escolhe o destino da própria vida, e não uma criança infantil, que vive chorando nos cantos porque foi abandonada pela tia. Aquela que prometeu à irmã que iria cuidar da filha, e na primeira oportunidade que viu, abandonou.
Eu sei que tia Lena tem a vida dela, que não poderia simplesmente abandonar seu casamento de tantos anos, para cuidar de mim contra a vontade do marido. Mas senti uma rejeição na pele. Viver algo que você nunca viveu é dolorido. Meus pais nunca me fariam algo assim, sempre estavam dispostos a cuidar uns dos outros, não se importando se aquelas pessoas a quem ajudavam agradeceriam depois ou não.
Por muitos anos, vivi em uma grande bolha de ilusão. Pensava que no mundo haveria pessoas como meus pais, com tanto amor no coração e sentimentos bons. Ou talvez um coração bondoso. Já vi que me enganei literalmente. No entanto, sempre coloquei nos lábios um sorriso, mesmo que meus olhos estivessem carregados de tristeza e o peito carregado por dor e decepção.
Mas tudo isso que estou vivendo é um aprendizado, e só mais um tijolo para fazer degraus e subir. Porque eu vou lutar para chegar onde quero chegar. Não para mostrar às pessoas que sou a melhor, mas sim para mostrar a mim mesma que eu posso chegar lá e que lutando eu consigo. Faço isso por eles, pelos meus queridos pais que, onde estiverem, sei que estão cuidando de mim, sei que estão olhando por mim.
Tudo isso eu estava aqui pensando no meu canto, até abraçar minhas pernas e chorar pela última vez. Sim! Seria a última lágrima de tristeza que eu choraria. Sinto alguém perto de mim, e quando ele falou, pude sentir um alívio. Estranhamente, Arthur Bennett me traz uma paz interior. Todas as minhas confusões foram se esvaindo e minhas dores sumiram quando vi aqueles lindos pares de olhos castanhos.
A sua preocupação estava evidente em sua fala e em seu olhar penetrante. Arthur começou a falar comigo e me acalmar, até que pegou um lenço finíssimo em sua bolsa e enxugou minhas lágrimas. Eu sei que Arthur é um jovem rico e filho de alguém importante. Já o vi com amigos estampados em revistas de fofocas, onde seu nome estava emaranhado em tantas confusões que dariam medo de ler. Mas aquilo não me importava. Eu só queria tê-lo próximo a mim, pois Arthur era como um anjo de paz em minha vida, e era exatamente isso que eu precisava agora, "paz". E Arthur me proporcionou isso, a paz e a calma.
Ele senta no chão próximo a mim, e com suas mãos hábeis e fortes me traz para perto de seu corpo. Me senti completamente segura estando ali, em seus braços, deitada em seu peitoral. Com a mão livre, Arthur faz carinho em meus cabelos e conversa comigo até eu ficar bem.
Com aquele carinho, eu quase durmo ali mesmo em seus braços. Ele me acorda.
— Vick, vem, vamos sair daqui. Se o reitor nos pegar, seremos expulsos. — Falou com voz calma.
— Sim. — respondi.
Nos colocamos de pé, e caminhamos para o meu quarto. Arthur me deixa na frente da porta e se despede, passando seus dedos mornos em minha bochecha.
— Fica bem... Ah! antes de ir, quero te convidar para ir comigo à festa de boas-vindas. Os meninos estão organizando para essa noite.
— Claro, seria uma honra. — respondi com um sorriso fraco.
— Ótimo. Pego você às 8:00. — Arthur falou e saiu dali para a área dele.
Entrei em meu quarto, e as meninas estavam todas animadas, escolhendo suas roupas para essa festa de boas-vindas.
— E aí, Vick, você vem para a festa conosco? — Alice pergunta.
— Vou, fui convidada. — respondi.
— Aí sim, hoje a noite vai ser nossa. — Alice falou toda animada.
— Hoje só quero uma coisa, agarrar Arthur Bennett, esse garoto tá me tirando o sossego. É minha paixão desde a infância, e agora tê-lo tão pertinho, sinto que é minha chance. — Falou Jaqueline toda animada.
Por alguns segundos fiquei desanimada. Divido quarto com as meninas e até agora foram ótimas comigo. Não quero me colocar no meio de Jaque com Arthur, então decidi não ir com ele, vou sozinha.
— Boa sorte amiga. — respondi.
A noite já havia caído, tomei um banho rápido, fiz minha higiene bucal e me arrumei. Vesti um vestido branco, colado ao meu corpo e contendo um zíper em cada lateral, calcei minha sandália e já fui saindo para a festa na companhia das meninas.
Assim que cheguei, havia muitos jovens da universidade e fora dela também. Uma festa de boas-vindas que com toda certeza foi feita às escondidas do reitor Bile. Havia bebidas e alguns jovens fazendo uso de coisas ilícitas.
Me sentei em um tronco de madeira, enquanto observo uma fogueira acesa. As meninas que vieram comigo se misturaram com alguns jovens ali, e eu simplesmente preferi ficar observando.
— Olá, boa noite linda? Está sozinha? — perguntou um cara todo tatuado, e seu hálito matava por ter ingerido várias quantidades de tequila pura. Porém, antes mesmo de responder que eu estava sozinha, alguém interrompe.
— Ela está acompanhada, então sai daqui e deixa ela em paz. — Arthur apareceu colocando o cara para correr e sentou-se ao meu lado. — Por que não me esperou? Achei que minha companhia te fazia bem. — falou tomando um pouco de vinho e me entregou um refrigerante.
— Desculpas. Eu só vim porque minhas amigas me pediram que viesse com elas, não envolvi seu nome.
— Qual é o problema de falar para elas que estaria comigo essa noite? — perguntou, eu engoli em seco.
— Nenhum. Mas você é um garoto da sociedade, e não quero que tirem fotos de nós dois por aí e postem em revistas de fofocas com falsas especulações. — falei me arrependendo de abrir tanto a boca.
— Algo está te incomodando, posso saber o que é? — Arthur perguntou deixando o resto do vinho de lado.
— Está tudo bem, não é nada. — falei.
A quem eu queria enganar? Pela primeira vez em minha vida, deixei-me ser levada por um sentimento de ciúmes. Eu estava sentindo ciúmes de Arthur, e ele não é nada meu.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Maria Sena
Eita, o sofrimento em vez de diminuir conhecendo o Arthur vai é aumentar. A Jaque vai ser uma pedra no sapato dela e vai causar intriga quando descobrir que ele tá interessado na Vitória.
2025-02-25
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Tânia Campos
A outra se fosse convidada por ele, teria ido, não pensaria em ninguém.
Otária, essa Vick.
2025-02-28
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Maria Das Neves
ela tem que ser mais madura
2025-03-08
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