O médico entrou com o pároco e trazia uma prancheta com papéis diversos nela. Pediu a Melanie seus documentos e preencheu a certidão, já havia preenchido os de Rafael. Virou-se para Leda e perguntou:
— Você pode ser a testemunha? Assim ninguém duvidará.
— Com certeza, tô adorando tudo isso. — respondeu Leda, pegando seus documentos, feliz por sua amiga.
O médico preencheu a certidão com os documentos de Leda e deu para ela assinar. Depois foi a vez dos noivos, os dois assinaram o documento, que no dia seguinte seria registrado em cartório e o pároco realizou a cerimônia, disse algumas palavras, leu uma passagem bíblica e fez a clássica pergunta, que os dois responderam com um sonoro: sim.
— Eu os declaro marido e mulher. — concluiu o pároco.
A noiva beijou o noivo, só um encostar de lábios, para constar, embora se olhassem com muito amor e felizes. Leda batia palmas e foi felicitar os noivos, estava adorando participar daquela experiência única e feliz, por Mel agora ter garantias para o futuro, seu e do seu filho.
Melanie reparou que Rafael estava muito cansado e não faltava muito para apagar, como das outras vezes em que fizeram amor, chamou o médico rapidamente e perguntou se ele estava com os documentos de autorização para o transplante e depois de uma rápida explicação sobre o que era, Rafael concordou e assinou a autorização. Logo depois que assinou, Rafael praticamente apagou e parecia profundamente adormecido.
— Está feito, doutor, mas amanhã ele não se lembrará de nada e dirá que nada aconteceu, então não comente nada com ele. O senhor já tem a autorização, então prepare tudo e façam.
— A senhora agora é esposa oficial e pode decidir por ele, mas uma coisa eu não entendi, como pode ele acordar assim, chamando-a, reconhecendo o filho e depois não lembrar de nada no dia seguinte?
— Diga o senhor doutor. Já aconteceu isso algumas vezes e foi assim que eu engravidei. — Informou Mel.
— Me parece que este é um outro problema, vamos primeiro fazer o transplante e depois pesquisar o seu cérebro, para ver como está e o porquê desta mudança de personalidade no meio da noite.
— Obrigada, doutor, agora, se me permite, vou dormir, estou muito cansada.
— A cama dele é larga e sugiro que durma ao seu lado, acalmará ele.
— Obrigada, doutor.
O médico se foi e chegou a hora de agradecer a Leda, se virou para ela e abraçou-a com um sentimento profundo de gratidão e Leda sentiu e também a abraçou, com lágrimas nos olhos.
— Obrigada, Leda, nada do que eu faça poderá agradecer o que você fez por mim hoje.
— Foi um enorme prazer, não só por participar de uma experiência única como também pelo prazer de ver você encaminhada.
— Que bom, estou muito feliz, embora saiba que a luta continua.
— É verdade, mas pode contar conosco. Agora eu vou embora e você vai deitar e descansar e não se preocupe que meu amigo está esperando lá fora.
— Está bem, vá com Deus.
— E você, fique com ele.
Mel testou e viu que a cama era bem confortável, subiu na escadinha, descalçou os sapatos, se aconchegou a ele e descansou, dormindo tranquila, pois estava tudo resolvido. Seu filho teria um pai legítimo e quando Rafael se recuperasse, poderia ter um pai presente. Estava tudo em ordem, até Rafael acordar.
Melanie ainda dormia quando foi empurrada da cama, se virou e despertando rápido, seu instinto, mais que a razão, a fizeram se segurar na borda da cama, ao mesmo tempo que soltou um grito bem alto, que trouxe ao quarto, vários técnicos. Quando entraram viram a cena da mulher grávida, segurando na cama e sentada na escadinha, toda torta.
Correram para socorrê-la e verificaram que ela sentia muita dor. Chamaram rapidamente o maqueiro e a levaram para o consultório, depois de saberem que ela caíra sentada na escadinha. A dor que Melanie sentia, era muito forte e todos ficaram abismados ao saber que o paciente teve força suficiente para empurrá-la do leito. O médico chegou e examinando-a viu que um pequeno sangramento estava surgindo e achou melhor medicá-la e deixá-la de repouso absoluto em um outro quarto do hospital.
George chegou e foi informado do acontecido com Melanie, perguntou a Rafael o que foi que aconteceu.
— Como foi isso, Rafael? Não acredito que você faria algo assim de propósito.
— Juro que não foi, George. Eu acordei sentindo algo sobre mim e empurrei com força, com medo de ser meu tio ou a Giulia, que tivessem voltado e estivessem me fazendo mal. Só depois percebi que era Mel, mas não consegui ajudá-la , por estar muito fraco.
— É estranho, você está fraco para ajudá-la, mas não está para derrubá-la. Estou muito aborrecido com você, mas entendo. Vou lá ver como ela está.
— Não demore, por favor. Também quero saber notícias dela.
George se informou sobre o quarto em que ela estava e foi lá visitá-la. Abriu a porta depois de dar duas batidas e encontrou ela deitada, acordada mas parecendo muito abatida.
— Bom dia, minha flor! — cumprimentou ele, carinhosamente.
— Bom dia, George. Se aproxime, tenho muito o que te contar.
— Já falei com Rafael e ele me disse que foi sem querer, pensava que era alguém querendo lhe fazer mal.
— Sei que ele não faria isso de propósito e a culpada fui eu, que me deixei levar pelo momento e deitei sem preocupação ao lado dele, mas foi tão bom dormir naquela cama grande e aconchegante.
Os dois sorriram, mesmo sabendo que o caso era grave, e ela poderia ter perdido o bebê.
— Eu preciso te contar o que aconteceu pela madrugada e você terá que consolidar tudo, legalmente.
— Então, a madrugada foi agitada?
— Muito e creio que podemos ter esperança.
Então, Mel contou para George tudo o que ocorreu desde que o médico pedir para falar com ela fora do quarto no dia anterior. Falou sobre o casamento, sobre a certidão que assinaram e que tinham uma testemunha, que era a amiga que veio com ela, de casa.
— Uau! Nem acredito que perdi tudo isso. Mas pelo menos parece que temos uma solução para todos os problemas.
— Menos para a falta de memória dele, mas até isso o médico atestou e vai fazer os devidos exames assim que fizer o transplante da célula tronco.
— Entendo. O médico disse quando será esse procedimento?
— Creio que ainda hoje infelizmente estou em repouso absoluto por conta da queda e não quero pôr em risco, de maneira alguma, o meu bebê.
— Você está certa, pode deixar que eu ficarei com ele durante todo o processo.
— Mas e a empresa, George, quem está lá no comando?
— Vou ligar para o vice e pedir que ele assuma o cargo provisoriamente.
— Isso é muito arriscado, mas creio que poderemos reverter quando saímos daqui.
— Espero que sim, mas de qualquer forma, se Rafael ficar bom, ele mesmo assume tudo e põe ordem na casa. Não vamos à falência por causa disso.
— Espero que dê tudo certo, ou ele não vai nos perdoar.
— Fique tranquila quanto a isso.
— Obrigada, George, não se preocupe comigo, estou de repouso por precaução, mas não falta muito para o bebê nascer.
— Você sabe que gosto muito de você, não sabe?
— Sim, eu sei, você tem sido um grande amigo, George, obrigada.
— Agora você é uma mulher casada, mas se por acaso divorciar-se, eu estou na fila.
— Ah, George, não diga isso…— disse ela sorrindo, mas envergonhada.
Ele sorriu de volta e se retirou para tomar as devidas providências quanto ao casamento e ao transplante de Rafael. Ficou feliz que o amigo no lapso, durante a noite, tomou a atitude correta para com Melanie e seu filho. Expusera com verdade os sentimentos do seu coração, pois realmente se apaixonou por Mel e se não fosse por ela gostar de Rafael, o que era muito visível, ele realmente tentaria conquistá-la.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Susana Sousa
mas afinal quem é o médico aqui!!???
2024-11-21
0
Joelma Teixeira Marinho
George merece uma mulher legal quem sabe umas das meninas da pensão ou seja a Leda kkk
2023-12-06
16
Márcia Jungken
imaginei que George está apaixonado por Melanie por tudo que sempre fez por ela
2023-10-31
11