Márcio não sabia para quem ligar e ligou para Melanie, que quando soube, ficou apavorada e ligou para George, que estava chegando em casa e manobrou, seguindo para o hospital. Perguntou na recepção e informaram que já havia um parente com ele no quarto. George imediatamente usou seus direitos de advogado do paciente e solicitou entrada imediata.
— Não adianta ser advogado dele, tem que ter procuração.
— Já volto. Ele correu no carro e pegou sua pasta, que ainda estava com ele, pois não tinha chegado em casa ainda. Correu de volta para a recepção e tirou a procuração da pasta, entregando-a para a recepcionista.
— Sim, está tudo certo, aqui está seu passe. — Deu o passe adesivo a ele, depois de verificar e registrar tudo no computador.
George correu pelo hospital, com pressa de chegar ao quarto e no caminho, quase derrubou o médico e precisou parar para ajudá-lo a se manter de pé. O médico olhou para ele e depois para o seu adesivo e perguntou:
— Para onde o senhor vai com tanta pressa?
— Meu amigo e cliente está sozinho no quarto com a visita de seu tio, que é doido para acabar com ele e assumir seu lugar na direção da empresa.
— Então continue correndo, que eu vou atrás.
George estava certo, chegou na porta do quarto e abriu-a devagar, para não incomodar o paciente e viu seu tio mexendo nos tubos que ligavam Rafael ao respirador. O médico chegou atrás e também viu que o tio estava querendo interferir no tratamento do paciente e seria muito prejudicial se ele cortasse o respirador.
— O que pensa que está fazendo?— perguntou o médico.
O homem largou o tubo e virou-se, rapidamente, encarando o médico e a cara feia do advogado, que o olhava com olhar assassino.
— Desculpe, eu só estava tentando ajeitar o tubo, pois achei que iria soltar da máquina.
— Retire-se daqui, agora o paciente já está com seu responsável presente.
— Responsável? Eu sou o responsável por ele, seu único parente. E esse aí, quem é?
— Não lhe devo satisfação, mas vou responder: sou o que tem uma procuração para resolver todos os assuntos referentes ao paciente e peço que se retire e não volte mais, agora.
O homem achou melhor se retirar e não criar confusão, já que foi pego com a mão no tubo e embora não tivessem prova do que ele estava fazendo, geraria mais desconfiança se ele quisesse permanecer ali. Saiu pela porta, andando pelo corredor como se não tivesse nada a temer e foi embora.
George olhou para o médico e se aproximou da cama para ver como estava seu amigo e viu que a situação era crítica, ele respirava por um respirador automático e estava completamente paralisado.
— O que ele tem, Doutor?
— Fiz uma série de exames e descobri que ele está no início de uma infecção grave no sangue e já administramos antibióticos de amplo espectro.
— O que causou esse quadro, doutor?
— A princípio uma infecção bacteriológica, mas ainda não sabemos ao certo, por isso, estamos mantendo-o sedado e o respirador é mera precaução.
— Obrigado, doutor.
— Sabe se ele tem tido algum outro sintoma?
— Sim, ele anda cansado, apático e sem apetite. Emagreceu e uma ou outra vez, apareceu-lhe manchas na pele. — Esqueceu completamente da perda de memória.
— Se o senhor autorizar, gostaria de aproveitar e fazer uma punção lombar, para descartar uma leucemia.
— O senhor acha possível, doutor?
— Pelos sintomas, sim e se estiver no início, é mais fácil tratar.
— Então faça, doutor.
— Vou providenciar tudo e a enfermeira trará a autorização para o senhor assinar.
— Obrigado, doutor.
George passou a noite ao lado de Rafael, assinou os papéis que vieram e logo em seguida, levaram ele para fazer a punção, aproveitando que estava sedado. Voltou uma hora depois e puseram ele de lado, para ficar mais confortável e deixar o local da punção, sem peso em cima. George dormiu no sofá cama do acompanhante, dando graças, pelo excelente hospital fornecer acomodação para o acompanhante .
Ao acordar pela manhã, com a movimentação normal do hospital, com os técnicos preparando os pacientes para a troca de turno, George percebeu que retiraram o respirador e Rafael respirava bem. Foi ao banheiro, fez sua higiene e voltou na hora que trouxeram seu café da manhã. Comeu e esperou o médico passar e trazer o resultado dos exames. Neste ínterim, Rafael acordou e viu seu amigo.
— O que houve, George. — sua voz saiu rouca e precisou fazer força para falar.
— Oi, amigo. O médico disse que você estava com uma infecção muito forte e precisou sedá-lo para medicá-lo melhor. Também fez vários outros exames por causa dos sintomas que tem tido ultimamente.
— Que exames?
— Ele já vai passar aqui e explicará tudo. — George não quis entrar em detalhe sem ter certeza do que poderia ser.
O médico logo passou, e sua expressão era séria e compenetrada. Trazia uma prancheta na mão, que deveria ter os resultados do exame.
— Bom dia, senhores! Vejo que está melhor, Rafael.
— Só um pouco sem voz.
— Isso vai passar.
— O que eu tenho, doutor?
— Você chegou com um quadro infeccioso muito forte, estava em estado febril e precisou ser sedado para podermos tratá-lo com uma medicação mais pesada. De acordo com o relato de seu amigo, sobre os sintomas que estava tendo, resolvi fazer uma punção lombar.
— Mas esse exame não é só para casos sérios?
— É principalmente para tentarmos um tratamento mais eficiente, se a doença estiver no início.
— Que doença, Doutor? — perguntou Rafael, começando a se irritar.
— Leucemia. Detectamos que você está no estágio inicial da doença e precisará fazer apenas um acompanhamento, durante um tempo, para ver se a doença progride. Caso ela evolua, iniciaremos um tratamento, mas até lá, recomendo que você descanse, se alimente bem e preste atenção nos seus horários e na sua disposição. Qualquer sintoma desfavorável, venha imediatamente para o hospital e já deixarei marcadas consultas regulares, para nós podermos acompanhar o seu quadro.
Rafael e George ficaram chocados com o resultado e ao mesmo tempo, aliviados por descobrirem no início.
— Posso sair, doutor?
— Ainda não, manterei o senhor aqui até amanhã, por causa da infecção. Com esse resultado da leucemia, é melhor termos muito cuidado.
Depois disso, o médico saiu e deixou os dois amigos, mudos e meditativos.
— O que você quer que eu providencie?
— Peça à secretária que cancele meus compromissos, verifique os contratos que faltam assinar e por favor, traga roupas e material de higiene pessoal. Quero fazer a barba, traga meu barbeador, pode ser o que está no escritório.
George olhou para ele sem acreditar que o homem, mesmo doente, mandava e continuava trabalhando.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Joselia Freitas
Quando ele vai descobrir que o filho é dele😂👏👏💋
2024-06-23
1
Solange Maria
vai ser o cordão umbilical do bebê que vai salvar ele
2023-12-10
4
Sandra Regina
tem o filho que pode salvar ele que a mel está esperando
2023-12-07
1