Os dias passaram da mesma maneira, o clima bom, o sol brilhando, os pássaros cantando e Rafael e Mel brigando. Os dois só funcionavam bem, quando não se olhavam ou falavam, fora isso, todos percebiam que não havia entrosamento algum entre eles. Mel precisou sair e comprar roupas novas, pous a barriga crescia e suas poucas roupas, não mais lhe cabiam. George levou-a e pagou, embora ela reclamasse.
George processou a empresa dos Torres e Giulia separadamente. O processo já estava correndo e neste dia específico, o senhor Torres trouxe sua filha Giulia para pedir desculpas ao CEO Rafael. A secretária abriu a porta, anunciando a presença deles e os dois entraram. Giulia olhou direto para Mel, destilando o mais puro ódio e Mel desdenhou lhe dando a língua.
Rafael viu aquilo e riu, pensando que Mel era como uma criança levada. Levantou-se e cumprimentou o senhor Torres mas não dirigiu a palavra a Giulia.
— Bom dia, CEO Torres.
— Bom dia, CEO Rafael. Trouxe minha filha para se desculpar com o senhor. — chegou dizendo ao que veio, rapidamente.
Rafael ficou calado e esperou ela falar.
— Eu peço desculpas pelo transtorno que lhe causei. — disse ela.
— O transtorno já foi e você vai pagar de um jeito ou de outro pelo erro que cometeu, mas o pior não foi o transtorno, foi o seu desrespeito para comigo e com a minha contadora.
— Não tenho culpa se vocês deram mancada. — disse ela, cínica e olhando para as unhas longas e bem manicuradas.
— É disso que estou falando, o fato de eu não te querer não significa que eu queira outra. O seu recalque, fez com que você inventasse uma situação que não tem nada a ver.
— Como não? Por que então uma contadora trabalha na sua sala?
— O que eu faço na minha empresa é problema meu e o que você fala de mim por aí, agora também é problema seu.
— Será possível, trouxe você aqui para resolvermos esse problema e não criar outro, Giulia. — reclamou o senhor Torres.
— Não sou eu o problema, o problema é ele. — continuou Giulia a falar, deixando os dois homens abismado com a falta de percepção dela.
— Creio que o senhor já viu que não há entendimento entre sua filha e eu. Posso até remediar o processo contra a sua empresa, mas infelizmente ela é uma das que encabeça o contrato e com ela não vou ter meios termos.
— Você não me engana, Rafael. Tudo que está fazendo é por causa daquelazinha ali.
— Como você disse, aquelazinha, não me interessa, não me sujeito a pessoas como ela, que engravidam e nem sabem quem é o pai, agora saia da minha empresa, nosso assunto está encerrado.
— Nos vemos no tribunal. — declarou ela, orgulhosa.
O senhor Torres se desculpou e puxou a filha para fora, Rafael ficou olhando para a porta se fechando atrás deles e suspirando sentou-se para trabalhar. Sequer notou o desgosto e tristeza de Mel, por ter sido chamada de "aquelazinha", sentiu-se mais desrespeitada por ele do que pela tal Giulia. E pensar que carregava o filho dele, que foi feito com tanto carinho e ele desprezou.
Depois desta reunião, não demorou duas horas e ele começou a sentir-se mal. Chamaram o médico de plantão da empresa e ele veio e achou melhor que o patrão fosse para o hospital. Chegando lá, logo em seguida chegou George com sua procuração e tratou de tudo para a internação recomendada pelo médico. Rafael iniciaria o tratamento com a quimioterapia.
— Mas o que está fazendo isso comigo, doutor? — perguntou Rafael, inconformado com sua situação.
— Acontece, filho. Vamos ver como reage o seu corpo ao tratamento, já que a doença está no início, pode ser que faça efeito logo e você fique bom.
— E se não fizer, que opções eu tenho?
— Aí só um transplante de medula ou um novo tratamento que surgiu com células-tronco, mas esse é bem mais difícil.
— Como assim Doutor, o senhor está querendo dizer que eu posso morrer?
— Morrer, todos nós vamos, o que quero dizer é para você torcer que dê certo o primeiro tratamento com a quimioterapia e sua própria célula, pois é muito mais difícil encontrar um doador de medula óssea compatível com você.
— Entendi.
— Eu já calculei tudo e você iniciará o pré tratamento ainda hoje à noite e amanhã iniciaremos logo a quimioterapia. Foi bom durante esses últimos dois meses você ter feito todos os exames e tomado todas as precauções possíveis, agora é mais fácil que a quimioterapia dê certo.
— Obrigado, doutor, quanto tempo ele vai ficar no hospital? — perguntou George.
— A princípio, faremos três sessões de aplicação da quimioterapia. Ele tomará a primeira amanhã, se não tiver nenhuma reação muito forte, poderá voltar para casa e vir só na semana que vem tomar a segunda aplicação.
— Entendo e quais são as reações da quimioterapia? — continuou querendo saber, George.
— Talvez ele nem chegue a ter reações muito fortes, mas a princípio, sentirá enjoos e futuramente quando o tratamento estiver mais forte, podem cair-lhe os cabelos.
— Vou ficar careca, Doutor? — perguntou Rafael passando as mãos pelos cabelos sedosos.
O médico riu, pois era bem capaz de ele não perder fio nenhum de cabelo, torcia para que o tratamento desse logo certo e ficasse logo bom pois estava bem no início da doença.
— Parem de se preocupar à toa, se Deus quiser nada disso vai acontecer, o tratamento dará certo e você ficará bom, é assim que tem que pensar.
— Obrigado, Doutor — agradeceu George.
O médico saiu e logo após entrou uma enfermeira e aplicou o primeiro soro que ele teria que tomar antes da química do tratamento. Rafael estava inconformado, não sabia o porquê de estar passando por aquilo e por que não ficou bom logo. Da primeira vez, quando saiu do hospital, tinha a esperança de que aquele problema em seus leucócitos, fosse por causa da infecção forte que teve. Mas pelo visto não era.
— Vamos ter esperança, Rafael e tudo dará certo.
— Quero te pedir três coisas, George. Como meu amigo, quero que não permita meu tio tirar nada de mim.
— Para isso eu tenho a procuração.
— Sim, mas ele tentará anular a procuração, caso eu fique completamente sem condições de gerir os negócios.
— Pode deixar, cuidarei de tudo. O que mais você quer que eu faça?
— Quero que cuide de Melanie, não lhe deixe faltar nada, mesmo eu não sendo pai, me afeiçoei a ela..
— Então, agora você reconhece? — cutucou-o George.
— Não aumente o que eu disse.
— Tá bom, foi só pra descontrair.
— Se você quer me descontrair, é só imitar um macaco, que nem você fazia naquelas brincadeiras de adivinhação, quando éramos jovens.
— Você tá me chamando de velho?
Rafael caiu na risada, pois a careta que George fez, era impagável. Este era um amigo que Rafael tinha como um irmão, sabia que só podia contar com ele para tomar conta de tudo que era seu.
— E o que mais você quer?
— Caso aconteça o pior e eu fique muito tempo fora da empresa, quero que você acione o vice e os diretores e assuma, prepare inclusive os documentos necessários para que você possa gerir os meus negócios quando eu não estiver.
— Você não acha que está sendo muito drástico, já que eu não entendo nada de administração.
Mais uma vez Rafael riu, imaginando aquele advogado simpático, sentado na sua cadeira da presidência e tendo que mandar em sua secretária rabugenta.
— Não se preocupe, a não ser que eu me case e minha esposa assuma o lugar da presidência, você terá que fazer isso.
— Olha que vou elaborar um documento e colocar isso como cláusula, hein?!
— Pode fazer que eu assino embaixo.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Samia Costa
ele é bipolar certeza
2024-10-18
0
Solange Maria
a mel vai assumir a empresa quem entende de contabilidade sabe administração
2023-12-10
6
Solange Maria
acho que vou ligar o aspirador de pó pra vê se o Rafael aparece e so ligar o aspirador que ele da as caras pra transar 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2023-12-10
1