Rafael encarou Melanie, fixamente. Será que ela quis dizer o que ele estava entendendo? Depois que ela falou com ele, aquelas coisas no hospital e George havia explicado que ele podia ter voltado a ter distúrbios do sono, as indiretas foram exatamente essas, que ele era um de noite e outro de dia e durante a noite ele podia ter, realmente, feito algo com Melanie e esse filho poderia ser dele. Será?
— O que você está sugerindo, Melanie? — perguntou ele.
— O senhor é esse homem? — perguntou a ele, o pai de Mel.
— Acalmem-se, deixem a Mel explicar. Fala, filha. — pediu a mãe.
— É como eu já disse, mãe. O pai ainda não sabe com certeza deste filho, ele tem um distúrbio e precisa fazer um tratamento. Depois que o bebê nascer, solicitarei um exame de DNA que comprovará a paternidade. Por enquanto estou bem segura neste emprego, pois eles me dão um plano de saúde muito bom, que cobrirá todas as despesas durante a gestação e o parto. — explicou Mel.
O pai dela suspirou profundamente, parecendo aliviado por saber que não teria gastos. Sua preocupação maior era que não tinham condições financeiras de arcar com as despesas de um neto. Não tinham problemas em aceitar a gravidez de Melanie fora do casamento, embora fossem cristãos, mas acreditavam que filho tinha que ter apoio até o fim da vida, para isso eles eram os pais.
— Então filha, você está bem aqui? — perguntou o pai.
— Sim, pai. Eu trabalho aqui mesmo nesta sala, naquela mesa ali do canto, tenho todo conforto que preciso e meu salário dá bem para as despesas.
— E o pai da criança? — perguntou novamente o pai.
— Como já lhe disse, eu não sabia que ele tinha problemas de memória e esperarei quando ele estiver bem e que o bebê tenha nascido, para resolver a questão da paternidade.
— Entendi, filha. Você sempre foi uma pessoa ajuizada e de cabeça no lugar. Confio em você e vou embora tranquilo. Peço desculpas por termos ido na televisão e falado do que não sabíamos. Espero que não demore muito a passar tudo isso.
— Tudo bem, pai. O senhor foi envolvido por essas pessoas que só visam o próprio interesse, que ganham dinheiro a custa de difamar a vida dos outros. Me perdoe por não ter comunicado logo, a vocês.
— Ah, filha, ficamos tão preocupados. — disse a mãe, chorosa.
— Agora a senhora pode ficar mais tranquila, está vendo que estou bem, não é? — Mel esticou as mãos para segurar as da mãe, consolando-a.
— Sim, filha, obrigada.
Rafael enfim se levantou e foi falar com os pais de Melanie, assumindo total responsabilidade por ela e tranquilizando os dois, mas na verdade queria era que eles fossem embora logo.
— Peço desculpas também, pois o ocorrido foi por conta de uma de minhas sócias nos negócios, que não aceitou não ter um envolvimento emocional comigo. Melanie não tinha envolvimento nenhum no caso e acabou sendo a mais prejudicada.
— Nós entendemos, senhor. — falou o pai.
— Quero que saibam que me comprometo a cuidar de Melanie e de seu bebê até que nasça. Ela tem sido muito boa em seu trabalho e não deixarei que lhe falte nada. Também custearei a viagem de vocês de volta para casa, se não se incomodarem, já que, indiretente, fui o causador de todo esse problema.
A mãe de Melanie olhou para o marido sorridente e ele devolveu o sorriso, estavam aliviados, pois não tinham realmente condições para voltar.
Com tudo esclarecido, todos foram almoçar e os pais de Melanie voltaram para casa de avião e um motorista foi contratado para levar o carro deles. Melanie agradeceu a Rafael, embora considerasse uma obrigação dele, por ser o causador do problema.
Voltaram ao escritório e Rafael pediu a George para acompanhá-lo. Ao se acomodarem nas poltronas e Melanie na sua mesa, para iniciar o trabalho que estava atrasado, Rafael começou a falar:
— Quero que você recolha todos os dados e processe a empresa Torres e sua filha, separadamente. Quero ressarcimento por todos os gastos e indenização por danos morais.
— Tem certeza, Rafael. Ele é um bom sócio.
— Mas não consegue controlar a filha e ela me deu muito desgosto e gastos em apenas um dia. Se for preciso, cancelaremos o contrato. Creio que temos abertura para isso no contrato, dado ao escândalo que aconteceu.
— Sim, temos, principalmente porque quem causou tudo é uma das assinantes principais.
— Ok, então, faça isso imediatamente.
— Então, já estou indo, tchau. — levantou-se e despediu-se de Mel antes de sair.
Rafael levantou-se e foi até a mesa de Melanie, ficando de frente para ela.
— Agora somos nós, senhorita.
— O que você quer, agora, Rafael?
— Quero que você explique direitinho essa história. — disse ele, apoiando as duas mãos na mesa e se curvando, apoiou as duas mãos sobre a mesa, olhando para ela.
— Não me aborreça, Rafael. Desde que vim trabalhar aqui, que você só me mete em confusão.
— E acaso eu não estou certo?
— Certo em que, Rafael?
— Em tudo, você está me acusando de ser pai do seu filho, foi isso que entendi?
— Entenda como quiser, eu vou pedir um exame de DNA quando meu bebê nascer.
— Está me ameaçando?
— De que forma isso é uma ameaça, acaso você tem medo de que eu faça o quê?
Ele ficou sem resposta, se ergueu, enfiou as mãos nos bolsos e meditou sobre o assunto. Realmente, o que ele poderia fazer se fosse comprovado que ele era o pai daquela criança? Caiu em si do seu pensamento e voltou atrás, ele não pode ser o pai dessa criança. Voltou para sua mesa e começou a colocar em dia o trabalho atrasado.
Esqueceu completamente o assunto. Sua secretária entrou e foi ditando as mudanças na agenda, reuniões e os novos contatos solicitados. O dia terminou e não se preocupou com Melanie, saiu sem se despedir e foi para o estacionamento subterrâneo. Passou com seu carro pela frente do prédio e ainda haviam reporteres por lá. Foi para seu apartamento e esqueceu do mundo.
Foi George quem passou no escritório e levou Melanie, pois tinha certeza que Rafael deixaria ela para trás, sem ligar para o que lhe acontecesse na porta da empresa. Levou ela para a garagem e entraram em seu carro, saindo do prédio, ocultamente. Ele levou-a para casa e lá, Dona Hélia a esperava, preocupada. Não haviam mais repórteres na porta e isso aliviou George da preocupação.
Melanie recebeu com prazer a atenção de todos na casa, comeu a refeição especial que dona Hélia tinha preparado, tomou seu banho e foi finalmente descansar. Sua cama na parte de baixo do beliche, podia parecer pequena e feia, mas era o paraíso, onde ela podia descansar de todos aqueles problemas que surgiram.
Rafael realmente, tinha uma personalidade que não dava para entender. Uma hora ele era sorriso puro e simpatia e em outra, era um ouriço que espetava por todos os lados. Ela ainda não tinha pensado, realmente, na possibilidade de fazer o teste de DNA, mas a necessidade faz o ladrão e ela decidiu fazer o exame assim que seu bebê nascesse.
Não podia mais pensar só em si, precisava pensar naquela criança que tinha o direito de saber quem era o pai e de receber a presença paterna, tão importante na vida de uma criança. Faria sim, o exame e pediria ajuda a George, que como amigo, poderia conversar com Rafael e convencê-lo melhor.
Seria melhor não ter que entrar com um processo de reconhecimento de paternidade na justiça, mas se fosse necessário, eta isso que faria.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Solange Maria
esse cara além de sonâmbulo e bipolar uma hora ta bem em outra hora parece um cavalo dano coise pra todo lado
só que vai precisar muito dela babaca 😤😤😤😤😤😤😤
2023-12-10
7
Maria Do Carmo
gente ele só pensa nele mesmo muito egoísta...
2023-11-21
13
Márcia Jungken
ainda bem que George se preocupa com ela
2023-10-31
1