George se habituou a entrar na sala de Rafael e encontrar Mel e seu sorriso lindo. Iniciava sempre uma boa conversa com ela, mas Rafael, de cara amarrada, resmungava sempre. Foi assim que ele, um dia, esperou ela sair e sabendo que Rafael não estava por perto, a convidou para saírem e Mel não viu porque não aceitar. Mas Rafael descobriu, ao ouvir uma conversa deles ao telefone e forçou-a a fazer hora extra, mesmo sem necessidade.
Separou vários balanços dos últimos contratos, para ela examinar e ficaram os dois, trabalhando até passarem do horário de encontro dos amigos. Rafael ficou em sua mesa, lendo contratos e Mel, conferindo contas, já havia bocejado duas vezes e estava cansada e com fome. Então foi até a mesa do CEO e percebeu que ele dormira sobre o contrato que estava lendo. Chamou ele e nada, então pegou um livro pesado na estante e deixou cair sobre a mesa, ao lado dele.
Ele pareceu despertar assustado e olhou para ela reconhecendo-a e sorriu, levantou e foi até ela, envolvendo-a com seus braços e beijando-a sofregamente, como se estivesse faminto dela. Ela não esperava e não reagiu, mas assim que percebeu que ele faria de novo, o que fizera em outras duas noites, tentou o empurrar e se afastar, mas ele pegou-a pelo pulso, como das outras vezes e puxou-a em direção ao anexo.
A porta da sala se abriu de repente e Márcio entrou para faxinar o quarto e viu a amiga lutando, em apuros, e correu para resgatá-la. O CEO não esperava por isso e a largou, entrando no anexo sozinho.
— Me ajuda a sair daqui, Márcio, esse homem é louco!
Ele pegou a bolsa dela e a ajudou a ir até o elevador, que quando abriu as portas, saiu dele, George.
— Que bom que o senhor está aqui, doutor. Pode levar ela, o patrão dormiu e já é muito tarde.
Jorge olhou para Melanie, sem entender muito o que estava acontecendo, mas ao contemplar seu rosto pálido, que parecia tão assustado, acreditou em Márcio e levou-a embora dali. Entraram no elevador e ele apertou o botão do térreo e só depois que as portas se fecharam, ele falou:
— Como você não apareceu e nem ligou, tinha certeza que Rafael a tinha prendido no trabalho.
— Foi exatamente isso, seu amigo é doido, você sabia?
— Ele é meio exagerado, mas nunca foi doido não.
— Quando ele dorme no trabalho, faz coisas estranhas, fora do normal dele. Você nunca viu?
— Como assim, Mel?
— Márcio chegou na hora em que ele me puxava para o quarto anexo.
— Então foi isso? Acaso ele tinha dormido?
— Sim, sobre os documentos que lia, eu fui acordá-lo e aconteceu o que aconteceu.
— Já tinha muito tempo que isso não acontecia, mas quando ele era novo, chegou a ter algum tipo de sonambulismo. Mas eu nunca soube dele arrastar ninguém para o quarto.
— Ele deveria consultar um médico. — sugeriu Melanie.
— Amanhã falarei com ele, e direi que consulte o médico urgente, também tenho notado que ele está muito pálido e tem emagrecido, mesmo se alimentando bem.
— Não é normal esse tipo de comportamento, ainda mais no trabalho.
— Você está certa. Já comeu?
— Não, ele sequer pensou que eu ficaria com fome e não pediu nada para comermos.
— Vou levá-la a um lugar especial, que fica aberto a noite inteira e além de servir ótimas sopas e caldos, também tem massas.
— Do jeito que estou faminta, como qualquer coisa.
Saíram da empresa e George levou-a para um restaurante pequeno e simples, com comida caseira e tudo feito por uma família. Sentaram-se à mesa modesta e George pediu as sopas escolhidas por eles e uma porção de nhoque com molho bolonhesa. Mel comeu toda a sopa de feijão e dividiu o nhoque com George, depois um doce de banana se seguiu, de sobremesa.
— Hunmmm, você me fez a pessoa mais feliz do mundo! — falou ela, recostando na cadeira e abrindo os braços, representando o mundo inteiro.
Ele riu com gosto, adorando a inocência daquela jovem pura e que se contentava com coisas tão simples. Não se conformou por ela estar enfrentando uma gravidez sozinha e por isso perguntou:
— Quem fez isso com você, Mel?
— Hunm? — ela estava tão absorta em seu prazer, que não entendeu ao que ele se referia.
— Quem te engravidou e te abandonou, Melanie? — perguntou sério, exigindo resposta.
— Foi um certo homem com amnésia no dia seguinte, óh! — tapou a boca, ao perceber que se descuidou e falou demais.
— Então…é ele…como isso foi acontecer? — perguntou abismado e completamente encabulado pelo comportamento do amigo.
— Esqueça o que eu disse, por favor. Não quero falar sobre isso. — disse ela, se encolhendo na cadeira, com as duas mãos juntas sobre a barriga, como se protegesse seu bebê.
— Desculpe, Mel, mas você não tem esse direito. O pai é parte importante na vida do filho, ele tem deveres e direitos e você não pode privá-lo disso.
— Não sou eu que o estou privando disso. Ele que me tratou como desconhecida, depois de… ah, você sabe.
— Você contou pra ele?
— Não sabia que ele não lembrava do que aconteceu, eu estava trabalhando como faxineira, quando aconteceu e ele me deu os parabéns e falou do excelente plano de saúde.
— Mas ele tem problema de amnésia e precisa saber do que fez e que teve consequência.
— Pra quê, ele já tem me tratado tão mal, só vai fazer piorar.
— Não vou forçar a barra com você, mas vou tentar levá-lo ao médico e você vai me prometer que vai me deixar cuidar de você, feito?
— Feito, mas seremos só amigos.
— Tudo bem. — sorriu ele — agora vou te levar pra casa, você também precisa dormir.
Ele levou-a até a porta da pensão e ficou chocado ao ver onde a mãe do herdeiro das empresas Modern Propaganda e Marketing, vivia. Isso não podia continuar assim. Rafael conseguiu meter os pés pelas mãos, dessa vez.
O pior de tudo é que pelo que observou, seu amigo realmente se interessou pela jovem. Por isso tanta implicância, estava com ciúmes de si mesmo. George seguiu caminhando pela rua, rindo do amigo, teria que dar um jeito nessa situação.
Nenhum deles sabia que o estado de Rafael era mais complicado do que uma amnésia temporária, mas logo descobririam, pois enquanto eles conversavam, Rafael tinha convulsões em seu anexo e desfaleceu, até Márcio o encontrar no final de seu expediente e chamar o socorro, que o levou para o hospital, onde foi induzido ao coma. Fizeram vários exames e ele não acordava, então chamaram seu único parente: o tio interesseiro.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Giorgia
Ainda bem que agora ele tem um herdeiro legitimo, oculto, que só o melhor amigo é advogado sabe, e que pide protegê-lo... E com uma mãe que não é ignorante, que não se deixará roubar....
2024-08-07
3
Joselia Freitas
Fiquei com dó dele coitado 😔
2024-06-23
3
Solange Maria
agora o velho babão vai botar a mão na fortuna do sobrinho 😱😱😱😱😱😱🙄🙄🙄🙄🙄🙄
2023-12-10
5