Na sala de exames, toda branca e esterilizada, Mel estava preparada, instruída de como seria o procedimento e de que não precisaria fazer outro. Foi meio invasivo, mas eles precisavam ter certeza da compatibilidade e precisaram colher o material direto do cordão umbilical do bebê. Ela ficou preocupada com seu filho, mas eles explicaram que ele não sentiria nada, apenas ela, pois mexeria na sua barriga e não no bebê. Ela recebeu uma anestesia local, passou pelo procedimento tranquilamente e saiu de lá confiante, voltou ao quarto de Rafael e George ainda estava lá.
— Aconteceu alguma coisa, Melanie? — perguntou George, preocupado pela demora dela em retornar ao quarto.
— Não, o médico só queria saber como estavam os meus exames e para quando estava previsto ser o meu parto, acabei conversando muito tempo com ele, perguntando sobre o tratamento de Rafael. Eu estou com fome, pode pegar algo para eu comer? — ela sabia que isso distrairia George das perguntas.
— Você não deve ficar andando por aí, se desgastando com esse barrigão. — chamou-lhe a atenção, Rafael, irritado como sempre.
Melanie fez uma careta para ele, pois estava muito contente, cheia de esperança pelo futuro dele e não ia discutir com ele neste momento. George voltou, trazendo um big sanduiche natural e uma garrafinha de suco, que ela consumiu com gosto.
— Você voltou bem alegrinha! Muito legal de sua parte, eu aqui morrendo e você aí toda felizinha.
— Você não vai morrer, meu amor. Você vai continuar vivendo para infernizar a minha vida. Vaso ruim não quebra, diz o ditado. — respondeu ela sorrindo.
Nem ele resistiu a rir da fala dela, pois ela parecia muito confiante e esta confiança passou para ele como um resquício de esperança no futuro. Mesmo sem querer, Rafael assistiu ao vídeo e se emocionou com a imagem e até achou o bebê parecido com ele, franziu a sobrancelha e não falou nada, estava confuso com seus sentimentos. Gostava muito de Mel, mas se sentia traído, ao olhar sua barriga estendida pela gravidez. Não sabia se seria capaz de aceitar o filho de outro.
*
Melanie saiu do hospital, feliz. Não tinha mais pernoitado no hospital, para não encontrar o "clone" de Rafael, mas as novas esperanças, deixaram ela confiante. Pediu a George para deixá-la na praça, próximo a sua moradia, queria passear um pouco e refrescar a mente. Desceu do carro, se despedindo de George e bateu a porta. Saiu andando, esquecendo até que estava grávida. Pensava:
" É tão bom esse aroma de flores e terra úmida, o som dos carros e pessoas falando, que ainda está confuso por estar terminando o horário do rush. Meu coração está acelerado e me deixa desassossegada diante da confusão de meus sentimentos. Desejo profundamente o homem que me engravidou. Aquele toque suave sobre a minha pele, seus lábios cálidos e desejosos do meu, beijando cada canto sensível do meu corpo. Arrepiei só de lembrar. Que desejo forte sinto por ele…suspiro…mas quando lembro de Rafael, só me vem tensão e…raiva? Não. Que estranho, fico triste cada vez que ele me ataca, me humilha, mas pior é quando me trata com indiferença. Será que estou apaixonada por esse homem dois em um? Sinto meu rosto quente e uma excitação que está me puxando para buscá-lo. Aaaahhhh, não posso, não posso! "
Mel seguiu andando para casa e agradeceu por não ter ninguém no banheiro, assim pode tomar um banho e se arrumar para dormir, retirou o curativo da barriga, verificando os três pontinhos que deram, fechando a pequena abertura por onde entrou a cânula. Sorriu pela esperança que eles representam. Terminou seu banho, refez o curativo, vestiu seu pijama leve e foi até a geladeira, na tentativa de encontrar algo para comer. Encontrou um pote hermético com seu nome, abriu e era uma fatia de torta de maçã. Amou. Comeu, lavou o pote e foi até a sala de TV, onde as meninas estavam.
— Boa noite, meninas. Obrigada pela torta, estava uma delícia.
— Oi, mãezinha, senta aqui conosco. Tá passando um filme legal!
— Estou cansada e com sono, mas trouxe o vídeo do ultrassom para vocês verem. — entregou o pendrive para a mais próxima — amanhã é só deixar sobre a mesa. Vou dormir, boa noite.
Foi para o quarto e havia outra surpresa para ela, um colchão novo e fofo, que acomodou seu corpo, fazendo-a sentir-se como se estivesse nas nuvens, deitou-se emocionada pelo carinho daquelas mulheres que não conhecia até pouco tempo atrás, mas se tornaram sua família.
Dormiu.
Tinha por hábito, colocar o celular debaixo do travesseiro, por segurança e para emergência. Foi o que aconteceu na madrugada, uma emergência o fez vibrar e Mel custou a entender o que a acordou, sentiu a vibração do celular debaixo do travesseiro e enfiando a mão pegou e viu que era uma ligação do hospital. Atendeu, tentando falar o mínimo possível para não acordar às outras que estavam dormindo e ouviu o médico dizer:
— Desculpe incomodá-la, mas o paciente Rafael acordou e está chamando pela senhora, está muito ansioso e impaciente, preocupado com seu estado e querendo vê-la imediatamente.
Mel percebeu logo o que estava acontecendo, quem acordou não foi o Rafael normal era o seu "clone". Ela disse que já estava indo, levantou-se e foi se arrumar para ir ao hospital. Uma das mulheres ouviu e levantou para ajudá-la.
— Quer que eu vá com você?
— Você faria isso por mim, Leda? Você terá que trabalhar daqui a pouco, eu descansarei no hospital, pois tem poltrona para acompanhante, mas seria muito bom ter alguém comigo. Pegarei um táxi.
— Então deixa eu chamar um conhecido, para levar-nos e me arrumo rapidinho. — disse Leda, já ligando para seu conhecido.
Leda foi com Mel até o táxi do seu amigo e abriu a porta e só entrou depois que viu Mel bem instalada. Todas as meninas se sentiam responsáveis por Mel, uma jovem tão nova e envolvida em uma situação tão difícil. Chegaram ao hospital e foram andando com cuidado e chegaram ao quarto, ouvindo a voz alta de Rafael reclamando por ela não ter chegado ainda.
Ela abriu a porta devagar, como sempre fazia e entraram. Rafael, quando a viu, abriu um sorriso que iluminou todo seu rosto, estava deitado, debilitado mas estendeu as mãos para ela, como uma solicitação urgente, para senti-la. Ela se aproximou dele e ele foi com as mãos direto para sua barriga e ficou ali, acariciando, sentindo o bebê responder ao seu toque, se movendo e formando ondulações, mostrando que estava vivo. Leda só observava tudo.
— Como está grande! Senti tanto sua falta, não quero que se afaste de mim. Doutor?
— Estou aqui, o que está sentindo?
— Estou bem, mas quero me casar com essa linda mulher. Não existe uma regra permitindo a um moribundo casar no hospital?
— Sim e temos um pároco também. Quer que o chame?
— Sim, meu filho não pode nascer de mãe solteira e assim, garanto seu futuro, se eu morrer.
— Vou ver isso, então, mas o senhor não vai morrer. — o médico saiu rápido, pois pretendia também trazer os papéis para autorizar o transplante dele.
— Você tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou ela e ele segurou suas duas mãos.
— Você aceita se casar comigo?
Melanie se surpreendeu com o pedido, mas ficou muito feliz.
— Sim, aceito e eu quero muito.
— Mesmo sabendo que eu posso morrer a qualquer minuto? — perguntou ele, triste.
— Você não vai morrer, o filho que você fez e está aqui, crescendo em meu ventre, salvará a sua vida.
— É sério isso?
— Sim, você vai ver, o médico vai falar para você.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Salete Michels de Gracia
Mas é muita bizarrice isso né gente kkkkkkkkkk Estão dentro de um hospital e ninguém fala desse problema dele, fora as humilhações e ainda sim a pateta vai se casar com uma pessoa que não está com suas faculdades mentais. Autora pegou pesado nessa viagem kkkkkkk🙄🙄🙄🙄🤮🤮🤮🤮🤮
2024-08-21
1
Raimunda Neves
🤣🤣🤣🤣🤣 ainda bem que vai ter testemunhas
2024-08-04
2
Solange Maria
e melhor chamar o George quando o "outro"voltar e descobrir que tá casado o bicho vai pegar 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2023-12-10
11