Você é ligeira, menina. Pode começar hoje, já vou ficar com sua carteira de trabalho e você pode fazer o exame necessário, aqui mesmo no prédio. Seu horário é de 20 às 2 horas. Não se preocupe, o Marcinho vai te ajudar, é o outro funcionário da noite.
— Ótimo, então vou correr, tenho algumas coisas para resolver.
— Está bem, querida. Quando você vier para o trabalho, encontrará na recepção seu crachá e uma bolsa com o seu uniforme, dirija-se ao segundo andar e procure pelo Márcio, ele irá te ajudar. Boa sorte.
— Obrigada. Trarei o resultado do exame
— Não precisa, eles mesmos me enviarão, é só você chegar lá e dizer o seu nome, é no terceiro andar na sala 3010.
— Uau.
Ela saiu, pisando nas nuvens. Nunca tinha trabalhado em um lugar tão importante, estava com 23 anos e era a sua primeira vez com carteira assinada e dali a dois meses, trabalharia em sua própria área. Desceu ao terceiro andar, fez os exames e foi embora. Quando o elevador parou, já tinham dois homens de terno, ela não olhou para eles, entrou e ficou de costas, verificando o andar.
— Vejo que conseguiu o emprego.
— Ah? Como sabe?
— Se não pelo sorriso, pelo andar de onde está vindo.
— Oh! Sim, consegui.
— Que bom e qual o setor?
— Limpeza. — Ela respondeu, mas continuou olhando para baixo e viu, de novo, a ponta do mesmo sapato brilhante.
— Ah… — resmungou ele.
Dali em diante, ele ficou calado, ela não via a expressão dele, mas parecia desagradado. Ele pensava que ela iria para um outro setor, mas aquele era o setor mais baixo da firma, foi se agradar justamente de uma faxineira? Ele tinha dado mais valor a ela do que o que ela merecia, então achou melhor ficar calado. Saíram do elevador e seguiram cada qual, seu rumo. Ela correu para pegar um ônibus e buscar sua mala, precisava se instalar e correr para a faculdade e logo mais, à noite, encararia seu primeiro dia de trabalho.
**
— Conhece ela, Rafael? — perguntou o advogado, Dr. Getúlio, que estava com Rafael no elevador.
— Apenas a encontrei quando cheguei, apreciando o painel.
— Mas a cara de decepção que você fez quando ela disse que vai ser faxineira, mostrou que você tinha outra impressão dela.
— Na verdade, nem sei o que pensei. Quando a vi admirando o painel, achei que ela tinha alguma experiência no assunto e fiquei feliz, mas agora, talvez ela só tenha apreciado o colorido.
— Você é uma figura, Rafael.
**
Mel correu até o antigo prédio onde morava, para pegar sua mala. Quando chegou, foi impedida de entrar pelo porteiro, então ela avisou que só veio buscar sua mala que estava Claro que tá com erro de digitação p com dona Elza. Enquanto o porteiro interfonou para a casa do zelador, o namorado de sua ex-patroa apareceu na portaria e saiu para importuná-la.
— Tava te esperando, parece que voltou a ser ratinha, né? — zombou o implicante.
— Me erra, cara, já não chega o que tu causou? — tentou ela, despachá-lo.
— Pois é, eu queria te compensar pelo transtorno… — disse ele, como se fosse bonzinho.
A aparência e maneirismo de falar dele, com a malemolência do corpo que nunca ficava de pé, ereto corretamente, causava em Melanie, uma aversão terrível. Ele não parecia um homem direito, tinha aparência e se comportava como um verdadeiro malandro assediador. Melanie não entendia como que sua colega foi se envolver com um cara tão baixo.
Viu que dona Elza vinha trazendo a mala e se aproximou da porta para pegá-la e atrás dela, vinha sua ex-patroa e colega. A porta de vidro se abriu e antes que Mel pegasse a mala, a ex patroa lhe deu um tapa de mão cheia, no rosto, foi tão forte que a derrubou no chão, com o lábio rachado. Dona Elza, com pena da jovem, saiu rapidamente em seu socorro, colocando a mala, na frente da moradora e ajudando Mel a se erguer.
O namorado desqualificado se aproximou e com aquela maneira malandra de falar, tentou controlar sua namorada:
— Calma gata, cê acha que eu ia trocar você por essa ratinha feia?
— Ela que não se atreva a vir dar em cima de você de novo, eu tava bem vendo lá de cima, essa piranha falando com você.
Melanie se encheu de tanta ira por ter apanhado por causa daquele idiota, que não soube de onde veio a força que fez com que ela acertasse um soco no queixo do homem, de baixo para cima, que um dente dele voou longe e ele caiu para trás e depois foi a vez da mulher, que recebeu um belo tapa, sem nem ver de onde veio. Mel aproveitou a queda dos dois e dizendo um obrigado para dona Elza, foi embora correndo, abraçada a sua mala. Pegou o primeiro ônibus que passou, que coincidentemente era o certo e foi para a faculdade.
Não deu tempo de comer e nem de levar a mala, assistiu as últimas aulas do semestre, marcou sua monografia e foi deixar a mala na pensão. Aproveitou para tomar um banho, aproveitando que ninguém tinha chegado do trabalho, ainda. Se arrumou, trancou suas poucas coisas no pequeno armário de ferro, ainda dentro da mala e foi para o trabalho.
Precisou pegar um ônibus, mas não demorou muito para chegar, pois naquele horário, o fluxo maior era contrário ao que ela ia. Ela gostou, pois pôde relaxar um pouco e comer o cachorro quente que comprou no caminho. Não precisou se preocupar em sujar ou não a roupa, pois usaria uniforme e faria o serviço em um horário que o prédio estava vazio.
Desceu do ônibus e andou um pequeno trecho arborizado até o prédio. Novamente parou para observar a fachada e o colorido das propagandas a encantou novamente e deu graças a Deus por estar chegando cedo e poder desfrutar daquela beleza. Entrou no prédio e se identificou na recepção. O segurança a tinha acompanhado e quando viu o crachá que lhe foi entregue pelo recepcionista, sorriu e disse:
— Seja bem vinda, você vai gostar de trabalhar aqui. O patrão trata muito bem a todos e os benefícios são ótimos.
— Obrigada, já me disseram isso e estou muito feliz.
— Alguém bateu em você? Seu rosto está vermelho e seu lábio partido.
— Foi uma ciumenta descontrolada, mas também levou, não se preocupe, não sou tão desprotegida, não. — ela tentou sorrir, mas seu lábio doía. — preciso ir, obrigada aos dois e boa noite.
Eles sorriram e se despediram, desejando a ela um bom trabalho. Ela pegou o elevador de serviço, como lhe indicaram, e foi para o segundo andar. Não encontrou ninguém ali. Andou pelo corredor e viu uma porta com uma placa escrito despensa. Abriu a porta e encontrou os carrinhos de limpeza. Saiu e procurou o banheiro, entrou e trocou de roupa, dobrando sua roupa e colocando no saco onde estava o uniforme.
Ao sair, encontrou um rapaz ainda mais baixo que ela, que não era alta.
— Boa noite, você deve ser o Márcio.
— Sim, sou eu, boa noite, estava te procurando, Melanie, não é?
— Sim, por onde começo?
— O serviço aqui é simples. Basicamente é tirar o lixo, passar o espanador, lustrar os móveis, aspirar o chão e limpar os banheiros. Nós dois somos responsáveis pelos andares mais altos, onde ficam o CEO, os diretores e o vice, no último andar e no penúltimo, são os advogados e o pessoal do marketing e mídia.
— São muitas salas, então.
— É mais fácil que as do povão. Vou deixar para você, o último andar, que é menos sujo. Vamos?
— Quanto mais rápido melhor?
— Não se esquece que nós não lavamos banheiro, só limpamos com produtos especiais e passamos uma espécie de guardanapo resistente e descartável. Qualquer coisa, tem as instruções no carrinho.
Márcio mostrou a ela como munir o carrinho com os produtos que tinha no quarto de despensa e depois levou um deles, mostrando a ela como ir até o elevador e entrando no elevador seguiram direto para o último e penúltimo andares. Ela limpou primeiro o que achou que fosse mais pesado, os banheiros e admirou o luxo dos materiais utilizados ali, mármores, puxadores de inox, piso de porcelanato e sanitários com descargas eletrônicas.
— Coisa de primeiro mundo. Até as lixeiras são automatizadas. — terminou ali e seguiu para as salas e a sala de reuniões foi a pior delas, pois tinha uma mesa enorme para lustrar.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Raimunda Neves
Ela não levou desaforo pra casa,gostei /Proud//Proud//Proud//Proud/
2024-08-04
6
Reni Oliveira Sousa
Adorei ela ter batido no cretino e na idiota
2024-06-07
4
Joselia Freitas
Gostei dela ter batido neles😂😂😂😁😁😁😁👏💋❤️🌹
2024-05-27
1