A imagem que ela viu não deixava dúvidas do que estava acontecendo, para quem não tinha visto o antes. Ele estava caído sobre Melanie, que tinha as pernas abertas, com ele no meio delas. Mel ficou calada, olhando para a face deformada de raiva e ciúme da mulher, enquanto ele se levantava dizendo, zonzo:
— Ela me tentou, amorzinho, cê sabe que só gosto de você. — mentiroso e covarde, não queria perder a mamata.
A namorada ciumenta, cega pela raiva, olhou para Mel e metralhou sua raiva em forma de acusações:
— Sua vagabunda, te abri as portas da minha casa e foi isso que recebi, sua traíra? Saia da minha casa, arrume suas trouxas e não quero te ver amanhã, quando eu voltar da faculdade. — disse e saiu, puxando o jovem bêbado pelo braço.
Mel olhou os dois saírem e dos males o menor, pelo menos não foi agredida ou violentada por um bêbado, como acontecia com várias jovens como ela. Levantou-se e arrumou suas poucas coisas rapidamente, quando saísse pela manhã, pediria a esposa do zelador, que era muito prestativa, para guardar, até ela encontrar um lugar e iria ver o emprego na empresa, seria sua salvação.
Assim que amanheceu, desceu pelo elevador de serviço e bateu na porta do apartamento do zelador, sendo atendida por sua esposa.
— Bom dia, Mel, o que houve para estar aqui tão cedo. — perguntou a mulher, com a cara ainda amassada pelo sono.
— Fui mandada embora e preciso de um favor seu. Até que arrume uma vaga, a senhora pode guardar minha mala? — pediu Mel, com jeitinho.
A mulher olhou para a pequena mala da jovem e se perguntou se era tudo que ela tinha, pois às vezes, era uma pegadinha, uma jovem com uma mala pequena podia estar escondendo um monte de outras malas atrás de si. Guardar as coisas para os outros era muita responsabilidade.
— É só essa mala, querida? — perguntou, sem acreditar que alguém pudesse viver com tão pouco.
— Sim, senhora, e não precisa se preocupar muito, pois eu já tenho em vista um lugar para ficar, então eu passarei aqui de tarde e pegarei a mala.
— Está bem, querida, fique tranquila eu a guardarei para você. — sorriu a senhora, deixando as desconfianças de lado, pois aquela jovem sempre foi muito educada e prestativa.
— Muito obrigada, dona Elza, eu já vou, pois tenho uma entrevista.
— Vá com Deus, querida.
A mulher colocou a mala para dentro e deixou-a próxima da entrada, confiante de que a jovem viria logo buscar.
Melanie tomou um café pingado na padaria e foi para o lugar onde tinha visto a placa de vagas para moças. Não era um lugar feio, mas não dava para se ter idéia de como era pelo lado de dentro. Entrou por um corredor estreito e bateu na porta da primeira casa, como dizia a placa pendurada no poste, foi atendida por uma senhora, segurando um cigarro entre os dedos. Disse o que queria e foi levada a um quarto com vários beliches, eram seis vagas em um único quarto e um armário de metal com seis portas com cadeados, igual aos de escola ou aluguel de correio. Embora o local fosse precário e o banheiro, um só para três quartos com seis vagas em cada um, era o que cabia no seu orçamento, pois economizaria na condução.
Depois de ouvir a ladainha da proprietária, pagou, dando graças a Deus por ter recebido sua mesada no dia anterior, antes da confusão. Pegou as chaves e saiu. Não teria tempo de ir pegar a mala, foi direto para a empresa, se apresentar para a vaga de emprego. Admirou o imenso prédio espelhado, que possuía uma imensa tela acima da entrada e que passava uma propaganda colorida, da própria empresa e suas diversas áreas de atuação. Ela ficou uns minutos ali, admirando e uma voz falou, próximo a ela.
— Lindo, não é? Também gosto muito de apreciar, mas preciso tomar cuidado para não me atrasar. — terminando de falar, o homem elegante em um terno impecável e sapatos brilhosos, seguiu em frente e Mel só conseguiu vê-lo pelas costas.
Aproveitou a deixa do homem e entrou também, seguindo direto para a recepção e se apresentando com o cartão que lhe deu o professor. O recepcionista fez uma ligação, lhe entregou um crachá de visitante e permitiu que ela entrasse, indicando-lhe qual o elevador deveria pegar. Ela passou pela roleta e seguiu em direção ao elevador. Eram quatro elevadores dois de cada lado e ela deveria pegar o segundo da direita.
Mas ao passar pelo primeiro, a porta parou de fechar e se abriu novamente. Um homem lá de dentro, chamou-a:
— Venha por este. — Ela obedeceu e apertou o sexto andar, tendo ficado de costas para o homem. — Departamento de pessoal?
— Sim, senhor.
— Boa sorte.
— Obrigada, senhor.
Ela abaixou a cabeça, envergonhada frente aqueles homens elegantes, quando se encontrava vestida de forma tão simples e vislumbrou a ponta do sapato brilhante e sorriu. Entendeu porque ele a chamou e ficou mais tranquila. Quando o elevador parou no sexto andar, ela agradeceu e saiu, continuando a olhar para frente, sem ver a face do homem que a ajudou.
Foi até a recepcionista do andar e perguntou onde era a sala da chefe de departamento e foi indicada que seguisse o corredor e entrasse na primeira porta da direita, sem precisar bater e foi o que ela fez. Quando entrou na sala, percebeu que era também uma recepção e já haviam ali quatro jovens. Se dirigiu a recepcionista e se identificou com o cartão, a jovem pediu que esperasse e falou algo ao telefone, sendo que Mel tratou de obedecer e sentou-se junto às outras jovens.
Ela foi chamada antes das outras e levada a sala da chefe do departamento, que a recebeu com um sorriso.
— Bom dia, então você é a Melanie, indicada pelo professor Gusmão. Meu nome é Keila Araújo, mas pode me chamar só de Keila.
— Sim, sou eu mesma e pode me chamar só de Mel. Trouxe meu curriculum. — passou-lhe o envelope com seus dados.
— Excelente, precisarei fazer algumas perguntas, coisa simples só para o cadastro.
Ela fez as perguntas de praxe, como registro, residência e telefone, pois os outros dados necessários estavam no curriculum. A jovem senhora, passou os olhos pelo curriculum e viu que Mel já tinha alguma experiência.
— Então você já trabalhou em um escritório de contabilidade? Ainda era nova, não? Fazia exatamente o quê?
— Ajudava meu pai com os impostos de renda de pessoas físicas.
— Muito bom. Bem, Mel, a vaga é só para daqui a uns dois meses, mas você já está garantida para o cargo de assistente contábil.
— Puxa, eu precisava de algo agora, não tem outra vaga qualquer, em que eu possa ficar enquanto isso?
— Na sua área, não, sinto muito. — Keila informou com pesar, pois gostou muito da simplicidade de Mel.
— Aceito qualquer coisa, até lavar privada, só até a minha vaga permanente chegar.
Ela investigou no computador e fez uma careta de desagrado.
— Tem uma aqui e é exatamente o que você sugeriu, faxineira. É um trabalho de seis horas, no turno da noite. Tem todos os direitos dos outros funcionários e o salário é um pouco melhor que o das outras empresas.
— Tá bom, serve. Quando começo?
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Joselia Freitas
Ela quer trabalhar 😂😂😁😁👏👏💋❤️🌹
2024-05-27
4
Ilma Oliveira
cadê as fotos gos personagens
2024-04-27
0
Marlene Souza
espero que essa humildade seja natural, não apenas de momento
2024-01-17
2