- Por que você falou para Marina que eu ficaria três anos aqui? - Indagou Paulo a sua mãe irritado. Assim que ele terminou a ligação com Marina, ele imediatamente ligou para Cynthia. - Nós combinamos que seria um ano!
- Meu filho, tenha calma. - Cynthia respondeu tentando ganhar tempo. - Seu pai e eu não concordamos com isso. Lembra? Você passaria um ano e viria nos visitar para depois voltar. Foi isso o acertado. Nós queremos que você conclua sua universidade fora. Isso vai ser melhor para você.
- Marina agora pensa que eu menti para ela, mamãe. Eu não gostei da sua atitude. Acho que você sabe como eu me sinto em relação a ela.
- Foi necessário, querido. - Cynthia torceu a boca e revirou os olhos, sem a mínima paciência para aquele assunto. - Da mesma forma que é melhor para você continuar sua universidade fora do país é melhor para Marina ficar com tio dela. Ela terá oportunidades que jamais teria aqui. - Isso que Cynthia falou realmente era verdade, mas ela não agiu daquela forma pelo bem de Marina e sim para afastar ela de Paulo.
- Ela não precisa de nenhuma oportunidade! Eu vou me casar com ela! - Exclamou Paulo com ciúmes. Apesar de gostar de Marina, ele era bastante imaturo e inseguro. Desde pequeno, ele sempre teve Marina a disposição dele, morando naquele interior e sem perspectiva de nada. Como menino mimado e egoísta que sempre foi, ele gostava daquela situação.
Quando estava na cidade grande, Paulo costumava sair com outras meninas e Marina não tinha conhecimento de nada daquilo. Obviamente, ele não levava aquelas meninas a sério. Para ele era só diversão, enquanto Marina era mantida para ele, segura, sem nenhuma outra concorrência. No interior, ela podia até conhecer outros rapazes, mas por conta da educação primorosa que sua mãe lhe ofereceu, Marina não teria nem o que conversar com esses homens broncos do interior.
Contudo, agora, Marina estava morando em outro país e ia frequentar uma universidade, onde ela poderia conhecer rapazes bem mais interessantes que Paulo.
- Isso, nós não podemos afirmar, meu filho. - Cynthia falou num tom mais calmo para evitar contrariar Paulo ainda mais, que estava bastante nervoso. - Marina só tem 19 anos e acho que casamento não está nos planos dela. Se ela realmente quisesse ficar aqui e esperar por você, ela daria um jeito.
- Você trocou meu celular de proposito! Eu só consegui falar com ela hoje! Você nem me contou que tio Pedro e tia Luiza morreram! - Paulo não conseguir ficar tranquilo. As atitudes da sua mãe tinham ido longe demais.
- Meu filho, tudo aconteceu muito rápido. Você tinha acabado de viajar. Nós nem pensamos em falar nada para você. Tivemos que organizar o funeral e logo em seguida, já apareceu o advogado dos pais de Marina explicando sobre a questão da tutela do tio dela. Ela aceitou ir embora. - Cynthia falou com a voz sonsa e chorosa, querendo que Paulo acreditasse em sua inocência.
- Tudo bem, mamãe. Eu não quero mais discutir com a senhora, mas fique ciente que farei de tudo para ficar com Marina. Assim que tiver algum feriado aqui, eu vou visitar ela. - Paulo falou aquilo, encerrando a ligação com mãe.
Cynthia conhecia muito bem seu filho e tinha conseguido plantar uma sementinha da discórdia quando falou que Marina poderia ter ficado no interior. Outra coisa que deixaria Paulo inseguro era Marina frequentando uma universidade. Com o tempo e a distância, os dois iriam se afastar naturalmente.
Como sempre foi seu costume no interior, Marina acordou logo cedo. No celular tinha uma mensagem de Paulo lhe desejando “bom dia” e ela ficou contente. Apesar da conversa estranha com ele na noite anterior, Paulo era seu melhor amigo e era importante saber que ele se preocupava com ela. Depois de escovar os dentes e trocar de roupa, Marina resolveu sair do seu quarto observando tudo com cuidado para evitar encontrar com Felipe.
Durante a noite, ela refletiu bastante e não ia ligar para tio Victor para fazer reclamações ou queixar desnecessárias. Ele poderia ir falar com Felipe e o problema virar uma bola de neve ainda maior. Ela queria evitar problemas e faria de tudo para não encontrar Felipe naquela casa. Em breve, suas aulas iriam começar e ela ficaria bastante ocupada. Marina também pretendia arrumar um emprego.
Assim que chegou na cozinha, ela encontrou uma funcionária preparando o café de manhã e depois de cumprimentá-la, Marina perguntou por Jamila.
- Ela está na ala dos empregados, senhorita. Pode seguir por essa porta. - A funcionária respondeu indicando a porta que dava para o pátio, onde ficava o primeiro quarto de Marina.
- Obrigada. - Marina agradeceu e seguiu para encontrar Jamila.
Claro que ela tinha percebido que Felipe havia mandado acomodar ela no quarto para empregados, mas aquilo não ofendeu Marina. O ambiente era limpo e confortável e se não fosse pela interferência de tio Victor, ela poderia continuar ali. Seria até melhor, pois com certeza, Felipe não deveria pisar naquela área da casa e seus encontros com ele poderiam ser evitados com mais facilidade.
- Bom dia Marina. Você dormiu bem? - Indagou Jamila assim que viu Marina entrando no pátio.
- Bom dia Jamila. - Ela sorriu. - Sim, obrigada.
- Você acordou muito cedo. Já tomou café da manhã?
- Ainda não, mas eu queria falar com você sobre outro assunto. - Marina respondeu sem graça, com receio de trazer problemas para Jamila.
- Eu vou mandar servir a mesa de café da manhã na sala para você. - Ela respondeu agitada já indo em direção a cozinha. - O que você precisa falar comigo? - Jamila falou sobre o ombro, com Marina seguindo-a logo atrás dela.
- Eu prefiro tomar café da manhã na cozinha ou naquela mesinha do jardim do pátio. O ambiente é bastante agradável e o dia está bonito hoje. - Na verdade, Marina não queria comer na sala para não ter perigo de encontrar com Felipe, pois ele fazia as refeições lá.
Jamila parou no meio do caminho para olhar para o céu que estava nublado. Estreitando os olhos, ela achou estranho aquele comentário de Marina, mas não tinha problema algum. Ela podia tomar café da manhã onde ela quisesse.
- Tudo bem. - Ela falou dando de ombros voltando a seguir para cozinha.
- Jamila. - Chamou Marina para ter a atenção dela. - O assunto que eu quero falar com você são sobre as roupas novas no meu quarto.
- São lindas, não é? - Jamila respondeu animada, interrompendo Marina. - Ângela tem um excelente bom gosto. Eu só fiz mandar sua numeração para ela e ela providenciou tudo.
- Eu gostaria de devolver isso. - Marina falou vendo as feições de Jamila mudar completamente de alegre para chateada.
- Como assim devolver tudo? Você não gostou? Não serviu em você? - Jamila não compreendia Marina.
- Não é isso. Eu não cheguei a mexer nas roupas, mas não tenho dinheiro para pagar tudo aquilo e eu quero reembolsar tio Victor de todas as minhas despesas. As roupas são desnecessárias e aumentam minha dívida.
- Oww menina... Não seja assim. Isso seria a maior desfeita com senhor Victor. Ele que mandou comprar tudo aquilo para você. Suas aulas na universidade começaram em breve e você precisa ser vestir melhor. - Jamila tentava explicar sem ofender Marina.
- Qual problema com minhas roupas? - Indagou Marina lembrando dos comentários de Felipe na noite anterior.
- Problema nenhum. - Jamila respondeu olhando para Marina dos pês a cabeça. - Se você ainda morasse no interior, mas agora você mora na cidade grande e precisa ser vestir de acordo. - Ela continuou falando com gentiliza. - Marina, na universidade existe muito bullying e acho que você se tornaria alvo disso, caso frequentasse as aulas usando a moda do interior. - Essa forma foi a mais delicada que Jamila encontrou para dizer que as roupas de Marina eram simples.
- Mesmo assim, quando eu começar a trabalhar, eu posso comprar roupas mais adequadas, mas eu gostaria de devolver tudo aquilo. - Marina insistiu deixando Jamila impaciente.
- Menina, não seja mal-agradecida e aceite os presentes! - Exclamou Jamila. - Se você for se sentir melhor, depois que arrumar um trabalho, você pode começar a pagar. Pronto. Revolvido, mas fique sabendo que isso não faz a menor falta no bolso do senhor Victor. - Explicou Jamila para que Marina não se sentisse mal. - Ah! Ângela estará aqui no final da manhã para explicar sobre as roupas e ela também vai querer checar se tudo serviu bem em você. Agora, eu vou providenciar seu café da manhã e você pode ligar para o senhor Victor e agradecer os presentes.
Desistindo de continuar aquela discussão, Marina voltou para mesa do pátio para esperar seu café da manhã. Parecia que a vida dela era só discutir com as pessoas daquela casa e ela já estava cansada daquilo.
- Bom dia, minha querida. - Tio Victor respondeu assim que atendeu a ligação no segundo toque. - Como foi sua primeira noite no quarto novo? Gostou de tudo? Você pode fazer uma reforma se não for do seu gosto.
- Tudo perfeito. - Marina se adiantou em responder. Ela não tinha a menor intenção em mudar nada naquela casa.
- E as roupas? Você gostou? Tenho que reparar a falta de presentes durante 15 anos que não vi você. - Tio Victor deu uma risada animada e Marina respirou fundo. Ela não queria ser antipática.
- Sim, tio Victor. As roupas são lindas. - Ela mentiu, pois nem chegou a tocar em nada. - Eu estou ligando justamente para agradecer, mas achei isso desnecessário.
- Você é realmente especial. Nunca vi uma mulher falar que presentes são desnecessários. E Felipe? Tudo bem entre vocês?
- Sim sim... - Marina preferiu omitir a discussão da noite anterior. - Desde que voltamos da universidade, eu não encontrei mais ele.
- Felipe é bastante ocupado e trabalha demais. Eu espero que você não se sinta sozinha nessa casa. - Justificou Victor por receio de Felipe estar evitando Marina.
- Está tudo bem, eu gosto muito de Jamila e ela é sempre muito gentil comigo.
Depois de terminar a ligação com tio Victor, Marina tomou seu café da manhã e ficou esperando Ângela chegar. Para surpresa dela, Ângela chegou acompanhada de cabeleireiro, manicure e maquiador. Era uma verdadeira tropa da beleza.
- Jamila, você não me disse que Marina era uma jovem tão linda! - Exclamou Ângela pegando nos cabelos de Marina e dando uma volta ao redor dela para observá-la completamente.
Quando Jamila ligou, Ângela pensou que Marina se tratava de mais uma peguete de Felipe, mas depois que ela explicou tudo, ela pensou que a jovem era uma órfã qualquer vinda do interior. Jamais poderia esperar que Marina fosse tão linda.
- Obrigada. - Marina respondeu sem graça, um pouco incerta daquele elogio e Jamila riu.
- Vamos todos lá para cima. As roupas já estão no closet e podemos fazer todas as provas lá. - Jamila falou e Marina ficou aliviada, pois tinha receio que Felipe acordasse e desse de cara com todas aquelas pessoas na casa dele. Mal sabia Marina, que ele já tinha saído para empresa.
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Atualizado até capítulo 81
Comments
Silvaneide Ágatha
nossa 😨
2024-12-05
1
Silvaneide Ágatha
😍😍👏🏾👏🏾👏🏾
2024-12-05
0
Silvaneide Ágatha
crentino 🤬🤬🤬
2024-12-05
0