Minutos depois, Marina voltou para sala de jantar e encontrou Felipe sozinho. Ótimo, era a oportunidade que ela queria para falar tudo que pensava daquela situação, sem ofender Victor que foi tão gentil com ela.
- Desculpe voltar aqui e interromper seu jantar, mas eu preciso conversar com você. - Marina falou tirando Felipe daquelas lembranças tristes da sua infância. Os olhos dela estavam visivelmente vermelhos, mas ela mantinha o queixo empinado numa postura desafiadora.
- Pode falar. - Felipe olhou para ela erguendo as sobrancelhas e indicando uma cadeira para que ela se sentasse.
- Eu não queria me mudar para esse país, mas acabei aceitando isso por esse ser o último desejo dos meus pais e por achar que seria bem-vinda. - Marina falava com a voz controlada, tentando não expressar nenhuma emoção, enquanto Felipe a encarava diretamente com seus olhos azuis escuros de forma intimidante. - Você já deixou bem claro o que pensa da minha presença e eu não pretendo ficar aqui. De toda forma...
- E para onde você vai? - Indagou Felipe cortando Marina de forma rude. - Até onde eu sei, você não conhece ninguém aqui, além de Victor. - Era estranho para Marina ouvir Felipe chamar seu pai pelo nome.
- Eu vou voltar para minha cidade. Eu tenho amigos lá. - Mentiu Marina. O único amigo que ela podia confiar era Paulo, mas ele estava morando fora e ela não queria mais depender de Sidney e Cynthia. - Posso arrumar um emprego e alugar ...
- Você pode ficar aqui. - Felipe mais uma vez interrompeu Marina, que demonstrou ficar incomodada, sem compreender mais nada. - Não seria seguro uma jovem como você morando sozinha numa pequena cidade de interior.
- Eu acho que você não entendeu nada do que eu disse. Eu não vim implorar para ficar aqui. - Marina falou irritada com toda aquela arrogância de Felipe. - Eu vou embora. Não ficarei num local onde fui desprezada pelo proprietário.
- Minha casa é grande e não vamos nos ver com frequência. - Felipe continuou sem dar ouvidos ao que Marina falava. De repente, ela se levantou da mesa bruscamente surpreendendo ele.
- Bem, eu estou indo embora. Onde está tio Victor, eu quero me despedir dele?
- Não teste minha paciência, Marina. - Felipe falou com a voz grossa, num tom ameaçador que fez com que todos os pelos do corpo de Marina se arrepiassem. Era a primeira vez que ela o escutava pronunciar seu nome. - Já é noite e não teria como você ir embora daqui andando pela rua. Eu já disse que você pode ficar e eu sinto muito se fiz com que você se sentisse desprezada. - Felipe tinha que recuar, pois sabia que ela não ia desistir da ideia de ir embora se ele continuasse com aquele comportamento.
- Eu não acho que você está sendo sincero e prefiro não impor minha presença. - Marina respondeu de forma altiva e Felipe achou graça naquela maneira sutil de chamá-lo de mentiroso.
- Você não me conhece o suficiente para saber se estou sendo sincero ou não. - Ele respondeu de forma debochada. - Vamos combinar o seguinte, você ficará aqui por mais uma semana e se depois você quiser ir embora, nós vamos providenciar tudo. Ok?
- Por que essa mudança repentina? - Marina perguntou desconfiada. - Eu ouvi quando você disse a tio Victor que não queria que eu estivesse aqui, que a casa é sua.
- Digamos que eu já estive numa posição parecida com a sua e sei como você está se sentindo. - Felipe respondeu sem querer entrar em detalhes. - De toda forma, eu não quero mais falar sobre isso. Nós estamos resolvidos?
- Sim... - Marina falou ainda se sentindo insegura em relação a ficar ali, naquela casa. Contudo, ela não pode pensar muito sobre isso, pois tio Victor já voltava para sala de jantar apressado.
Victor estava ofegante, como quem tinha corrido uma maratona e respirava de forma agitada.
- Marina, eu procurei você por todos os quartos. Achei que tinha sumido. - Ele falou aflito. - Você disse que tinha ido para o quarto.
- Mas eu fui para o quarto, mas ele fica na direção oposta. Depois da cozinha.
Aquela rápida instrução de Marina foi o suficiente para Victor entender que ela não estava hospedada na parte social da casa, mas nos quartos de serviço. Olhando para Felipe como a expressão de quem poderia matar ele a qualquer momento, Victor achou melhor não comentar na frente com Marina, mas ia mandar a governanta trocá-la de quarto imediatamente.
- Querida, por favor, vá chamar Jamila para mim. - Victor pediu a Marina com gentileza que prontamente saiu da sala para chamar a governanta. - Eu não acredito que você colocou Marina em um quarto de serviço. - Victor falou furioso com Felipe.
- Não temos quartos de serviço aqui, Victor. São todos suítes. Cada funcionário tem seu banheiro individual. - Felipe respondeu em tom de deboche.
- Mesmo assim! Ela não é uma funcionária! - Gritou Victor perdendo a paciência de novo. Felipe realmente conseguia tirar ele do sério com aquelas atitudes mesquinhas.
- Eu recebo muitas amigas aqui, se é que você me entende. Não quero sua convidada, a quem fui obrigado a aceitar, tirando minha privacidade. Também dou festa com frequência aqui e os quartos de serviço são mais isolados. Por isso pedi que Jamila colocasse ela em um deles. - Felipe tinha um sorriso cínico.
Minutos depois, Jamila entrou na sala acompanhada por Marina.
- Jamila, eu quero que você instale Marina em das suítes do primeiro andar. - Victor falou encarando Felipe, pensando que ele podia dizer alguma coisa contrária à sua ordem.
- Tio Victor, eu estou muito bem naquele quarto. Não sei se isso é necessário. - Marina interferiu, pois não queria dar mais trabalho a Jamila. Ela teria que levar todas as suas coisas para outro cômodo e já estava bem instalada ali.
- Você é muito gentil, Marina. Contudo, Jamila só colocou você naquele quarto, pois o seu não estava pronto. Agora, você irá trocar de quarto. - Victor falou forçando o olhar para Jamila que entendeu o recado e sabia muito bem o que se passava ali.
- Tudo bem senhor Victor. Eu vou providenciar isso agora mesmo. - Respondeu Jamila se retirando da sala em seguida.
Sem expressar mais nenhuma reação, Felipe terminou seu jantar e subiu para seu quarto. Marina tinha perdido completamente o apetite depois de toda aquela discussão.
- Vamos comer Marina. Você ainda não jantou e nem eu.
- Obrigada tio Victor, mas eu estou sem apetite. Eu vou ajudar Jamila a levar minhas coisas para o outro quarto.
- Tudo bem. - Cansado, Victor não protestou quanto aquilo. Ele tinha bastante receio de como seria a convivência de Felipe e Marina.
A residência de Victor ficava bastante afastada e ele não ia morar junto com Felipe e Marina. Depois que a questão da matrícula dela, na universidade, fosse resolvida, Victor voltaria para sua casa. Ele nunca imaginou que Felipe poderia ficar incomodado tão por hospedar Marina. A casa dele era enorme, cheia de empregados e ele passava o dia todo tralhando. No que uma jovem gentil e tão linda, como ela, poderia interferir no dia a dia de Felipe?
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Atualizado até capítulo 81
Comments
Silvaneide Ágatha
ele já está apaixonado por ela 🤩
2024-12-05
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Silvaneide Ágatha
👏🏾👏🏾👏🏾👏🏿👏🏿👏🏿
2024-12-05
0
Silvaneide Ágatha
tadinha
2024-12-05
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