Capítulo 10

Marina se sentou na cadeira que Victor indicou para ela e ambos começaram a conversar. Ela era educada, gentil e tinha o mesmo porte elegante da mãe, apesar das roupas simples que usava. Detalhe esse que foi observado por Victor. Ele sabia que Marina tinha sido criada com simplicidade ao contrário da criação opulenta da sua mãe.

- Chega de me falar da sua infância, Marina. Eu quero saber como você chegou aqui ontem? O motorista deveria estar a sua disposição no aeroporto. - Victor mudou de assunto, pois observou que ela ficava triste ao falar da infância e lembrar dos pais.

- Bem... Na verdade, eu cheguei muitas horas depois do previsto. Meu voo atrasou e acabei perdendo a conexão do meu voo. Não tinha ninguém no aeroporto quando desembarquei.

- Como assim? Por que você não me ligou? - Ele perguntou contrariado. Marina não conhecia nada ali. O motorista devia ter ficado esperando ou procurado saber informações do voo dela.

- Eu tentei ligar, mas o chip do meu celular não funciona aqui. Tenho até que resolver isso. - Marina lembrou desse detalhe. Tinha se passado somente 08 dias desde a morte dos seus pais e a mudança para o novo país. Ela queria tentar falar com Paulo para contar tudo que tinha acontecido.

- Nós podemos providenciar um novo chip para seu celular, mas como você conseguiu chegar aqui sozinha?

- Eu peguei um táxi na saída do aeroporto e dei o endereço que você havia me passado. - Explicou Marina calmamente com tom de voz triste. A morte dos pais ainda era recente e ela não tinha superado aquela dor.

- Isso foi perigoso. O aeroporto fica muito longe dessa casa. - Observou Victor. - Mas obviamente, você não poderia ficar a noite toda sozinha. De toda forma, eu vou repreender o motorista de Felipe. Absurdo isso.

- Não, por favor. - Pediu Marina educadamente. - Eu não quero causar problemas e o motorista do táxi foi bastante correto e solicito. Ficou esperando comigo alguém abrir a porta para que eu pudesse confirmar que era o endereço certo.

- Você chegou aqui por volta de que horas? Quem recebeu você?

- Era muito tarde. Por volta de uma hora da manhã. Uma moça me recebeu. Eu acho que era Renata o nome dela e logo depois seu filho apareceu. - Marina ficou mais séria e Victor observou aquela sutil mudança de expressão dela.

- Então você já conheceu Felipe. - Victor não sabia quem era a tal da Renata. Deveria ser uma das infinitas amantes de Felipe.

- Sim. - Marina respondeu de forma monossilábica e não contou como tinha sido tratada. - Depois, ele mandou chamar Jamila e ela me levou até meu quarto. É isso.

Com certeza, Felipe deveria ter reparado em Marina, Victor pensou. Apesar das roupas simples e da tristeza evidente no olhar da jovem, ela era linda. Ele queria perguntar mais detalhes sobre a recepção dela, mas Marina foi tão introspectiva com aquele assunto, que ele achou melhor não o prolongar mais.

Pouco tempo depois, Jamila trouxe o café da manhã para Marina e a conversa continuou agradável com Victor.

- Bem, você agora precisa decidir o que você quer estudar, Marina.

- Como assim? - Indagou Marina sem entender. Ela ficaria ali somente até completar 21 anos para respeitar o desejo da mãe, mas não queria depender mais daquelas pessoas.

- Eu quero que você vá para universidade. Escolha um curso que você queria fazer e nós vamos aplicar para a universidade mais próxima que temos aqui. - Victor foi bem sucinto sobre o assunto.

- Eu agradeço a oportunidade, mas não pretendo explorar sua hospitalidade. Eu vou ficar aqui até os 21 anos, pois foi o último desejo da minha mãe, mas quero trabalhar para arcar com minhas despesas e depois eu vou embora.

- Simples assim? - Victor falou curioso. - Você pretende trabalhar com o que? E para onde você vai quando for embora?

- Eu não queria me mudar. Eu pretendia continuar morando onde estava, no interior, e trabalhar na cidade. Eu toco piano, falo mais de 04 idiomas e sou boa em matemática... acho que encontraria algum emprego lá para mim. - Explicou Marina. - Aqui, eu vou procurar emprego em alguma loja e depois vou voltar para o local onde fui feliz com meus pais.

- Você não é ambiciosa. Isso está claro. - Comentou Victor achando aquela qualidade interessante. - Agora, você está sob a minha tutela e não posso permitir que você trabalhe ao invés de estudar.

- Mas eu não quero dar essa despesa para você. Quando eu completar 21 anos, eu vou embora e vou acabar sem concluir o curso. - Era importante para Marina que Victor entendesse que ela não pretendia ficar ali além do necessário. Ainda tinha o agravante do filho dele morar na mesma casa e não ter recebido ela bem na noite anterior.

- O que você acha de estudar administração? - Perguntou Victor sem dar a mínima atenção aos argumentos contrários de Marina. - Você me falou que é boa em matemática. Acho que administração pode ser um bom curso.

- Eu não sei... - Marina respondeu relutante.

- Não é um curso tão longo e você pode ficar aqui até terminar ele. Dessa forma, você pode conseguir um emprego melhor e até acabar ficando para sempre.

- Não, eu quero voltar para minha cidade. Eu tenho um amigo. - Comentou Marina pensando em Paulo. - Na verdade, ele é mais que um amigo.

- Você tem um namorado? Ele vai esperar você voltar? É isso? - Victor fazia várias perguntas ao mesmo tempo confundindo Marina.

- Sim e não. Ele não sabe ainda que eu me mudei. Tudo aconteceu muito depressa. A família de Paulo é dona da fazenda onde meu pai trabalhava. Nós crescemos praticamente juntos. Ele foi estudar fora, no mesmo dia do acidente dos meus pais e não sabe de nada que aconteceu ainda, eu acho. Eu não consegui falar com ele.

Pensativo, Victor escutou todo aquele relato. Podia ser que quando o jovem Paulo voltasse, ele nem quisesse ter mais nenhuma relação com Marina. Ele era homem e sabia como os sentimentos podiam ser modificados com a distância. No caso dela, esperando por ele sozinha naquela cidade de interior, era mais difícil se interessar por outra pessoa. Contudo, a situação de Marina agora era completamente diferente.

- Agora tudo mudou Marina. Você vai viver aqui até os 21 anos e também irá para universidade. Eu faço questão. Quando você completar 21 anos, caso queira largar tudo aqui e voltar para seu interior, eu vou permitir.

Percebendo que não adiantava insistir naquele assunto, Marina acabou aceitando a oferta de ir para universidade. Ela sempre gostou de estudar e podia trabalhar meio período para custear parte das despesas ali. Mais tarde, depois de toda aquela conversa e do almoço, Victor levou Marina para conhecer toda a área de lazer daquela casa, que tinha quadra de tênis, sala de ginástica e vários outros ambientes que Victor falou que ela poderia usar.

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Comments

Dora Silva

Dora Silva

o Paulo com certeza é um tapado como não percebeu que seu celular foi trocado 🙄

2024-10-28

0

Maria Aparecida Alvino

Maria Aparecida Alvino

eu acho que não ia adiantar nada ela contar já que até esse Vitor depende dele

2024-03-12

8

Josiene Santos

Josiene Santos

muda de ideia rápido em, não ia contar pra ele o que aconteceu? como foi tratada ?

2023-12-20

4

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