Por volta das sete horas da noite, Felipe voltou para casa e se deparou com Marina tocando piano para Victor na sala principal. Mesmo usando um vestido simples, sem maquiagem, Felipe não pode deixar de observar o quanto ela era linda e ficou incomodado por se sentir atraído por ela.
Sem cumprimentar Marina ou Victor, Felipe passou direto para as escadas, subindo para o primeiro andar. A antipatia e má educação dele não passou desapercebida por Marina, que tinha parado de tocar para cumprimentá-lo, mas assistiu, indignada, ele passar direto sem ao menos dar um boa noite.
- Felipe deve estar cansado. - Victor falou tentando justificar aquela atitude, mas já pensando em repreender ele quando estivessem a sós. - Ele trabalha demais.
- Ele não é uma pessoa muito agradável. - Marina não queria dizer aquilo, mas ela ficou tão chateada com aquele desprezo que não pode controlar.
- Não é bem assim. Você mal o conhece, não tire conclusões precipitadas. - Victor lembrou que Marina havia dito que conheceu Felipe na noite anterior e dessa vez, ele resolveu insistir no assunto. - Ele foi gentil ontem, quando você chegou?
- Nem um pouco. - Marina respondeu séria pouco preocupada em fazer intriga ou não. - A mulher que estava com ele pensou que eu era uma empregada e mandou eu seguir pela porta dos fundos. Seu filho me repreendeu por conta do horário que cheguei e me deixou do lado de fora, enquanto Jamila era chamada para me receber.
- Marina, eu fico chateado por tudo isso. Eu quero que você se sinta bem-vinda aqui. Acho deve ter acontecido algum mal-entendido para Felipe agir assim. - Depois de todo aquele relato, Victor olhava incrédulo para Marina, tentando dar alguma desculpa plausível para o comportamento de Felipe.
- Eu realmente não queria falar sobre isso, mas depois do que aconteceu agora, eu acho que seu filho não me quer aqui. Se tivesse ficado sabendo antes, eu não viria ou eu teria ido embora andando, no meio da noite mesmo. - Marina tentou sorrir, mas expressou um arremedo muito triste de sorriso. - Eu não quero ser uma imposição para ninguém.
- De jeito nenhum, não quero que se sinta assim. Eu vou ter uma conversa com Felipe para saber o que está acontecendo.
Pouco tempo depois, Jamila apareceu na sala para avisar que o jantar estava servido e Marina e Victor seguiram a governanta até a sala de jantar. Felipe não estava lá e dessa forma, Marina se sentou a mesa sentindo-se mais à vontade por continuar somente na presença de Victor. Para infelicidade dela, isso não durou muito, pois Felipe desceu para jantar logo em seguida.
Usando uma calça de moletom azul marinho e uma camisa de algodão básica, branca, Felipe estava com os cabelos molhados, como quem tinha acabado de tomar banho, quando entrou na sala de jantar. Ele olhou seriamente para Victor, mas não deu uma palavra até se sentar à mesa.
- Pessoas educadas esperam o dono da casa chegar para começar a comer. - Felipe falou num tom de voz frio e antipático, que fez Marina estremecer de raiva.
- Boa noite, Felipe. - Victor de adiantou em falar. - Eu acho que não ouvi você nos cumprimentando.
- Você está certo mesmo, eu não cumprimentei ninguém. - Respondeu Felipe sem olhar para Victor. - Estou na minha casa e tenho o direito de me sentir a vontade, apesar da presença de estranhos. - Ele falou aquilo diretamente para atingir Marina.
- Que jeito rude é esse?! - Exclamou Victor batendo a mão na mesa, perdendo a paciência. - Você não está vendo que temos uma convidada aqui? - Victor olhou de Felipe para Marina nervoso. A jovem já tinha dito que não queria ficar ali e sendo tratada daquela maneira, ela ia acabar indo embora mesmo.
- Licença, tio Victor. - Marina falou interrompendo aquela explosão. - Eu preciso ir ao meu quarto. - Em seguida, ela se levantou para sair da sala de jantar, não queria presenciar aquela briga.
- Claro querida. Por favor, depois volte para comer conosco. - Ele falou usando um tom mais brando com ela.
Quando Marina já estava na porta de saída da sala, Felipe voltou a falar e ela pode escutar em alto e bom som.
- A convidada é sua, Victor. Eu não tenho obrigação de ser gentil com uma pessoa que eu não queria que estivesse na minha casa. - Marina sentiu seu corpo congelar por dentro ao ouvir aquilo, naquele tom grosseiro e frio, e seguiu direto para seu quarto.
Ela não sabia o que fazer. Estava sozinha, em um lugar desconhecido, sem nenhum amigo próximo. Se soubesse que seria tratada daquela forma, ela jamais teria vindo de tão longe. O celular dela continuava sem funcionar, por conta do chip, que era de outro país e ela começou a chorar. Marina nunca tinha sentido tanta falta dos pais, como naquele momento. Jamila, que tinha observado a jovem passar praticamente correndo pela cozinha, a seguiu e encontrou Marina chorando, encolhida no chão, no canto do quarto.
- Menina, o que aconteceu para você está chorando tanto assim? - Indagou a gentil senhora preocupada com ela.
- Eu não deveria ter vindo para essa casa. Eu não sou bem-vinda aqui. - Marina respondeu entre lágrimas. - Eu sinto tanta falta dos meus pais.
Jamila se aproximou para fazer com que Marina se sentasse na cama. Enquanto isso, na sala, a discussão entre Victor e Felipe ficou bastante séria.
- Que jeito é esse de tratar Marina! Nós tínhamos conversado sobre a chegada ela e ficou tudo acertado entre nós! - Exclamou Victor enfurecido.
- Eu avisei a você que ela poderia ficar aqui, mas seria nos meus termos, Victor.
- Seus termos são esses? Ser um ogro e tratar uma moça, que perdeu toda família há menos de 1 semana, com crueldade? Se eu soubesse que seria assim não teria permitido.
- Pois se você achou ruim, leve ela para sua casa. - Felipe respondeu em tom de deboche.
- Eu já disse que ela vai para universidade e minha casa fica muito longe para isso! - Victor gritou sem paciência. - Você vai agora mesmo pedir desculpas para Marina!
- A casa é minha e eu não vou pedir desculpas a ninguém. Quando você for embora, por favor, leve essa moça com você. Eu não suporto a presença de estranhos invadindo minha intimidade. - Felipe começou a se servir dando a conversa por encerrada.
- Por que essa implicância de graça com uma pessoa que nunca fez nada com você? - Indagou Victor tentando se acalmar. - Se você não foi com a cara dela, sem ao menos conhecê-la, eu apelo aos poucos sentimentos que ainda lhe restam. Você deve saber muito bem como é se sentir sozinho e abandonado. Passou por essa experiência na infância. - Depois de falar aquilo, Victor se levantou da mesa e subiu para o primeiro andar, deixando Felipe pensativo.
Aquele tinha sido um jogo baixo de Victor, Felipe foi uma criança renegada por ele e abandonada por sua mãe. Esse fato era uma mágoa eterna para ele. Mesmo depois de tantos anos, Felipe ainda se lembrava de como era se sentir completamente sozinho.
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Atualizado até capítulo 81
Comments
Cida Oliveira Alves
Mesmo diante disto tudo no final ela fica com ele.
2025-01-10
0
Silvaneide Ágatha
😭😭😭😭😭
2024-12-05
0
Silvaneide Ágatha
😭😭😭😭💔💔💔
2024-12-05
0