Celina entrou rápido no hospital, correndo com a criança em seus braços, foi direto para a área pediátrica. Desesperada, percebendo que cada vez a respiração do seu filho se tornava ainda pior, gritou chorando pedindo ajuda. Não sabia mais o que fazer. Seu filho estava morrendo e ela não podia fazer nada. Estava sofrendo em seus braços. Com os gritos, os médicos e enfermeiro correram para perto dela, pegando o Ben e levando para ser examinado.
Enquanto uma mãe estava desesperada com medo de perder seus filho, do lado de fora, Fernando estava parado no carro, olhando para o hospital pensativo. Não tinha a mínima ideia de como complicada estava a vida daquela mulher.
— Senhor, você vai entrar? Ou vamos para o próximo destino? — August, o motorista perguntou.
— Quero que deixe alguém vigiando ela. Além disso, paguem a conta do hospital, acho que ela nem percebeu que era particular. Anotem o valor e coloquem na conta dela. Investigue tudo dessa mulher. Quero saber tudo sobre ela — Fernando disse no telefone antes de desligar — Sim, August, vamos para o nosso próximo destino.
— Não quer ir ver como ficou a mãe e a criança? — August perguntou.
— Eu não me importo. Vamos indo. — Fernando respondeu enquanto o August ligava o carro para seguirem seu cronograma.
Voltando ao hospital, Celina estava totalmente desesperada, ainda sem respostas, andando de um lado para o outro esperando notícias do filho que tinha sido levado pelos médicos e enfermeiros para ser examinado.
— Senhora? Você é a mãe do bebê que chegou ainda a pouco? — Um médico perguntou olhando para Celina com atenção.
— Sim, como meu Ben está? — Celina perguntou preocupada.
— Qual o nome da senhora? — O médico perguntou.
— Celina, me chamo Celina. O meu filho é Benjamin — Celina disse chorando.
— Tenha calma. Me chamo Thiago, sou cardiologista de plantão do hospital. Fui chamado assim que perceberam que poderia haver algo com o coração do bebê. Você sabia que ele tinha uma cardiopatia? — O médico perguntou.
— Sim, descobriram enquanto ele ainda estava na minha barriga. Ele piorou? Aconteceu algo sério? — Celina quase não conseguia pensar.
— Em bebês, essa doença é muito perigosa. Tem que ser muito bem cuidado. Não se pode atrasar as medicações, expor eles demais ou fazer muito exercícios. No início, vai ser mais difícil, mas com o tempo você vai conseguir se adaptar e descobrir as limitações. Não tenho como dizer o que desencadeou seu quadro hoje, mas ele está sendo estabilizado, está no balão, tomando medicação e em algumas horas deve está bem. Quer ficar com ele? — Thiago perguntou, mas ele sabia muito bem da resposta que viria.
— Muito obrigada. Eu preciso muito ver meu filho. — Celina estava tentando se controlar, parar de chorar, mas era impossível. Ela estava assustada, sozinha e sem ter a mínima noção de como deveria lidar com tudo isso.
— Celina, quem é o médico que acompanha o Ben? — Thiago perguntou.
— Aquele que eu consigo marcar consulta. É difícil conseguir cardiologista no postinho, então, não tenho um fixo, aquele que aparece eu agradeço a Deus a vaga. — Celina confessou.
— Deve ser difícil para senhora, não quero deixar você ainda mais pressionada, mas a doença dele precisa de um acompanhamento, a troca de médico não ajuda. Pois cada um terá um tratamento diferente, dificultando a continuidade quando há a troca. Sem contar, que médicos anotam tudo, para saber como está o desenvolvimento e se tudo está melhorando ou piorando. Então é fundamental encontrar um médico de confiança para cuidar do seu filho. — Thiago explicou.
— Eu não tenho como fazer isso. As medicações são caras. Eu literalmente, vendi minha casa para conseguir cobrir o valor das medicações e moro de favor no apartamento de uma amiga. Hoje vivo vendendo brigadeiros para custear um pouco o tratamento dele. Não tenho como pagar um bom cardiologista — Celina se sentia culpada por não ter como oferecer tudo que seu filho precisa.
— Olha, esse é o meu cartão. Eu sou professor em um hospital da universidade. Lá todos os atendimentos são gratuitos e têm profissionais maravilhosos. Você me liga e eu organizo uma vaga para o Benjamin na minha agenda. E sobre as medicações, algumas você pode receber, apenas precisa fazer o cadastro e levar a solicitação do médico. Não posso te informar sobre todas as burocracias necessária para isso, mas talvez você consiga assim, diminuir um pouco o gasto com medicações — Thiago explicou segurando a mão de Celina. Estava claro para o médico que ali se tratava de uma mãe solo, sem rede de apoio e com bastante dificuldade financeira. Não podia simplesmente abandonar ela.
— Você é um anjo. Não sei nem como agradecer. — Celina disse enquanto se aproximava da cama de Ben.
— Que isso. Se precisar de algo, pode me chamar. Vou ficar de plantão até às 19h. Caso não esteja aqui, pode me ligar. Agora vá ficar com seu pequeno. Sua presença vai ajudar para que ele rapidamente se recupere. — Thiago sugeriu antes de ir em direção da equipe de enfermagem, dando orientação de como deveria ser o tratamento de Ben nas próximas horas.
Celina se aproximou, segurou a mãozinha pequenininha do seu filho com os dedos. Ele era tão pequeno, delicado. E cada vez, parecia ser mais difícil cuidar dele da forma que hoje ela estava, mas não podia desistir. Ela iria lutar. Aquele pequeno talvez não tivesse a vida que merecia ou que estava destinado, contudo, receberia amor e cuidado sem igual. Aquela mãe iria até o inferno para deixar seu filho bem.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Dirléia
Já gostei q mostrou tbm o lado da estória sob a perspectiva do Fernando. Tomara q continue assim. Gosto de ver os dois lados.
2024-08-25
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Nil
Que bom que este médico estendeu a mão para ela.
2024-06-11
2
Edivania Gomes
acabei de ler um ag e era sobre essa doença mas tinha cura e o tratamento começou na barriga da mãe e esse livro a doença foi diagnóstico cedo
2024-05-19
1