O funcionário fez como havia solicitado Fernando, levou para o quarto mais distante da casa. Era enorme. Com direito a banheiro, com banheira, inclusive. Um luxo bem diferente do que ela esperava. Pensou que ficaria em um pequeno quarto de empregada que só caberia uma cama de solteiro pequena. Estava muito equivocada.
— O que vai precisar no quarto? — Denilson, o funcionário, perguntou.
Celina pediu tudo que achou necessário e viável. Para evitar sair do quarto durante os momentos que tivesse livre da função de babá. Pediu um mini geladeira, fogão de apenas uma boca, um pequeno varal. O resto, o quarto todo já havia.
— Esqueceu do bebê. Um berço? Cômoda? Trocador? Cercadinho? — Denilson perguntou. Ele era pai de três crianças, sabia bem o que era necessário para uma criança.
— Oh certo. Adicione tudo que disse na lista. Além de uma cadeira de alimentação. Acho que isso é tudo. Eu irei pegar meu bebê. — Celina respondeu.
— Desculpe informar, achei que já sabia. Você é proibida de sair dessa casa sem a permissão do chefe. Terá que pedir para alguém deixar a criança aqui. Vou acelerar tudo que você solicitou. Se me der licença. — Denilson explicou antes de sair do quarto.
— Maldito. Eu tenho cabelo grande, mas não sou a Rapunzel. Deveria ter lido aquele maldito contrato, vendi a alma para o diabo sem saber. — Celina disse em voz alta.
— Meu pai é o diabo? Ele fez algo para você? Vou brigar com ele. — Bianca perguntou cruzado os braços.
— Não, não. Seu pai apenas negociou comigo para que eu fosse sua babá e morasse aqui com vocês. Porque não senta aqui e vamos nos conhecer melhor? — Celina convidou Bianca batendo na cama.
Conseguiu conhecer um pouco de Bianca, ela tinha seis anos, iria completar sete em alguns meses. Sua mãe morreu, Bianca disse que ela virou estrelinha, então foi isso que Celina supôs. A menina também explicou que estudava pela manhã e alguns dias da semana tinha aula de balé a tarde e outros judô. O que foi um alívio para Celina que poderia organizar seu tempo com seu filho nos horários vagos de Bianca. Enquanto conversavam, o que havia solicitado começava a chegar aos poucos.
O último que chegou foi o berço. Os olhos de Celina lacrimejam. Nunca pensou que poderia oferecer um berço tão lindo ai seu filho. Era um conforto básico, que ela não tinha como dar a ele. O que fez ela perceber que valia a pena se vender para um monstro em nome daquele pequeno ser.
Algumas horas depois, Diana chega com Benjamin e algumas malas. Antes de vir, arrumou as coisas da amiga e do bebê para trazer. Sua amiga ficou presa na entrada um tempo, enquanto os seguranças ligavam para Fernando, para conseguir sua liberação. Com alguns minutos de espera, foi liberada para entrar acompanhada de Denilson.
— Obrigada por tudo. Eu não sei o que seria da minha vida sem você. — Celina agradeceu abraçando a amiga.
— Amiga! Se deu bem! Olha essa casa. O dono é gato? — Diana perguntou olhando tudo ao redor. — Você pode se dar muito bem aqui. Melhor que o médico gostosão.
— Enlouqueceu, Diana? Estou aqui apenas para trabalhar. Não começa com suas ideias loucas. — Celina sabia que sua amiga era do tipo que apenas saia com os caras ricos.
— Se eu fosse você, não perdia esse peixe enorme. Sua vida vai mudar totalmente — Diana aconselhou antes de deixar ela a sós.
Celina riu alto, quando viu Diana olhando para Denilson com o olhar de golpe que ela conhece bem. Seria divertido ver ela queimando a língua, Celine pensou enquanto subia para o quarto. Foi dar um banho em Benjamin. Quando voltou para pegar encontrou fralda nova, haviam várias descartáveis. Diana sempre fazia isso. Celina nunca soube se era para ajudar ou apenas não queria lidar com as fraldas de pano na hora de trocar.
— Meu bebê, prometo que as coisas vão se ajeitar. Tudo vai melhorar. Olha que berço lindo você tem agora. Vou comprar alguns brinquedos, assim que o meu primeiro salário sair. Prometo, você será muito feliz ainda — Celina disse levantando Benjamim para cima. Que ria olhando para mãe.
— Quem é ele? — Bianca perguntou surpresa olhando para Benjamin.
— Venha conhecê-lo, Bianca. Esse é o Benjamin, o meu filho. — Celina respondeu enquanto Bianca se aproximava alisando a cabeça do bebê.
— Ele é meu irmão? — Bianca perguntou, Celina apenas sorriu. Não conseguia entender a confusão da menina. Será que ela não sabia da morte da sua mãe?
— Está com fome, Bianca? Que tal um sanduíche? — Celina perguntou.
— Não gosto da comida que o chefe faz. Tem um gosto ruim — Bianca respondeu de cabeça baixa.
— Ah! Tenho certeza que você vai amar meu sanduíche. Nunca conheci ninguém que não gostasse dele. Quer experimentar? — Celina perguntou sorrindo
— QUERO! — Bianca gritou animada.
— Espera eu colocar o Benjamin para dormir? Assim você pode ir comigo fazer o sanduíche. O que acha? — Celina sugeriu enquanto ninava o Benjamin.
— Sim! — Bianca respondeu deitando na cama, tirando o celular do bolso.
Alguns minutos balançando Benjamin, ele finalmente adormeceu. Por sorte, havia uma babá eletrônica no berço. Não lembra de ter solicitado. Entretanto foi ótimo, a mansão era enorme. Celina chamou Bianca, juntas foram em direção da cozinha.
O famoso (totalmente desconhecido) sanduíche de Celina, nada mais era do que pasta de amendoim com geleia. Celina fez as torradas e deixou que Bianca colocasse o recheio. A menina decidiu comer na mesa de jantar com um copo de leite. Ambas estavam sentada na mesa comendo sanduíche. Quando são surpreendidas com Fernando entrando na sala.
— O que estou vendo aqui? — Fernando perguntou. Celina levantou rapidamente da mesa limpando a boca que estava melada.
— Me desculpa. Não queria passar dos limites. Bianca pediu companhia para lanchar. — Celina respondeu baixando a cabeça, estava envergonhada e assustada.
— Não se preocupe. Eu não falava disso. Pode sentar e voltar a comer — Fernando respondeu com a voz indiferente, se aproximando da filha, se ajoelhando para ficar da sua altura. — Você está comendo, meu amor. Isso é fantástico. Não sabe como isso fez o papai feliz. O que come com tanta vontade?
— Sanduíche especial da mamãe. Ela me ensinou a fazer e eu ajudei. Experimenta, papai. — Bianca respondeu oferecendo o sanduíche a seu pai que mordeu e sorriu em resposta
— Que delícia, meu amor. Realmente muito gostoso. Como foi seu dia? — Fernando perguntou a filha. Ele sabia de tudo. Enviavam relatórios sobre o que acontecia na mansão. Mesmo assim, gostava de saber como sua filha se sentia.
— Foi perfeito. Conheci o Benjamin. Ele é tão pequeno, mas é bem fofinho. — Bianca respondeu.
— Fico feliz que teve um dia tão bom — Fernando respondeu limpando a boca da filha que estava suja de geleia. — Quando terminar de comer tome um banho. Vamos assistir aquele filme que você queria.
— Combinado. Vou comer todo, depois tomo banho. — Bianca disse voltando a focar no sanduíche. Fernando acariciou seu cabelo antes de se afastar
— Acompanhe ela no banho. Depois está liberada até a hora do jantar. — Fernando ordenou para Celina antes de se retirar da sala.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Sol Sousa
o cão 🐕 é mal educado rsrsrs
2024-12-10
0
IONE RODRIGEUS
agiota do cão
2024-01-10
10
Rita Silva
Celina está com uma condição de trabalho análoga a escravidão. Agiota mandão!!! 🤬🤬🤬
2023-12-03
10