...Harry...
Foi inaceitável o comportamento da Francine, ver pouco caso da mulher, então por esse motivo fiquei sério o caminho todo para a casa.
— Vai ficar de cara feia agora? — Minha namorada pergunta.
— Só me responda, porquê você fez isso? Tenho certeza que você tem mais educação que aquilo.— Pergunto olhando para a estrada.
— Não está óbvio? Pessoas como ela, tende a ser sujos. — Ouço ela falar mas não consigo acreditar no que os meus olhos estão ouvindo.
— Como assim pessoas como ela? Você quer dizer, pessoas honestas?
— Você sabe Harry, pessoas assim escurinhas. — Ela diz passando os dedos no braço.
— Francine dessa vez, você se superou. Essa fala foi totalmente racista. Você sabia que posso te prender por isso? Racismo é crime, Francine. Você não é burra.
— Aí meu Deus! Mas eu não sou racista, inclusive tenho uma faxineira que trabalha na minha boutique que é assim pretinha, e eu a trato super bem. Ela sabe fazer faxina....
— Francine para, meu estômago está embrulhando por ouvir essas coisas. — Falo olhando para a frente.
Esse lado racista dela eu não conhecia, como pude me envolver com uma pessoa assim?
— Você está fazendo uma tempestade, eu já disse que não sou racista. Contanto que eles saibam o lugar deles...
— Eu mandei você ficar quieta Francine. — Peço irritado, paro o carro na frente da sua casa.
— A gente não ia para a sua casa? — Pergunta estranhando minha troca de rota.
— Eu preciso pensar um pouco, essa nova descoberta mexeu comigo. — Falo mas ela não desce, então eu desço do carro e abro a porta para ela. — Saia do meu carro. — Peço, mas ela ainda não se move, delicadamente pego seu braço e ela sai resmungando.
— Você está se doendo por conta dela? Você mal conhece ela.
— Você não entende mesmo né? Não é por ela, é pelo que você é.
— Aí pronto, só porque eu falei a verdade, eu sou racista. — Eu me afasto dela, antes que eu resolva colocar juízo na cabeça dessa garota. — Você está terminando comigo? — Pergunta.
— Você não achou que eu continuaria com você, depois de descobrir a podridão de ser humano que é você, né? — Falo.
Entro em meu carro e deixo uma Francine furiosa na porta de casa. Agora tudo faz sentido, as vezes que passávamos na rua onde tinha pessoas negras, Francine sempre fez questão de passar o mais afastado deles ou quando estávamos em algum lugar e um negro passava ao seu lado, instantâneamente ela trazia sua bolsa para frente.
..........
Volto para o hospital, a fim de me desculpar pela grosseria da minha ex namorada, mas quando eu entro dou de cara com o marido dela e a Isis juntos, Isis quando vira em minha direção tem os olhos assustados.
Mas finjo não perceber, tenho quase certeza que ela sofre violência doméstica, e está com medo.
Mas infelizmente não posso agir sem que ela me peça ajuda. Por isso muita das vezes tenho que tampar o sol com a peneira.
Ofereço uma carona a ela, porém ele recusa, talvez algo que seu marido falou, entro em meu carro, fingindo que vou embora, mas paro em uma ruela, quando vejo a passar por mim, começo a segui-la, isso é tão errado, mas eu preciso convencer ela a denunciar o seu marido.
Ela passa perto de um grupo de usuários de droga, eu acho que ela se assustará, mas pelo contrário ela passa do lado deles e ainda sorri.
Mais alguns minutos depois, ela chega em sua casa.
Vejo o momento em que ela para em frente a casa, e fica alguns minutos só olhando para o imóvel até entrar.
Passa duas horas até ela sair de novo da casa, aproveito essa oportunidade para aborda-la.
— Ísis, deixa eu falar contigo. — Peço,ela tem um pequeno sobressalto e põe a mão no peito.
— Tenente você precisa parar de me assustar assim.
— Desculpa.
— Eu já disse que não precisa se sentir culpado pelo que a Francine me falou.
— Não é sobre a Francine que eu quero falar.
— Então é sobre o que?
— Sobre o seu marido. — Ela arregala os olhos e da um passo para trás.
— Não tenho nada para falar sobre ele.
— Ísis, eu sei que sofre violência com o seu marido, sou policial trabalho com isso, sei distinguir os sinais.— Falo e ela presta atenção. — Eu não posso te ajudar, se você não o denunciar. É isso que você quer para a sua vida? Até quando vai suportar isso?
— Eu não posso fazer nada, essa é a vida que eu escolhi. Eu que aguente firme e calada. — Isis diz um pouco arisca, ela tenta passar por mim.
— O que ele te fala que você fica com medo? Ele te ameaça? Ou ele zomba de você dizendo que passará fome? Ou talvez ele te assuste usando o seu filho. Me diz Isis, o que ele te fala.
— Eu ja disse não tenho nada para falar. Acho lindo isso em você, querer proteger as pessoas, mas eu já sou um caso perdido. Ninguém vai conseguir me tirar das garras dele, você não sabe, ele tem pessoas que me vigiam, não duvido nada alguém está nos espiando e já foi contar para ele. Não faça promessa que não pode cumprir.
— Isis....
— Não por favor, se mantenha longe de mim. Muito obrigada por me ajudar com o meu filho. Mas se você continuar vindo atrás de mim, com certeza eu terei problemas. Não preciso de mais um.
Sem que eu tenha direito de resposta, Isis sai pela rua, e eu não posso nem obriga-la. Não presenciei nada explícito.
É com o sentimento de fracasso, que eu entro em meu carro. E sigo para minha casa, que nada de ruim aconteça com ela.
Mas precisarei respeitar o seu pedido, de me manter longe.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Cristina Santos
É sempre assim esses covardes fazem pressão na cabeça da mulher, acabam com sua autoestima que elas não conseguem sair ou pedir ajuda . 😭😭
2025-01-28
1
Noemi Santos
ela tem que falar oq o cara faz com ela colocar ele atrás das grades cadeia pra ele
2024-02-09
3
MARIA LUZINETE DIAS SILVA
Esse medo é porque sabemos do abandono que sofremos por parte das autoridades e pela falta de apoio dos familiares e amigos ninguém quer se meter ou ajudar.
MUITO TRISTE
2023-10-07
2