...Isis...
Ouço o despertador e levanto, passo o uniforme do meu marido, faço seu café e arrumo sua marmita. Faço tudo antes dele acordar, para ele não se aborrecer.
Meu filho acorda chorando e vou atendê-lo, o troco e faço sua mamadeira, quando eu percebo que está acalmo coloco ele no carrinho e começo a arrumar a cozinha.
João levanta e começa a tomar o seu café, sujando onde acabei de limpar. Quando ele termina passa por mim, indo até o Ian.
— E aí pivete. — balança a mãozinha do meu filho e sai da cozinha.
Volto a arrumar a cozinha e limpo novamente onde ele sujou.
— Estou indo trabalhar, quando chegar quero a janta pronta e vê se não vai fazer aquela porcaria novamente. — João diz e me dá um beijo na bochecha.
O toque dele me causa arrepios, quando ele sai, finalmente eu posso respirar tranquilo novamente.
— Bebê, queria poder ter força para livrar a gente dessa vida. Mas não vejo uma saída que não seja a gente passando fome e frio.
Murmuro para o meu filho, só tenho ele para conversar, não tenho mais amigos, os que eu tinha aos poucos fui me distanciando por causa do João, agora os amigos são dele. E não confio contar algo a eles.
.........
O dia passa mais rápido do que eu queria, e daqui a pouco meu marido chega em casa.
João é diretor de uma fábrica, ganha razoavelmente bem, moramos em uma boa casa, mas sempre que peço dinheiro para comprar algo que o Ian esteja precisando ele diz estar zerado.
Arrumo tudo em cima da mesa, e João chega poucos minutos depois e se senta na mesa para comer.
— Vou sair hoje a noite, então não precisa me esperar acordada. — João fala ainda comendo.
Se fosse no início do nosso namoro, eu teria perguntado para onde ele iria, mas hoje eu aprendi aceitar, acho que prefiro assim, quanto mais ele ficar pra rua melhor para mim.
Ele larga as coisas que acabara de usar em cima da mesa e se levanta. Lavo a mini louça e vou cuidar do meu filho, dou sua comidinha, depois dou um banho nele e brinco com ele um pouco.
Só ouço a porta sendo aberta e logo após fechada. Uma vez eu tentei fugir, não sabia que me resultaria em socos e pontapés.
Aproveito que Ian dormiu e vou tomar um banho, um banho rápido para caso ele acordar eu estar pronta para ele.
Coloco uma camisola e sento com o meu filho no sofá, passo os canais procurando algo para assistir mas não encontro nada, acabo deixando em uma série que está passando, só para fazer barulho de fundo.
— Você é tão lindo, eu te amo meu amor. — Falo para o meu filho usando uma voz suave e calma. Ele me olha e da uma gargalhada gostosa.
Ao brincar com o meu filho noto como ele está quente, pego um termômetro para medir a sua temperatura, e como suspeitei é febre, acredito ser do dente que está rasgando então só dou um antitérmico para ele, mas vou começar a prestar mais atenção nele.
As horas passam e o meu marido ainda não havia chegado, desligo a televisão e deito com meu filho para dormirmos. Como de costume toda noite eu canto pra ele, e ele ama, e hoje não é diferente, eu canto para ele até o meu menino pegar no sono, rezo para Deus me enviar ajuda para sair dessa situação.
Não que eu vá sair, eu já oro assim tem mais de três meses e nunca consegui sair dessa vida, abraço meu filho e durmo.
..........
Acordo no susto ao ouvir um barulho, olho ainda na penumbra mas não vejo nada, acendo o abajur que fica ao lado da minha cama, verifico a hora, três horas da manhã, e vou checar o meu filho.
Ian está meio azulado e sua pele está muito quente, me desespero, procuro por João mas não o encontro em casa, ligo para o seu celular mas só dá na caixa postal.
Preocupada com o meu menino, pego ele, Ian está mole no meu colo, começo a chorar.
— Deus não permita que nada aconteça com o meu filho, ele é tudo que me restou, não tira ele de mim. — Começo a orar enquanto pego sua bolsa e seus documentos e de camisola saio de casa, não quero esperar mais nenhum minuto.
Não tenho dinheiro para passagem e o hospital mais próximo é cinquenta minutos a pé, mas vou assim mesmo.
— Por favor filho, aguente. Mamãe está indo atrás de ajuda. — Falo para o meu filho que está muito letárgico.
A rua é deserta e o medo de algo acontecer com a gente começa a passar em minha mente.
O único jeito de chegar ao hospital é passar por uma viela escura, pensando no bem estar do meu filho e na saúde dele, eu passo, quando finalmente eu consigo passar por ele e chegar na luz, respiro um pouco aliviada.
Olho para o Ian, ele antes estava com os olhos abertos, agora estão fechados.
— Amor... Bebê...Filho, acorde.— Começo a mexer nele para abrir seus olhos mas ele não faz, sua respiração vai ficando lenta.
— SOCORRO! SOCORRO! Alguém me ajuda, meu filho está morrendo. — Grito chorando, começo a andar para chegar mais rápido enquanto choro.
— Por favor alguém me ajuda! — Peço angustiada, então noto um grupo de drogados a frente, passo por eles, indiferente, não tenho medo deles.
— Por favor, Alguém me ajuda....Ian acorda filho. — Chamo novamente.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 89
Comments
Juliana Vicentina da Costa Nerys
Que angústia, eu tive meu filho morto em meus braços por causa de febre foi horrível.
2025-02-15
0
Ana Selma Melo
Meu Deus que desespero dessa mãe e ainda com um marido desse!! Affs😡😔
2023-09-30
2
Neusa Tumiero
acho q matava um infeliz deste
2022-12-23
2